
O ser humano visto e tratado como ele realmente é: um ser individual e não apenas um número em um quadro de estatísticas injustas e que muitas vezes exclui. É assim no Centro Dia da Criança com Microcefalia da Prefeitura de João Pessoa, um espaço de inclusão, acolhimento e cuidados que tem aumentado a expectativa de vida dos pacientes e dado a cada um a oportunidade de sorrir e viver com dignidade.

Sob uma ótica de conceitos limitantes e até estereotipados, criamos a expectativa de chegar ao local e encontrar desânimo, cansaço e melancolia. Presencialmente e de frente para os depoimentos de quem utiliza o serviço foi possível constatar o inverso. Nos rostos emocionados o que se lê é esperança.
Lá, as crianças atendidas e suas famílias recebem um tratamento todo especial. O Centro Dia dá suporte às famílias que têm crianças com microcefalia e precisam do apoio do poder público para desempenhar, com mais tranquilidade, os afazeres do dia a dia. O serviço faz parte da Secretaria de Desenvolvimento Humano e Cidadania (Sedhuc), dentro da Proteção Social de Média Complexidade, com encaminhamentos quando necessário para os demais serviços da proteção básica e da proteção especial. Assim como encaminhamentos para outros serviços da rede de Saúde e Educação, além de órgãos de defesa e garantia de direitos.
A coordenadora do Centro Dia, Larícia Alves de Freitas, explicou que os serviços são ofertados para as crianças e também os responsáveis por elas. “Nosso objetivo é manter o cuidado e a proteção integral a essa criança e a família dela, seja a mãe, tia ou avó que às vezes são responsáveis por essas crianças. Nossas atividades incluem desde um cuidado básico, como higienização, uma alimentação, até o suporte que a gente, enquanto equipe técnica do serviço, oferta para as mães também”, detalhou.


Pensando nesse cuidado integral, os profissionais do Centro Dia da Criança com Microcefalia fazem o encaminhamento dos pacientes para as terapias necessárias ofertadas por outras secretarias da rede municipal, garantindo inclusive o transporte deles. Além desse olhar humanizado, as mães têm todo o suporte para cuidar da saúde delas.
“Promovemos ações de saúde integral voltada para elas também. Tanto na questão de saúde emocional, mental, como também do cuidado geral para com essa mãe. Fazemos também os encaminhamentos necessários. Temos um funcionário que faz a parte da regulação, dos encaminhamentos de saúde diretamente daqui do serviço para rede de atendimento à saúde, desde a criança até a mãe aos cuidadores dessa criança”, ressaltou a coordenadora do Centro Dia.
Fica constatado que o diferencial do Centro Dia está no olhar ampliado sobre cada criança, compreendendo que o diagnóstico não define limites e que, com assistência contínua, muitas histórias de superação têm sido construídas. “A criança não é um diagnóstico. Se fosse só um diagnóstico, tem criança que não tinha expectativa nem de andar e agora a gente a vê correndo nessa casa inteira. Eu acho que esse olhar ampliado faz com que a gente perpasse o diagnóstico e possa dar a essa criança inúmeras possibilidades, que é o que a gente vê aqui. Crianças com uma perspectiva e hoje o resultado é outro. Crianças que viveriam apenas 2 anos e já estão com 13”, constatou Larícia.
Como ter acesso ao Centro Dia – O acesso ao serviço pode ocorrer por demanda espontânea, mediante apresentação do cartão da criança para cadastro, ou por encaminhamentos da rede de saúde e de outros centros terapêuticos. Atualmente, o serviço possui 55 usuários cadastrados e acompanha de forma ativa cerca de 20 crianças. A faixa etária atendida varia de 6 a 13 anos, incluindo casos em que a microcefalia está associada a outras condições, como o Transtorno do Espectro Autista (TEA).
O funcionamento ocorre das 8h às 17h e conta com transporte diário para garantir o deslocamento das crianças aos centros de terapia. O serviço dispõe de equipe formada por assistente social, psicólogo e enfermeira, com foco na proteção integral e no cuidado humanizado.

