
A vontade de recomeçar falou mais alto para Lucileide Feitosa, de 44 anos, dona de casa e moradora da Vila Princesa. Nesta segunda-feira (6), ela voltou a ocupar uma carteira escolar com a esperança de, desta vez, seguir até o fim. Com o kit escolar nas mãos, uniforme novo e o coração cheio de expectativa, Lucileide passou a integrar a primeira turma da Educação de Jovens e Adultos (EJA) implantada pela Prefeitura de Porto Velho, por meio da Secretaria Municipal de Educação (Semed), na comunidade.

A história dela se mistura com a de tantos brasileiros que precisaram interromper os estudos ainda cedo por causa das dificuldades da vida. Pela primeira vez, Lucileide entrou em uma sala de aula aos 29 anos, quando decidiu tentar recuperar o tempo perdido. Chegou até a quarta série, mas a rotina pesada de trabalho a impediu de continuar.
“Foi a primeira vez que eu entrei na sala de aula, eu tinha 29 anos. Eu não estudei quando eu era criança. Aí fiz até a quarta série. Como eu trabalhava, ficava muito cansada e desisti. Agora eu vou continuar de novo, se Deus quiser, até o fim. Porque a gente sem estudo não consegue um emprego. A gente tem que viver reciclando. Muitas vezes as pessoas tratam a gente com indiferença. Até para assinar alguma coisa é difícil. A gente chega nos lugares, quer assinar e não consegue. Você não consegue resolver um documento, não consegue passar um terreno, porque não assina. Aí tem que colocar o nome de outra pessoa”.
O depoimento de Lucileide revela o impacto que a alfabetização e a retomada dos estudos têm na vida de quem, por muito tempo, foi privado desse direito. Mais do que aprender a ler e escrever, voltar para a escola significa conquistar autonomia, dignidade e a possibilidade de transformar a própria história.

As aulas da nova turma da EJA tiveram início nesta segunda-feira, (6), na Escola Municipal de Educação Infantil e Ensino Fundamental João Afro Vieira, na Vila Princesa. O calendário letivo já começou e as atividades seguem até o dia 17 de julho, quando os alunos entram em recesso escolar, com retorno previsto para o dia 3 de agosto.
Neste primeiro momento, os estudantes já começaram a rotina escolar com o apoio da Prefeitura de Porto Velho, recebendo kit escolar e uniforme, um incentivo importante para marcar esse novo ciclo de aprendizado e acolher os alunos da comunidade.
Entre os novos estudantes está também Nizete Alves, de 50 anos, recicladora há 12 anos, que celebrou a oportunidade de finalmente dar um passo importante rumo à alfabetização. Para ela, o início das aulas representa a realização de um sonho e a chance de viver algo que por muito tempo parecia distante.
“Eu tô animada, né? Tô animada porque eu vou aprender mais. É muito bom, pra gente, o aprendizado vai ser maravilhoso. Só o fato de você aprender a ler, escrever seu nome, é uma satisfação muito grande. A Bíblia a gente tem, mas não consegue ler. Então é um aprendizado pra nós”, disse emocionada.

Para o secretário municipal de Educação, Giordani Lima, o início das aulas representa um avanço importante na missão de levar a educação a todas as comunidades do município. “Estamos falando de homens e mulheres que carregam o desejo de aprender, de escrever o próprio nome, de ler um documento, de ter mais autonomia e mais oportunidades. A Prefeitura está garantindo estrutura, material, uniforme e, acima de tudo, o acesso à educação como um direito de todos”.
O prefeito Léo Moraes ressaltou que o início das aulas simboliza a presença do poder público em uma comunidade que por muitos anos esperou por essa oportunidade.“Ver essa sala de aula cheia, com alunos motivados, material nas mãos e vontade de aprender, é a prova de que vale a pena investir em políticas públicas que chegam onde as pessoas mais precisam. A EJA na Vila Princesa significa respeito, dignidade e oportunidade para quem sonha em aprender a ler, escrever e ter mais autonomia no dia a dia”.
Com o início das aulas, a Vila Princesa passa a viver uma nova fase, em que o aprendizado ganha espaço no cotidiano da comunidade e se transforma em ferramenta de esperança, independência e cidadania. Para Lucileide, Nizete e tantos outros alunos, a sala de aula agora representa a chance de escrever um novo capítulo da própria vida, desta vez, com o nome assinado pelas próprias mãos.
Texto:Jhon Silva
Fotos:José Carlos
Secretaria Municipal de Comunicação (Secom)
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