
Pacientes são monitorados duas vezes por semana em tempo real, por videochamada, enquanto praticam os exercícios
Antes monitorados presencialmente, os treinos e os exercícios do Programa de Reabilitação Pulmonar do Hospital de Messejana Dr. Carlos Alberto Studart Gomes (HM) deram lugar à telerreabilitação e à troca de mensagens entre profissionais e pacientes. Devido ao crescimento de novos casos de covid-19 e outras síndromes gripais, após avaliação médica, a supervisão de candidatos ao transplante de pulmão passou a ser à distância.
“Estes pacientes apresentam maior risco de contrair covid-19 de forma grave; evitar a circulação deles é essencial neste momento de surgimento de novos casos”, ressalta a coordenadora do Programa, Tereza Morano. “Os exercícios são fundamentais para prolongar a sobrevida do paciente pneumopata, portanto, é muito importante a continuidade do tratamento. Por isso, adaptamos o Programa para assisti-los remotamente. Tem funcionado muito bem”, avalia.
Antes da telerreabilitação, os usuários do serviço foram avaliados presencialmente pela equipe e orientados sobre a importância da manutenção dos treinos em casa. Desde janeiro, duas vezes por semana, eles passaram a ser monitorados em tempo real, por videochamada, enquanto praticam os exercícios. Na troca de mensagens que ocorre diariamente, são identificadas, ainda, outras necessidades, como os acompanhamentos psicológico, social e nutricional.
Os pacientes estão aceitando com dedicação a estratégia. Quem comprova o sucesso da assistência é Cristiana Maria Lima, 47. Diagnosticada com fibrose pulmonar grave, ela veio de Manaus em busca de um transplante de pulmão, após darem como esgotadas as alternativas de tratamento em sua cidade. Lima é acompanhada há um ano no Hospital de Messejana, da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), e comemora os resultados.

Cristiana Lima, 47, é disciplinada e mantém a rotina de treinos enquanto aguarda o transplante de pulmão
“Eu vim desenganada, sem perspectivas. Cheguei de cadeira de rodas, acima do peso, cansando aos mínimos esforços. Vivia com pneumonia. Os remédios pareciam que não faziam mais efeito. Graças a esse hospital, aos médicos e à reabilitação, hoje sou outra pessoa. Ainda aguardo o transplante, mas já posso fazer coisas que antes eram impossíveis. Consigo caminhar, consigo conversar sem me cansar excessivamente, faço minhas atividades sozinha. A reabilitação mudou a minha vida”, celebra.
A fisioterapeuta Mariana Araújo é a responsável pelo monitoramento dos oito pacientes candidatos ao transplante pulmonar. Ela explica que a continuidade dos exercícios é fundamental para evitar o risco de agravamento do quadro de saúde e as internações. “Assim como os medicamentos, que são indicados para o tratamento diário, a reabilitação é comprovadamente necessária para prolongar a sobrevida do paciente pneumopata”, ressalta.
Após um mês de monitoramento, o Programa tem alcançado resultados positivos, como a estabilidade clínica e a manutenção do condicionamento cardiorrespiratório dos pacientes. O atendimento trouxe, também, autoconfiança, bem-estar físico e emocional, segurança e qualidade de vida para as pessoas acompanhadas.
Mesmo sendo monitorada por meio de videochamadas, Cristiana Lima afirma que nada falta e que a disciplina é fundamental para garantir bons resultados durante o tratamento. “Eu fico ansiosa para a hora da aula. Mesmo estando longe, a equipe é muito atenciosa e acolhedora. Além de ser um período de atividades, nós tiramos dúvidas e é um momento de socializar, de encontrar os amigos”, diz.
Durante os exercícios, os pacientes vão informando sobre a saturação e o nível de cansaço (Escala de Borg). A fisioterapeuta vai anotando e monitorando os parâmetros. “Aqueles que não conseguem participar do treino ao vivo são orientados a acompanhar as orientações dos vídeos gravados. Eles anotam os parâmetros e como se sentiram, e depois nos passam por mensagem. Os resultados são muito positivos”, detalha Mariana Araújo.

Serviço de Reabilitação Pulmonar adotou novas regras para atender presencialmente pacientes com outras pneumopatias crônicas
Pacientes com outras pneumopatias crônicas ou em reabilitação pós-covid continuam com o acompanhamento presencial. No entanto, novas regras foram adotadas para diminuir o risco de contaminação por covid-19. “As atividades, antes realizadas em grupo, agora estão limitadas a três pacientes por vez. Os treinos duram uma hora e, a cada intervalo, os equipamentos são higienizados”, pontua Tereza Morano.
Programa de Reabilitação Pulmonar do Hospital de Messejana
Contato: (85) 3101-4065
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