Acesso que dá vida – O ano era 2016 e Jayane Pires Azevedo estava feliz com a gravidez. Mas um diagnóstico mudou tudo. A bebê viria com uma malformação e seu cérebro não se desenvolveria adequadamente. Maria Ester nasceu em um mundo desconhecido e cheio de incertezas carregado pelo surto de microcefalia causado pela infecção gestacional pelo vírus Zika, transmitido pelo mosquito Aedes aegypti.


Naquela época, conta-nos Jayane parecia não haver luz para iluminar a missão de cuidar da filha, e lembrar desse período emociona, a faz voltar a um passado de lutas onde a estrada não tinha pavimento, apenas obstáculos.
“Quando eu descobri o diagnóstico dela fiquei muito abalada. Na minha mente eu ia ser abandonada pelo meu esposo e ficava perguntando, meu Deus, o que eu vou fazer agora? Ficava a interrogação: Como é que eu vou fazer? Aí larguei tudo para cuidar dela. Com o tempo, através da Prefeitura, conseguimos chegar até aqui. Fomos para o Centro de Referência da Inclusão e de lá fomos encaminhadas para cá. Foi uma coisa maravilhosa, porque aqui nos apoiam de tudo”, contou com alegria.
Telma Maria Alves é avó de Davi Lukas e conta cheia de entusiasmo como é ter o Centro Dia como referência. “A gente deixa as crianças aqui, sai para resolver as coisas, e eles têm o maior cuidado. No início a gente levou muita porta na cara, levou muito não, e quando conseguimos aqui foi maravilhoso. O ônibus pega a gente na porta e leva para os atendimentos. Esse suporte para a gente é essencial, é maravilhoso, porque a gente andar de carro por aplicativo com essas crianças é humilhante, e ter esse ônibus faz toda a diferença”, falou.


A afirmação da importância encontrada no Centro Dia é confirmada por Vanderleia Florentino da Silva, avó de Nicole. E ela vai além. Para Vanderleia, sem o amparo da instituição, talvez a neta, que ela considera uma filha, nem estaria viva.
“A gente ouvia muito as pessoas falarem que essas crianças não iam passar dos dois anos. Depois vieram os comentários que muitas crianças na faixa etária de três anos estavam morrendo. E realmente morreram várias. Essas crianças são muito fragilizadas, e que a gente precisa muito apoio desse apoio. Sem essa casa aqui, a nossa vida seria realmente… talvez nem tivéssemos nossas crianças, porque não ia ter assistência nem médica e nem das terapias”, resumiu.


Psicologia para saúde integral – No Centro Dia da Criança com Microcefalia, a psicóloga desempenha um papel fundamental. “Trabalhamos a família toda, tanto a mãe, o pai, se existir, e os familiares também que convivem com essa criança. Fazemos as escutas, quando necessário, porque vem muita demanda por tudo que elas já viveram e vivem até hoje. Quando percebemos que existe algo mais delicado para se trabalhar, encaminhamos para os serviços apropriados. Também fazemos muitas visitas para monitorar as vidas dessas crianças em serviços que fazem a terapia, em escolas onde elas estudam”, relatou Eliane Maciel, psicóloga do Centro Dia.



A assistência social é outra área extremamente necessária. “Nossa missão aqui é basicamente o que falou Eliane, com algumas pontuações próprias da profissão, tipo os atendimentos para o serviço social, as orientações sociais, os encaminhamentos para a rede, as escutas, as visitas, tudo isso é instrumental da profissão do serviço social. O acompanhamento das famílias, a acolhida para esclarecer o diagnóstico, todas as necessidades básicas que a gestão ou o serviço possa ver para favorecer na melhoria e qualidade de vida”, esclareceu a assistente social Cecília Maria Lopes.

Porque por trás de cada diagnóstico, como nos fez enxergar Larícia, coordenadora do Centro Dia, existe uma criança cheia de vida, e quando ela recebe cuidado, respeito e amor, o futuro deixa de ser limite e passa a ser esperança.
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