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Cultura FLICACAU

JUVENTUDES MARCA PRESENÇA HISTÓRICA NA FLICACAU.

Programação marcada por troca, diversidade e reflexão reúne autores, comunicadores e lideranças indígenas em Itabuna.

29/11/2025 às 19h53 Atualizada em 29/11/2025 às 20h21
Por: Fábio Costa Pinto Fonte: Seneh Comunicação & Projetos.
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Fotos: Divulgação - Pedro Augusto/ Secom Itabuna.
Fotos: Divulgação - Pedro Augusto/ Secom Itabuna.

O segundo dia da Flicacau, nesta sexta-feira (28), no Centro de Cultura Adonias Filho, em Itabuna, no Sul da Bahia, consolida o Espaço Estação Juventudes como um dos ambientes mais vibrantes da Festa Literária da Região Cacaueira. Debates sobre literatura, comunicação, território e novas formas de imaginar o futuro reuniram públicos diversos ao longo de toda a manhã e tarde, em encontros conduzidos por autores que dialogam com a experiência jovem.

A programação começou às 9h, com o bate-papo “Suspense Verde: o futuro da vida em jogo”, com Raphael Montes e mediação de Marina Maria, discutindo como a ficção pode tensionar debates ambientais e despertar atenção para riscos, escolhas políticas e caminhos possíveis diante da crise climática.

Às 11h, o encontro “O que plantam as palavras?”, com Camila Apresentação e Deco Lipe, e mediação de Rafael Gama, trouxe ao centro a potência criativa das juventudes, a relação entre linguagem e pertencimento e o uso das plataformas digitais como espaços de criação e aproximação.

LINGUAGEM COMO PONTE.

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Camila Apresentação destacou que o desafio de construir diálogo real com o público a fez repensar sua própria forma de comunicar. Segundo ela, insistir apenas na literatura escrita limitava o alcance das conversas. “Percebi que eu estava falando para um público específico. Nem todo mundo lê livros e, daquele jeito, eu não estava falando com as pessoas negras que eram o meu foco. A linguagem estava criando uma distância”.

A autora relatou que encontrou um caminho ao conectar temas do cotidiano, como música, internet, cultura pop, a discussões profundas sobre identidade e experiência negra. “Comecei a falar das coisas que eu gostava de uma forma que qualquer pessoa do meu bairro pudesse entender. A principal forma de me conectar com as pessoas era pela linguagem. Ela precisa aproximar, não separar.”

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Deco Lipe, por sua vez, ressaltou que sua entrada na literatura veio da percepção de que muitos espaços não dialogavam com perfis como o seu, de jovens LGBTQIAPN+ e leitores de fora dos grandes centros. “Chego na literatura por não enxergar esses espaços. Quando começo a publicar, percebo que trazer uma perspectiva infantil e LGBT abre um olhar que quase nunca aparece nos circuitos tradicionais”, disse.

Ele enfatizou ainda o papel da internet para quem produz literatura jovem e descentralizada: “Busco muito o que está acontecendo nas redes. Isso vira matéria para a minha escrita e para as curadorias. A Bahia tem um arcabouço enorme de autores e territórios esquecidos. Quando colocamos esses lugares como protagonistas, mostramos uma Bahia que escreve e constrói literatura.”

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FUTUROS, TERRITÓRIO E COSMOVISÕES INDÍGENAS.

Às 14h, o debate “Utopia originária: a necessidade de novos paradigmas”, com Glicéria Tupinambá e Ezequiel Vitor Tuxá, sob mediação de Randra Kevelyn, trouxe uma das reflexões mais potentes do dia, apontando para a urgência de novos modos de imaginar o mundo.

Ezequiel Tuxá destacou a diferença fundamental entre a literatura dos povos originários e a produção literária dominante. “A literatura indígena sempre vai falar sobre a Terra. Ela reage ao ambiente. Por muito tempo, outros escreveram sobre nós. Agora escrevemos para mostrar quem somos e como pensamos o Brasil”.
Ele reforçou que essas narrativas provocam deslocamentos importantes. “A literatura faz refletir e mudar o pensamento. Para nós, o bem-estar é coletivo. Se a água, o solo, o vento não vivem bem, ninguém vive bem. A reflexão indígena ensina isso”. 

