
A forma como lidamos com as nossas emoções pode muitas vezes impactar diretamente a nossa saúde física e mental. A fome emocional, diferente da fome física, está relacionada a um impulso de comer que pode ser gerado por situações que tirem o equilíbrio, como o estresse e a ansiedade. Para evitar situações de compulsão, a nutricionista da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), Janine Mendonça, alerta aos sinais mais comuns que podem indicar descontrole alimentar.
Janine Mendonça destaca que o início do ano costuma trazer expectativas, cobranças e mudanças de rotina e pode acabar sendo gatilhos para o desenvolvimento de estresse emocional. “Metas irreais, comparações, pressão estética, retorno à rotina e restrições alimentares excessivas aumentam o estresse emocional. A comida acaba sendo utilizada como uma forma rápida de alívio, criando ciclos de compulsão e frustração”, enfatizou.
De acordo com a nutricionista, os sentimentos mais comuns que podem provocar descontrole alimentar são ansiedade, estresse crônico, tristeza, solidão e cansaço físico e mental. “Noites mal dormidas e dietas muito restritivas também aumentam significativamente a chance de episódios de descontrole alimentar”, pontuou.
A profissional alerta que não é saudável associar comida como alívio para os problemas emocionais ou recompensas. Ela explica que a fome emocional é impulsiva e não respeita os sinais de saciedade. “A alimentação também envolve afeto, prazer e cultura. O problema não é encontrar conforto na comida ocasionalmente, mas sim quando ela se torna a principal estratégia para lidar com emoções difíceis, substituindo outras formas mais saudáveis de cuidado emocional”, explicou.
Janine Mendonça chama atenção, também, para transtornos alimentares que podem surgir mesmo sem obsessão por emagrecer. “Transtornos alimentares estão muito mais ligados à saúde emocional do que apenas ao peso. Eles podem se manifestar por meio de compulsão alimentar, culpa excessiva, comer escondido ou relação conflituosa com a comida. Cuidar da mente é cuidar do corpo”, ressalta.
Consciente dos gatilhos, a nutricionista pontua que para reduzir a fome emocional recomenda-se manter refeições regulares, evitando restrições e muitas horas de jejum. “Se alimente com atenção. É fundamental desenvolver consciência emocional e buscar outras formas de lidar com sentimentos, como ambiente agradável, música, companhia, atividade física, respiração, descanso e diálogo”, aconselhou.
Janine Mendonça ressalta que em casos em que a fome emocional evolua para transtorno alimentar o recomendado é buscar ajuda multiprofissional. “O primeiro passo é procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS). Nela, é possível receber acompanhamento com médico, nutricionista e psicólogo, além de orientações iniciais e encaminhamentos, se necessário. Em situações de maior sofrimento emocional ou transtornos mentais, a UBS pode encaminhar para os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), que oferecem atendimento especializado e contínuo”, orientou.
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