
Há duas décadas, o Centro de Referência Albertina Vasconcelos (Crav) acolhe mulheres em situação de violência em Vitória da Conquista, oferecendo atendimento humanizado e contribuindo para que elas reconstruam suas histórias com dignidade, autonomia e segurança. Vinculado à Secretaria Municipal de Políticas para Mulheres (SMPM), o serviço se consolidou como uma das principais portas de entrada da rede de enfrentamento à violência contra a mulher no município.

Ao longo desses 20 anos, centenas de mulheres encontraram no Crav o apoio necessário para romper o ciclo da violência. Mais do que acolhimento imediato, o equipamento oferece acompanhamento social, psicológico e jurídico, construído de forma individualizada, respeitando a realidade e as necessidades de cada mulher.
“São duas décadas de um serviço importantíssimo para as mulheres vítimas de violência. É um serviço que tem ressignificado a vida de muitas mulheres, porque elas chegam aqui e recebem atendimento social, jurídico e psicológico. Todo o trabalho é pensado de acordo com a realidade de cada uma, com um plano de atendimento individualizado”, destaca a secretária municipal de Políticas para Mulheres, Viviane Ferreira.

Viviane Ferreira
Segundo a secretária, o atendimento prestado pelo Crav vai além do acolhimento inicial. As mulheres são acompanhadas pela equipe técnica e encaminhadas para outros órgãos que integram a rede de proteção, permanecendo assistidas pelo município até que estejam fortalecidas para seguir suas vidas com autonomia.
Outro diferencial do serviço é o fortalecimento da independência econômica das usuárias. Lá, a autonomia das mulheres atendidas é trabalhada, especialmente a autonomia econômico-financeira. Segundo dados levantados pela secretaria, estudos mostram que a dependência financeira é um dos principais fatores que levam muitas mulheres a permanecerem no ciclo da violência. Quando qualificadas e capacitadas para o mercado de trabalho e para o empreendedorismo, essa mulher é guiada a romper definitivamente esse ciclo.
A secretária também ressalta que não é necessário ter registrado denúncia contra o agressor para ser atendida no Crav. “A mulher pode procurar o serviço espontaneamente. Aqui ela será acolhida, conhecerá seus direitos e, no momento em que se sentir fortalecida e preparada, poderá decidir sobre os próximos passos. O mais importante é que ela saiba que não está sozinha.”
A dona de casa E. O. S.* conhece bem a importância desse acolhimento. Referenciada pelo Crav desde 2012, ela chegou ao serviço após viver uma situação extrema de violência. “Quando eu cheguei aqui, achei que seria apenas mais um lugar para procurar ajuda. Mas encontrei uma família. Eu não tinha apoio de ninguém e aqui recebi amor, acolhimento e suporte. Atéhoje considero essa equipe como minha família”, conta.
Ao longo dos anos, ela afirma que redescobriu sua autoestima e aprendeu a colocar seus próprios limites. “Eu descobri que a minha vida pertence a mim. Antes eu fazia tudo para agradar os outros. Hoje, se é bom para mim, eu digo sim. Se não é, eu digo não. Aprendi a ter amor-próprio e a entender que não sou obrigada a viver o que me faz mal.”
Para a dona de casa, o Crav representa muito mais que um serviço público. É um espaço de reconstrução. Ao lembrar de outras mulheres que ainda enfrentam situações de violência, E. O. S. faz um convite.“Venham. Não escutem quem tenta desanimar vocês. Aqui vocês vão encontrar apoio, respeito, acolhimento e vão descobrir que a vida pertence a vocês.”
Além do atendimento especializado, o Crav desenvolve ações contínuas de prevenção e conscientização, integradas ao calendário de campanhas da Secretaria Municipal de Políticas para Mulheres, fortalecendo a rede de enfrentamento à violência e promovendo informação sobre os direitos das mulheres.
“Às mulheres que ainda precisam de ajuda, deixo uma mensagem: vocês não estão sozinhas. Procurem o Centro de Referência Albertina Vasconcelos. O município oferece um serviço gratuito, humanizado e comprometido com a garantia dos direitos das mulheres. Aqui elas encontram uma mão amiga e o apoio necessário para recomeçar”, reforça Viviane.
Celebrar os 20 anos do Crav é reconhecer a trajetória de um serviço que, diariamente, acolhe, protege e transforma vidas. Mais do que um equipamento da rede municipal, o Centro de Referência Albertina Vasconcelos representa esperança para mulheres que buscam reconstruir suas histórias e viver com liberdade, autonomia e dignidade.
*A identidade da entrevistada foi preservada para segurança da mesma.









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