
Diante do avanço alarmante da chikungunya em Dourados, o vereador Rogério Yuri (PSDB) cobrou uma atuação específica e imediata do Governo Federal para conter a crise sanitária, com atenção especial à Reserva Indígena, onde foram registradas todas as mortes provocadas pela doença no município. Na última Sessão Ordinária da Câmara Municipal, realizada na segunda-feira (6), o parlamentar defendeu a edição de um decreto federal exclusivo para as aldeias, que considere as particularidades dessas comunidades e permita a adoção de medidas mais eficazes, com reforço de recursos, ampliação da assistência em saúde e ações emergenciais direcionadas.
A situação é considerada crítica. Dados da Secretaria Municipal de Saúde apontam 2.680 casos prováveis, 1.387 confirmados, taxa de positividade de 74,9% e cinco óbitos, todos de indígenas. Outros dois casos de morte ainda estão sob investigação, também na Reserva. O cenário levou o município a decretar situação de emergência em saúde pública, em publicação extraordinária no Diário Oficial durante o feriado da Sexta-Feira Santa, após avaliação de risco alto feita pelo Cievs.
Para Rogério Yuri, a medida municipal escancara a gravidade da situação, mas não resolve o problema central. Segundo ele, é urgente que o Governo Federal assuma sua responsabilidade direta sobre a área indígena. “Não é mais aceitável empurrar essa situação. A aldeia é responsabilidade da União. É preciso um decreto federal específico, com dinheiro de verdade e ações concretas acontecendo lá dentro”, disparou.
O vereador enfatiza que a decretação de estado de calamidade pública nas aldeias é essencial para salvar vidas. Com essa medida, seria possível acelerar contratações, dispensar licitações, garantir envio imediato de recursos, reforçar equipes de saúde e ampliar o combate ao mosquito transmissor, além de estruturar atendimento emergencial nas comunidades mais afetadas.
Em tom de indignação, Yuri fez críticas contundentes à falta de avanços históricos nas políticas públicas voltadas aos povos indígenas. “Não é para fazer obra de fachada. Não é quadra coberta, não é discurso. É saúde, é dignidade, é estrutura básica. Em mais de 26 anos na política, eu não vi mudanças reais para os indígenas”, afirmou.
O parlamentar também questionou a ausência de uma mobilização mais forte da bancada federal. “Cadê os deputados federais? Cadê os recursos? Será que vamos esperar mais mortes para que alguém tome uma atitude?”, provocou.
Mesmo com ações emergenciais já em andamento — como o reforço de equipes com 50 agentes de endemias, 40 militares e apoio da Força Nacional do SUS —, o cenário ainda é instável e preocupante. As medidas incluem visitas domiciliares, campanhas de conscientização e alertas bilíngues em português e guarani, mas ainda não são suficientes diante da velocidade de propagação da doença.
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