Artista plástica e filha da Serra do Padeiro, nos limites entre Ilhéus e Buerarema, Glicéria Tupinambá reforçou o valor das narrativas ancestrais para a compreensão do mundo contemporâneo. “Nossas histórias fazem sentido dentro de nossas cosmovisões, que são diversas e têm especificidades próprias”, afirmou, lembrando que esses saberes seguem vivos, apesar de séculos de silenciamento.

COSTURANDO NOVOS FUTUROS.

Fechando o dia, às 16h, o bate-papo “Juventude em verde e prosa”, com Isabela Freitas e mediação de Erik Sales, Raianne Farias e Jorge Almeida, reuniu o público para discutir criação, redes sociais, experiências geracionais e os desafios de produzir conteúdo e literatura num tempo marcado por sobrecarga, urgência e desejo de transformação.

O Espaço Juventudes se firmou, assim, como um território de encontro, escuta e experimentação, reafirmando o compromisso da Flicacau com a formação de novos leitores, autores e produtores culturais.

COLETIVOS E EDITORAS.

Com o tema Verde que te quero livro: contando a história da mata que nos sustenta, a Festa Literária da Região Cacaueira também é um espaço de colaboração com os coletivos e editoras independentes que fazem a literatura produzida na Bahia viajar Brasil afora: Editora Tertúlias, Editora Teatro Popular de Ilhéus, Editora Via Litterarum, Vixe Bahia Literária e Editora Mondrongo.

Nesta sexta-feira , 28, além do público em geral, o Centro de Cultura Adonias Filho também recebeu um forte público estudantil: cerca de 640 alunos das redes municipal e privada acompanharam as atividades do Espaço Juventudes ao longo dos turnos da manhã, tarde e noite. 

Participaram estudantes das escolas Vila Anália, Maria Rosa, Instituto Teosópolis, Professora Maria Creuza Pereira da Silva, Lourival Oliveira Soares, Eduardo Fonseca – Sítio II, Frederico Smith Lima, Charlotte Petri, Gabino Kruschewsky, Conjunto Cachoeira e Flávio José Simões Costa, que circularam pelos debates, ocuparam as mesas e deram o tom dinâmico do segundo dia da programação.

A Festa tem parceria com a Associação de Agentes Ambientais e Catadores de Materiais Reutilizáveis e Recicláveis de Itabuna AACRRI, para a coleta seletiva ao evento.
Programação completa disponível no Instagram (@flicacau).

A Flicacau tem patrocínio do Governo do Estado. É contemplada também pelo Projeto Bahia Literária, iniciativa da Fundação Pedro Calmon FPC, unidade vinculada à Secretaria de Cultura SecultBA e da Secretaria Estadual de Educação SEC. Conta com o apoio da Prefeitura de Itabuna, por meio da Secretaria Municipal da Educação SEDUC e da Fundação Itabunense de Cultura e Cidadania FICC. A realização é da Seneh Comunicação & Projetos.

Assessor de Imprensa: Pedro Afonso Caires e Silva 

Fábio Costa Pinto - Jornalista / Divulgção.

 

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Bahia - Terra da Felicidade.
Bahia - Terra da Felicidade.
Sobre Batizada por Caymmi como terra da felicidade, a Bahia é de todos os santos, é de todos nós. Mais laico dos estados brasileiros, Oxalá ou Senhor do Bonfim. E Salvador, sua capital, não é só praia, tem o Pelourinho, o Farol da Barra, o Elevador Lacerda, o Mercado Modelo, e as “365 Igreja, que a Bahia tem”. Terra onde negros, brancos e mulatos se misturam na maior festa popular do planeta, o Carnaval, “atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu”. Vem para Bahia você Também!
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