


Somente da variedade de milho verde a partir da raça crioula foram nove ciclos de seleção recorrente, o que aperfeiçoou o tamanho e a palatabilidade do vegetal. “A base genética é o milho crioulo, que tem grãos menores e coloridos”, conta. Visivelmente, o milho melhorado geneticamente em laboratório teve mudanças: para chegar no resultado, os pesquisadores colhem, observam as melhores espigas e retornam com as selecionadas para entrecruzarem no campo novamente. “Veja como a espiga mudou bastante. Isso é o efeito da seleção recorrente”, aponta Matiello para as espigas.


O trabalho que realizou, juntamente com alunos e professores do Grupo de Melhoramento Genético da UEPG, chegou em um milho verde com potencial comercial. “É uma inovação tecnológica. Avaliamos cerca de 150 a 180 diferentes progêneses [que identifica linhagens superiores, focando em produtividade] de uma população. Dessas, faço a etapa de avaliação, e aí eu seleciono quais são as melhores. Essas selecionadas eu reduzo lá para 20%, 30% no máximo daquelas espigas”. Segundo Matiello, uma espiga considerada de qualidade tem 15 cm de cumprimento e 3 cm de diâmetro.



Milho superdoce
Além do milho verde, os pesquisadores também trabalham com duas variedades de milhos doces, um deles superdoce, que está no terceiro ciclo de seleção recorrente. Os resultados já estão visíveis e palatáveis. “O milho superdoce tem uma baixíssima concentração de amido, pois esta mutação impede a conversão do açúcar em amido”, descreve o pesquisador. Os milhos superdoces têm cerca de oito vezes mais teor de açúcar que o milho comum. “Geralmente, consumimos milhos doces enlatados, mas este aqui é muito mais saboroso e pode ser consumido in natura“, informa. Este VPA ainda terá mais ciclos de melhoramento, apesar de estar mais bonito e maior, comparado ao milho convencional, encontrado nos supermercados. “Você encontra os milhos que são vendidos e estão sem cor e não têm um sabor muito bom, mas estes aqui são extremamente saborosos e dão uma sensação de saciedade muito mais rápido”.


A partir de agora

Capacidade produtiva

Em um esquema de agricultura familiar, o produtor ainda pode utilizar o que sobra para alimentar os animais, produzir sua própria semente e utilizar a palha para o solo. “Então, tem uma grande vantagem. Primeiro que você tá produzindo uma coisa de de qualidade, com um sabor muito diferente e, além disso, você tem um produto adaptado a essas condições de campo de pequena propriedade”, conta. “Feliz com o “trabalho da vida”, como classifica, Matiello ainda não tem o nome comercial dos milhos, mas adianta que pensa em algo que remeta à Universidade. “É um trabalho de muitos anos, do qual tenho orgulho”.
Texto: Jéssica Natal | Fotos: Jéssica Natal e Aline Jasper








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