
O município de Marabá realizou em 2025 os seis ciclos do Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (LIRAa), ferramenta utilizada pelo Ministério da Saúde para monitorar a infestação do mosquito transmissor da dengue, zika e chikungunya. O último levantamento apontou que a cidade permanece em médio risco, em estado de alerta para a proliferação do vetor.
De acordo com o coordenador de Endemias do município, Bruno Anchieta, apesar da infestação elevada em alguns períodos do ano, Marabá não registrou surto ou epidemia de dengue em 2025. “Conseguimos realizar os seis ciclos do LIRAa e avaliar que, devido ao período chuvoso, os meses de janeiro a setembro apresentaram maior infestação do Aedes aegypti. Mesmo assim, não tivemos nenhum surto no município”, destacou.


Ao longo do ano, foram registrados aproximadamente 160 casos de dengue e um óbito. Segundo o coordenador, todas as ocorrências foram acompanhadas e controladas de forma imediata pela rede de saúde. “Os casos foram solucionados tanto nas unidades básicas quanto no hospital, o que evita a caracterização de surto”, explicou.
Entenda o LIRAa?
O LIRAa é um levantamento amostral realizado periodicamente em áreas urbanas para identificar a presença de larvas do mosquito Aedes aegypti. A partir desse levantamento, o sistema classifica cada localidade em baixo, médio ou alto risco de infestação, permitindo que o município direcione as ações de combate ao mosquito de forma mais eficaz.
Durante o levantamento, os agentes de endemias visitam cinco imóveis por quarteirão, de forma aleatória, em um período médio de uma semana. “É um levantamento rápido, diferente da visita de rotina. As larvas encontradas são levadas ao laboratório de entomologia, onde fazemos a identificação para saber se são do Aedes aegypti ou do Aedes albopictus”, explicou Bruno Anchieta.
Com base nos resultados, o próprio sistema calcula o índice de infestação e gera um mapa de risco, que orienta as ações da Vigilância em Saúde.



A partir dos dados do LIRAa, a equipe de Endemias realiza o chamado bloqueio vetorial nas áreas classificadas com maior risco. Essa ação inclui visitas mais detalhadas aos imóveis, eliminação de depósitos com água parada, orientação aos moradores e, quando necessário, aplicação de larvicidas em locais de difícil acesso.
“O levantamento nos permite identificar exatamente onde estão as maiores necessidades do município. Assim, conseguimos atuar de forma estratégica, concentrando esforços nas áreas mais críticas”, ressaltou o coordenador.
Áreas de maior alerta
No último ciclo do LIRAa, o núcleo São Félix foi identificado como a localidade com maior potencial de risco dentro da classificação de médio risco. Já o bairro Araguaia e as folhas 10 e 11 apareceram com índices considerados de baixo risco.
Com a aproximação do período chuvoso, a Vigilância em Saúde já se prepara para iniciar o primeiro ciclo do LIRAa de 2026 no fim de janeiro. “Com o novo levantamento, vamos entender novamente como está a infestação do Aedes aegypti no município e reforçar as ações necessárias”, concluiu Bruno Anchieta.






Texto: Osvaldo Henriques
Fotos: Arquivo
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