
No último fim de semana, no sábado (23) e domingo (24), o Centro de Vitória se transformou em um grande palco da cultura popular capixaba com a realização do Projeto Patrimônio Vivo. O evento, que ocupou a Praça João Clímaco, ao lado do Palácio Anchieta, em Vitória, promoveu o encontro de 20 manifestações culturais do Espírito Santo, em uma programação gratuita marcada por apresentações artísticas, rodas de conversa, oficinas e intercâmbio entre mestres da tradição.
A iniciativa foi fruto da parceria entre o Governo do Estado, por meio da Secretaria da Cultura (Secult), e o Instituto Raízes, via chamamento público. Com investimento de R$ 702.7 mil por meio da Lei Complementar nº 195/2022 – Lei Paulo Gustavo (LPG), o projeto buscou valorizar e fortalecer a cultura popular, deixando como legado registros fotográficos, audiovisuais, inventários e um calendário que respeita o tempo e o território de cada festividade.
A programação começou no sábado (23) com credenciamento, boas-vindas e o debate-papo com tema “Sabedoria ancestral: a voz dos mestres do Espírito Santo”. À tarde, o público pôde prestigiar a apresentação do Baile de Congo de São Benedito de Conceição da Barra e o Ticumbi, seguidos de mais um debate-papo sobre a produção cultural das festas tradicionais. O ponto alto do dia foi a abertura oficial, com a Orquestra Sinfônica do Espírito Santo (Oses) em um concerto especial que contou com a participação do Caxambu Santa Cruz do Quilombo de Monte Alegre.
"Estivemos diante de um momento especial: um encontro histórico que reuniu mais de 20 grupos de todas as regiões do Espírito Santo. Cada grupo veio representado por diversos integrantes, o que garantiu uma troca rica, diversa e cheia de significado. Mestres e mestras da cultura popular tiveram a oportunidade de se reconhecer nas histórias e vivências uns dos outros. Ao longo do evento, o público pôde mergulhar em uma verdadeira celebração da nossa cultura, para conhecer, de perto, o que fez do Espírito Santo um território tão plural e cheio de saberes e vidas", destacou o secretário de Estado da Cultura, Fabrício Noronha.
No domingo (24), a programação começou cedo com as Rodas de Saberes simultâneas, que abordaram diferentes dimensões da cultura popular: corpo, mãos, sagrado e voz. Em seguida, aconteceu o debate sobre os desafios para a salvaguarda do Patrimônio Vivo, além da entrega de certificados. O encerramento foi marcado pela apresentação da Banda de Congo Amores da Lua e um cortejo que emocionou o público presente.
Para o presidente do Instituto Raízes, Victor Faria, o projeto representou mais do que dois dias de atividades culturais. “O Patrimônio Vivo foi um espaço de encontro, troca e aprendizado. Ver mestres e mestras da cultura popular compartilhando seus saberes e se reconhecendo uns nos outros mostrou a força e a importância de preservar nossa identidade. Foi um marco para a valorização da cultura capixaba”, disse.
Com a participação de pelo menos dez representantes de cada grupo, o evento garantiu diversidade e amplitude nas trocas. Mais do que apresentações, o Patrimônio Vivo alcançou o compromisso com a preservação dos saberes tradicionais como patrimônio imaterial, essencial para a memória coletiva e para as futuras gerações.
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