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Justiça Violência Doméstica

Bahia registra 9,8 mil casos e lidera violência doméstica no Brasil, aponta levantamento inédito.

Dados divulgados pela plataforma Escavador, referência jurídica no Brasil, mostram predominância do Norte e Nordeste na abertura dos processos.

08/03/2026 às 21h04
Por: Fábio Costa Pinto Fonte: Glaucia Pinheiro / @criativospr.
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Imagem Ilustrativa / Assessoria.
Imagem Ilustrativa / Assessoria.

Em meio à preparação para o Dia Internacional da Mulher, 8 de março, a plataforma Escavador divulgou nesta quinta-feira, 5, dados referentes à violência doméstica contra a mulher no Brasil. Segundo a amostragem, cerca de 55 mil processos foram instaurados ao longo de 2025, com destaque para a região Nordeste, que acumulou 24 mil ações, e o Norte do país, com 12 mil processos.

No detalhamento por região, o Escavador identificou 10 mil processos no Sudeste, seguido por 7 mil no Centro-Oeste e 788 processos no Sul. Já entre os estados, a Bahia liderou o ranking, com 9,8 mil processos. Tocantins aparece em segundo lugar, com 8,6 mil casos, seguido pelo Espírito Santo (5,7 mil), Distrito Federal (4,3 mil) e Ceará (3,7 mil).

A população feminina no Brasil, que representa 104 milhões de mulheres segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), continua enfrentando barreiras e vulnerabilidades diárias. Para se ter uma noção, a análise dos últimos 12 meses do Escavador mostra uma média de 151 processos por dia relacionados à violência doméstica, entre os meses de janeiro a dezembro de 2025.

Segundo Dalila Pinheiro, Senior Legal Analyst e DPO da plataforma Escavador, a análise detalhada dos processos permite antecipar tendências preocupantes. A especialista ressalta que, com os dados organizados por estado e região, é possível orientar políticas públicas, concentrando esforços onde a vulnerabilidade feminina é maior, sobretudo em locais com maior incidência de denúncias.

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“Os números mostram que a violência doméstica não está distribuída de forma homogênea pelo país. A Bahia concentra uma quantidade alarmante de casos, maior do que a soma de todos os processos das regiões Sul e Norte. Isso evidencia desigualdades estruturais e aponta para a necessidade de políticas públicas mais direcionadas, que considerem não apenas a incidência, mas também fatores socioeconômicos e culturais que ampliam a vulnerabilidade das mulheres em certas regiões”, explica Dalila.

Ao longo de 2025, a abertura de processos apresentou oscilações mensais significativas. Nos primeiros meses, a tendência foi de leve queda: em fevereiro foram registrados cerca de 4,3 mil processos, 9% a menos que os 4,7 mil de janeiro. Já no segundo trimestre, a curva se inverteu, com crescimento de 4% em abril (5,1 mil) e 3% em maio (5,2 mil), indicando um aumento no número de denúncias.

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No segundo semestre, os números se mantiveram elevados, com pico em setembro (5,4 mil), seguido por recuos graduais em outubro (4,5 mil) e novembro (4,1 mil), com fechamento do ano em dezembro (3,7 mil), cerca de 31% abaixo do pico. Dalila explica que as oscilações revelam que a ‘violência doméstica contra a mulher’ não ocorre de forma uniforme ao longo do ano, reforçando a necessidade de assistência direcionada para prevenção e apoio às vítimas.

“Os padrões observados ao longo do ano revelam que a violência doméstica não segue um ritmo uniforme: há meses com aumento expressivo de denúncias e outros com retração, mas mesmo nas quedas os números permanecem elevados. Isso indica que a vulnerabilidade das mulheres não desaparece em períodos de menor registro. A partir dessa análise, fica evidente que estratégias de prevenção precisam ser contínuas, adaptadas a cada realidade regional, e que campanhas educativas e políticas públicas devem ser reforçadas especialmente nos estados e períodos de maior incidência, para reduzir desigualdades e oferecer proteção efetiva às vítimas”, comenta a analista.

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Referência nacional em dados jurídicos no país, o Escavador reúne mais de 600 fontes oficiais no cruzamento de informações, auxiliando mulheres a consultarem o histórico processual de possíveis parceiros. Para Dalila, esse recurso representa um apoio importante na prevenção e na identificação de agressores, desempenhando um papel social na luta contra a violência doméstica em todas as regiões do Brasil. “Informação também é um método preventivo na luta contra a violência doméstica. Quando as mulheres têm acesso a dados, elas ganham mais uma ferramenta para tomar decisões seguras e guiá-las nessa batalha”, conclui. 

Confira a lista de processos por ‘violência doméstica contra a mulher 2025’:

  • Bahia (BA) – 9.819

  •  Tocantins (TO) – 8.627

  •  Espírito Santo (ES) – 5.744

  •  Distrito Federal (DF) – 4.331

  •  Ceará (CE) – 3.768

  •  Alagoas (AL) – 3.741

  •  Rio de Janeiro (RJ) – 3.588

  •  Sergipe (SE) – 3.104

  •  Pará (PA) – 2.755

  •  Goiás (GO) – 2.592

  •  Pernambuco (PE) – 2.056

  •  Minas Gerais (MG) – 1.557

  •  Paraíba (PB) – 780

  •  Paraná (PR) – 746

  •  Maranhão (MA) – 502

  •  Rio Grande do Norte (RN) – 376

  •  Mato Grosso (MT) – 304

  •  Amazonas (AM) – 299

  •  Roraima (RR) – 167

  •  Piauí (PI) – 157

  •  Rondônia (RO) – 130

  •  Acre (AC) – 72

  •  Amapá (AP) – 41

  •  São Paulo (SP) – 37

  •  Santa Catarina (SC) – 32

  •  Mato Grosso do Sul (MS) – 24

  •  Rio Grande do Sul (RS) – 10

Distribuição por região:

  • Nordeste – 24 mil

  •  Norte – 12 mil

  •  Sudeste – 10 mil

  •  Centro-Oeste – 7 mil

  •  Sul – 788

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