
A 6ª Conferência Estadual dos Direitos da Pessoa Idosa teve sua abertura oficial nesta quinta-feira, 21, no auditório da Estácio Unimeta, em Rio Branco. Com o tema “Envelhecimento multicultural e democracia: urgência por equidade, direitos e participação”, o evento reforça o compromisso do governo do Acre com a valorização e o cuidado com os idosos.

Realizado pela Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos (SEASDH), em parceria com Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa Idosa (Cedi), o evento, que se estende até esta sexta, 22, tem objetivo de fomentar o diálogo e a construção coletiva de políticas públicas que garantam o envelhecimento com dignidade, autonomia e segurança.

Com a presença de delegações dos Conselhos Municipais da Pessoa Idosa dos 22 municípios acreanos, na cerimônia de abertura, a governadora em exercício do Acre e também titular da SEASDH, Mailza Assis, destacou o papel ativo dos idosos na sociedade e a importância de ouvir suas demandas com atenção e respeito. “Esta conferência é um espaço democrático fundamental. Envelhecer com dignidade e cidadania é um direito. É ouvindo vocês que conseguimos planejar um Estado mais justo, inclusivo e preparado para as transformações do tempo. Valorizamos cada passo de quem já construiu tanto pela nossa sociedade acreana”, afirmou.

Aos 79 anos, o aposentado Tupinambás Lima, o seu Tupi, também destacou a importância da conferência: “Acredito que vão ‘sair’ mais direitos e cuidados garantidos para nós, além de conscientizar as pessoas jovens”.
Os avanços do governo federal na política para idosos também foi destacada pelo representante da Secretaria Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa do Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania (MDHC), Kenio de Lima. “Viemos buscar propostas, dialogar para formular políticas em prol do envelhecimento saudável e combate à violência contra os idosos”, disse.

O grupo Carimbó da Alegria, da Associação Social e Cultural dos Idosos e Familiares do Estado do Acre (Ascifea), com mais de 240 associados, fez uma apresentação.
Albelice Josefa Silva, de 83 anos, uma das integrantes, diz que gosta de dançar, de se sentir útil e não quer ficar solitária em casa. “Me sinto tão bem trabalhando, dançando. As pessoas precisam entender que não é porque temos mais de 60 anos que ficamos incapazes. O carimbó me renova”, disse.

Mailza destacou ainda que a integração intersetorial reforça o combate a todas as formas de violência, negligência e discriminação. “Falar da política da pessoa idosa é reafirmar que envelhecer não pode ser sinônimo de abandono”, frisou, lembrando que a SEASDH tem atuado com implementação de ações alinhadas ao Estatuto do Idoso e à Política Nacional da Pessoa Idosa.
Entre as iniciativas desenvolvidas, está a ampliação da Rede de Proteção Social Básica e Especial, que oferece acompanhamento e apoio às famílias, o fortalecimento dos Conselhos Municipais do Idoso e do Conselho Estadual, atividades de inclusão social e o combate à solidão, com atividades culturais, esportivas e lazer.
A representante da Associação Brasileira de Alzheimer (Abras), Maria Bessa, mencionou que o encontro também propõe o combate ao etarismo, caracterizado pela discriminação dos idosos. E a psicóloga Floriza Sobralino encerrou a noite com uma palestra sobre direitos e envelhecer saudável.
Também participaram do evento o vice-presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Acre (Aleac), deputado Pedro Longo; os deputados estaduais Adaildo Cruz e Afonso Fernandes; e a presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa Idosa, Ruth Araújo, além de representantes da Defensoria Pública e Ministério Público Estadual.
O Brasil possui atualmente cerca de 32 milhões de idosos, e a tendência é que, até 2030, o número seja maior do que o de jovens. Muitos enfrentam violência física, financeira e estrutural. O abandono e a solidão também compõem o cenário do etarismo. O grande desafio é criar políticas públicas aos idosos que promovam inclusão em todas as áreas — inclusive a digital. Cuidar da saúde e garantir o acesso a direitos básicos são bandeiras urgentes.
A 6ª Conferência marca a inclusão, a escuta e a apresentação de propostas que serão encaminhadas às esferas municipal, estadual e federal, com o objetivo de direcionar recursos para políticas públicas que beneficiem os idosos.
O Estatuto do Idoso (Lei nº 10.471/2003) estabelece direitos como acesso à saúde, educação, cultura, lazer, proteção social, trabalho e moradia. É fundamental garantir o cumprimento dessas leis e a aplicação de medidas para proteger os idosos de violações de direitos.
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