
O Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA) recebe a Residência Artística Coletiva Xiló: Mulheres que gravam histórias. O projeto une sete mulheres de diferentes trajetórias e territórios, com a proposta de dar visibilidade à presença feminina na xilogravura - um campo historicamente marcado por ausências e silenciamentos.
A partir da troca de processos criativos, o grupo mobiliza outras mulheres a se apropriarem da xilogravura como linguagem artística. Ao longo do mês de agosto mais de 60 mulheres participaram da residência para aprender e praticar técnicas de xilogravura, fortalecendo redes e abrindo caminhos para novas criadoras.
Formada por artistas que se conheceram nas oficinas de xilogravura realizadas no próprio MAM, a Coletiva Xiló transforma o espaço museológico em um campo de experiências artísticas e de diálogo. As integrantes participantes do projeto desenvolvem iniciativas que vão do universo visual às questões sociais. “Quando mostramos que é possível fazer arte de forma coletiva, acessível e juntas, a gente se fortalece, tanto como pessoas quanto como artistas”, diz Layla Matos, uma das participantes.
Além da produção artística, a Coletiva Xiló promove encontros internos nos quais cada integrante ensina uma técnica diferente das demais, e desenvolve atividades abertas ao público, como o Xiló_Lab: Mulheres que Gravam Histórias, oficina que combina a experimentação da xilogravura com debates sobre o trabalho feminino não remunerado e o artivismo. Essa ação já reuniu mais de 30 mulheres em trocas que unem aprendizado técnico, reflexão social e expressão artística.
O impacto da proposta vai além do campo artístico. “A residência é feita por mulheres e para mulheres. É um espaço de troca e fortalecimento, que traz novas perspectivas para nós, enquanto artistas, e para quem conhece nosso trabalho. Quando mostramos que é possível fazer arte de forma coletiva, acessível e juntas, a gente se fortalece, tanto como pessoas quanto como artistas”, afirmou Matos.
Para a professora e pesquisadora da comunicação e da cultura, Natacha Canesso, a residência tem contribuído com a investigação acadêmica, potencializando o aprendizado técnico. “Tem sido uma excelente oportunidade de compreender o tema que investigo, os processos criativos, na prática. Na residência, pela sua natureza de imersão e coletividade, meu repertório nas artes melhorou rapidamente, assim como minha capacidade de aplicação dos conhecimentos. Importante também destacar os aspectos subjetivos que emergem nos encontros e debates entre as mulheres e pautam nossos processos e nossas obras. O fazer coletivo é transformador”, ressaltou.
A programação da residência segue até meados setembro, quando será aberta a mostra Xiló_Lab, apresentando o resultado das criações coletivas. O mês também contará com oficina conduzida por Gal Meirelles, explorando elementos da jaqueira no processo criativo, e o evento de encerramento da temporada.
Mais do que um projeto artístico, a Coletiva Xiló se firma como espaço de produção de conhecimento, encontro de narrativas e fortalecimento de redes entre mulheres artistas. O “fazer xilogravura” se torna também um gesto político: criar juntas, compartilhar saberes e ocupar espaços como forma de resistir, transformar e contar histórias que precisam ser ouvidas.
Fonte: Ascom/FPC
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