
A SP House, hub de negócios e tecnologia do Governo de São Paulo no South by Southwest (SXSW), maior evento de inovação do mundo, recebeu na sexta-feira (13) um debate sobre o papel da inovação para salvar vidas em eventos climáticos extremos. O painel São Paulo in action: Innovating to save lives in a climate emergency (“São Paulo em ação: inovando para salvar vidas em uma emergência climática”) reuniu a major Tatiana Rocha, da Defesa Civil de São Paulo, Tatiana Monteiro de Barros e Marcella Monteiro de Barros Coelho, ambas do movimento União BR.
“As inovações precisam ser diárias e muito rápidas”, afirmou a major ao comentar os desafios impostos pelos eventos climáticos extremos. Segundo ela, como o clima se forma ao longo de muitos anos, é dever do poder público reduzir vulnerabilidades e garantir que a população receba alertas de forma rápida e precisa para se manter em segurança, como tem acontecido em São Paulo com o sistema cell broadcast.
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A major destacou que o trabalho da Defesa Civil de SP se apoia no uso de tecnologia e na integração de diferentes bases de dados para apoiar a tomada de decisão em situações de emergência. Informações de pluviômetros, radares meteorológicos e sistemas operados por universidades são reunidas e analisadas para orientar as ações dos gestores. De acordo com ela, a compilação desses dados com o apoio da inteligência artificial amplia a capacidade de prever eventos climáticos e permite respostas mais rápidas e assertivas.
Tatiana Rocha também ressaltou a importância do intercâmbio internacional para aprimorar estratégias de prevenção e resposta a desastres. Segundo ela, experiências observadas em outros países têm sido incorporadas ao trabalho desenvolvido no estado. Um exemplo citado foi a criação da sala São Paulo Sem Fogo, estrutura dedicada ao monitoramento de condições favoráveis a incêndios ambientais. O sistema acompanha, em tempo real, indícios que podem indicar a ocorrência de focos de incêndio e auxilia na definição de estratégias de combate mais eficazes.
A major também relatou o aprendizado adquirido de um episódio ocorrido em Valência, na Espanha, que resultou em mais de 200 mortes após a elevação do nível de rios que atravessam a cidade, mesmo sem chuva direta no município. A partir desse tipo de experiência, explicou, o Estado de São Paulo reforçou iniciativas como o monitoramento por telemetria de rios e a ampliação de sistemas de sirenes em áreas de risco, com foco na melhoria dos mecanismos de alerta.
Para a representante da Defesa Civil, cada situação de crise precisa gerar aprendizado para fortalecer a preparação diante de novos eventos. Nesse contexto, ela destacou a importância de ampliar a resiliência nos municípios, que são os locais onde os desastres acontecem e onde vivem as populações afetadas. Ela explicou que essa preparação envolve as cinco fases da atuação da Defesa Civil: prevenção, preparação, monitoramento e alerta, resposta e recuperação.
Entre as ações citadas estão o mapeamento de áreas de risco, atividades educativas em escolas para orientar crianças sobre como agir em situações de desastre e a expansão de sistemas de alerta, como o envio de mensagens e a instalação de sirenes em regiões vulneráveis.
“A cada evento precisamos aprender e estar mais preparados para o próximo”, afirmou. De acordo com ela, quanto mais rápida for a atuação para fortalecer a resiliência das comunidades, maior será a capacidade da própria população de proteger vidas e reduzir impactos provocados por eventos climáticos extremos.
Esta é a terceira participação da SP House no SXSW, evento realizado em Austin, nos Estados Unidos, entre esta sexta (13) e segunda-feira (16). O espaço do Governo de São Paulo no festival ocupa 2,2 mil m², quase o dobro da edição anterior, com a expectativa de receber até 600 pessoas simultaneamente.
Serão cerca de 60 horas de conteúdo, distribuídas entre dois palcos principais, além de encontros institucionais, apresentações corporativas e discussões sobre negócios e parcerias internacionais.
Com o tema “We are borderless”, a edição deste ano propõe refletir sobre a circulação de ideias, talentos e oportunidades em um cenário cada vez mais conectado. A SP House funciona como um espaço de encontros e trocas entre empreendedores, executivos, investidores, pesquisadores, gestores públicos e criadores.
Veja a programação completa aqui .
*Enviada especial ao SXSW, em Austin (EUA)
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