
A Universidade Estadual de Alagoas (Uneal) realizou, neste sábado (18), a aula inaugural da pós-graduação lato sensu em Gestão Escolar e Educação Inclusiva dos Povos Indígenas. Os cursos contam com a participação de 174 alunos e dão continuidade ao trabalho histórico de 2025, quando a instituição realizou a maior colação de grau da história do Brasil através do curso de Licenciatura Intercultural Indígena, o CLIND.
O início das aulas ocorreu às vésperas deste domingo, 19 de abril, data em que se celebra o Dia dos Povos Indígenas. Entre as professoras formadas naquela turma histórica está Viviane Pirigipe Rosendo, que agora ingressa na especialização como aluna.
Durante a aula inaugural, o coordenador da UAB/Uneal, Nalfran Modesto Benvinda, apresentou a estrutura do curso e detalhou os módulos da formação. “O vínculo com as comunidades indígenas é construído todos os dias. A gente trabalha para que cada etnia tenha condições de desenvolver seu próprio caminho, com autonomia e identidade”, afirmou.
Para Viviane Pirigigi Roseiro, da etnia Kariri-Xocó, o acesso à pós-graduação marca um novo momento. “Quando a formação respeita nossos costumes, a gente consegue preservar a cultura e, ao mesmo tempo, preparar pessoas da própria comunidade para assumir a educação”, disse.

A mesma leitura é compartilhada por Ervison Wyrakitã, superintendente de Políticas Públicas para os Povos Originários da SEDH-AL. “O indígena precisa produzir conhecimento e falar por si. Esse tipo de formação ajuda a construir um ensino que dialoga com a realidade das aldeias”, destacou.O reitor em exercício, Anderson Barros, afirmou que a universidade amplia sua atuação ao caminhar junto às comunidades. “A Uneal não pode ser um espaço distante. Quando esses professores retornam para a especialização, mostram que o ensino em Alagoas começa a ter outros protagonistas”, declarou.
Com carga horária de 420 horas e formato híbrido, o curso amplia o espaço de decisão dos povos indígenas sobre a própria formação escolar e consolida a atuação da Uneal na educação intercultural.
Ao oferecer essa especialização, a Uneal coloca o conhecimento acadêmico à disposição de quem trabalha na ponta, unindo a qualificação profissional ao reconhecimento das raízes de Alagoas neste período de celebração e luta para os povos originários.

A solenidade foi conduzida pelo coordenador do NEAD/UAB, Nalfran Modesto Benvinda, e contou com a participação do reitor em exercício da Uneal, Anderson Barros. Também participaram o coordenador de Gestão Escolar, Vicente Guimarães, e a coordenadora de Educação Inclusiva, Graciele Faustino, além de Iraci Nobre, coordenadora do Clind, e o superintendente de Políticas para os Povos Originários, Ervison Wyrakitã. Representando a ministra Luciana Barbosa de Oliveira Santos, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, participou o analista Ricardo Neves Romcy Pereira.
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