
Agência Assembleia/ Foto: JR Lisboa
O programa ‘Café com Notícias’ desta sexta-feira (5), na TV Assembleia, recebeu o cardiologista Tácio Danilo Pavão, membro titular da Sociedade Brasileira de Cardiologia, para analisar o aumento de eventos cardiovasculares registrados no país. Dados apontam crescimento de 150% nos casos de infarto agudo do miocárdio, incluindo episódios de morte súbita em jovens.
Segundo o cardiologista, compreender o conceito de morte súbita é essencial para interpretar a gravidade do momento. “É um evento fatal que acomete um indivíduo sem doença previamente conhecida, ocorrendo até uma hora após o início do sintoma, geralmente por causa cardiovascular. É um acontecimento abrupto, inesperado e de difícil previsão”, explicou.
O especialista exemplificou que, quando um atleta sente um mal-estar súbito, evolui para parada cardiorrespiratória e vem a óbito em poucos minutos, é um quadro clássico de morte súbita. “Situações como essa ilustram bem o impacto de um evento que se desenvolve sem aviso prévio e está cada vez mais comum”, acrescentou.
O médico também destacou o aumento de episódios envolvendo profissionais do esporte. “Eles podem apresentar morte súbita não apenas por doenças cardíacas ocultas, mas também por desequilíbrios hidroeletrolíticos. A perda excessiva de eletrólitos pela transpiração e a reposição inadequada durante provas longas formam uma combinação perigosa”.
Tácio Pavão reforçou que a orientação técnica adequada é indispensável, especialmente em atividades de alta exigência física. “Alguns atletas chegam a ser orientados a reduzir o ritmo de treino. Esse processo de descondicionamento é difícil, pois envolve não apenas saúde, mas identidade e carreira”, comentou.
Fatores de risco
O cardiologista também abordou os fatores de risco mais comuns na população, especialmente hipertensão arterial e colesterol elevado. “Ambos estão aparecendo cada vez mais cedo. Se um adolescente desenvolve hipertensão e permanece sem tratamento por 10 ou 20 anos, chega aos 30 já acumulando longa exposição ao risco”.
Sobre o colesterol, o especialista chamou atenção para a dificuldade de adesão ao tratamento. “A dislipidemia não causa sintomas e isso faz com que muitos negligenciem o diagnóstico. Quando o LDL passa de 200, o risco de formação de placas é alto e o uso de estatinas se torna indispensável”, ressaltou.
Ao falar de prevenção, o médico reforçou o papel do estilo de vida. “Hábitos saudáveis podem retardar ou até evitar o aparecimento da hipertensão, sobretudo em pessoas com predisposição genética. O controle do peso corporal também é decisivo. A obesidade aumenta a pressão, afeta os níveis de colesterol e contribui para o desenvolvimento do diabetes”.
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