
Ana e Pedro são os fios que emendam os nove contos do livro Civilização Selvagem ou tigelas de barro espatifadas no chão, escrito pelo professor de Linguística e Literatura da UFNT, Francisco Neto Pereira Pinto. Construídas em ordem não linear, com histórias independentes umas das outras, as narrativas sobre o relacionamento do casal percorrem alguns dos principais dilemas da sociedade contemporânea.
Ao transformar o ordinário em matéria literária, o autor revela como muitos problemas cotidianos se alicerçam na vida dos protagonistas e constantemente transformam suas maneiras de existir no mundo. Em “Ravi no revoar do sono”, a personagem principal tenta acalmar o filho pequeno durante um voo enquanto enfrenta as críticas dos passageiros ao seu redor.
“Para o fim de semana” narra a luta de um homem para pôr comida na mesa após ter perdido o emprego para a inteligência artificial.
Já “O pai que não sabia ou Pedro é um menino” lança um olhar para a desconexão do marido com a esposa ao perceber que não conseguia se recordar do sabor de sorvete favorito dela. “A professora ou um jardim de orquídea”, por outro lado, revela uma face distinta dessa relação por mostrar a exaustão de uma mulher sobrecarregada no trabalho e na família.
Feliz era Ana, que ensinava literatura na universidade e nunca segurou em suas mãos uma morte nervosa ou uma vida tranquila. Será que sentia falta, afastada desde o Téo, o primeiro filho. Ele é que não se mimava mais com passatempo tão refinado e inofensivo, porque viu sua jornada ficar ainda mais estreita, com plantões se avolumando aos finais de semana e feriados. E ela que reclamava de os meninos não a deixarem concluir a leitura de “Um defeito de cor”, da Ana Maria Gonçalves, uma escritora de quem ele nunca ouviu falar. Mas cumpria, como gostava de dizer, o seu destino de homem, de marido e de pai.
(Civilização Selvagem ou tigelas de barro espatifadas no chão, p. 34)
Apesar dos protagonistas sempre se chamarem Ana e Pedro, o casal não é o mesmo nas histórias. Os nomes permanecem, mas mudam-se contextos, profissões, tempos, problemas e classes sociais. Todos, porém, enfrentam situações que revelam o poder de uma vida compartilhada com os outros e as dores excruciantes da solidão.
"As Anas se destacam pela fortaleza na luta para conciliar a vida amorosa e familiar com o trabalho fora de casa, sem abrir mão de suas preferências e necessidades pessoais. Elas se mostram fortes nas suas fraquezas e pacientes com homens robustos que, ressentidos diante dos pequenos desentendimentos no convívio com as parceiras, afastam-se delas, mas acabam voltando”, explica Lígia Chiappini, livre-docente da Universidade de São Paulo e professora titular da Freie Universität Berlin, no prefácio do livro.
FICHA TÉCNICA:
Título: Civilização Selvagem ou tigelas de barro espatifadas no chão
Autor: Francisco Neto Pereira Pinto
Editora: Mercado de Letras
ISBN: 978-65-6237-002-7
Páginas: 60
Preço: R$ 44 (físico)
Onde comprar: Mercado de Letras | Amazon
*Sobre o autor: Francisco Neto Pereira Pinto é professor, escritor e psicanalista. Doutor em Ensino de Língua e Literatura, leciona no programa de pós-graduação em Linguística e Literatura da Universidade Federal do Norte do Tocantins e nos cursos de Medicina e Direito do Centro Universitário Presidente Antônio Carlos. Membro da Academia de Letras de Araguaína – Acalanto, é autor dos livros de contos “À Beira do Araguaia” e Civilização Selvagem ou tigelas de barro espatifadas no chão. Como escritor de obras infantis, publicou “O gato Dom”, “Você vai ganhar um irmãozinho”, “Saudades do meu gato Dom” e “Olha aquele menino, mamãe!”. Também organizou as coletâneas “Panorama das pesquisas em ensino da literatura”, “Ensino da Literatura no Contexto Contemporâneo” e “Torto Arado em Dez Dobras”.
Instagram: @francisconetopereirapinto / Facebook: Francisco Neto Pereira Pinto / LinkedIn: Francisco Neto Pereira Pinto / Site: https://francisconetopereirapinto.online.
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