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Ausência paterna tem impacto decisivo no desenvolvimento infantil, destaca especialista do CEJAM .

A presença afetiva do pai fortalece a autoestima da criança, ajuda na regulação emocional e favorece relações mais saudáveis na vida adulta.

19/08/2025 às 01h54
Por: Fábio Costa Pinto Fonte: Maquina Cohn Wolfe / Divulgação
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Mais de 1,4 milhão de crianças nasceram no Brasil, entre janeiro de 2016 e abril de 2025, sem o nome do pai no registro. Os dados são da Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil). Somente nos quatro primeiros meses de 2025, mais de 65 mil crianças foram registradas apenas com o nome da mãe na certidão de ​​nascimento, o equivalente​​ a 6,3% de todos os nascimentos no país nesse período.

A ausência paterna, como mostram os números, não é apenas estatística: ela traz consequências reais para o desenvolvimento infantil. Segundo a psiquiatra Dra. Carla Vieira, do CAPS Infantojuvenil II M'Boi Mirim, unidade gerenciada pelo CEJAM (Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”) em parceria com a Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo (SMS-SP), a ausência paterna seja física (por afastamento, divórcio ou abandono) ou emocional (quando o pai está presente, mas não se envolve) pode trazer impactos importantes na vida da criança, como desenvolver sentimentos de abandono, baixa autoestima e insegurança. Na adolescência, isso pode se refletir em dificuldades de relacionamento, busca por referências fora do núcleo familiar e até em quadros de depressão e ansiedade.

Filhos de pais presentes costumam ser mais sociáveis, seguros e apresentam melhor desempenho escolar. “A presença afetiva e participativa do pai em atividades como dar banho, alimentar, colocar para dormir, brincar, ajudar nas tarefas escolares ou simplesmente ouvir com atenção fortalece a autoestima, a segurança emocional e a capacidade de resiliência da criança. O que favorece, ainda, relações mais saudáveis na vida adulta”, explica​​.​​​​​​

A paternidade ativa também contribui diretamente para a saúde mental da mãe: “Isso reduz a sobrecarga e o risco de depressão pós-parto. Os benefícios começam já na gestação. Pais que se envolvem desde as consultas médicas e interagem com o bebê ainda na barriga constroem laços afetivos mais sólidos”, esclarece Dra. Carla. 

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Apesar de avanços nos últimos anos, ainda há desafios importantes. “Nossa geração está mais consciente da importância da paternidade ativa. Muitos pais desejam ser mais presentes e participativos, ir além do papel de provedores. Querem ser cuidadores, educadores, amigos. Isso beneficia a criança, a mãe e o próprio pai, que descobre uma nova fonte de realização”, afirma a psiquiatra.

No entanto, barreiras culturais e estruturais dificultam esse processo. “A visão tradicional de masculinidade que associa o homem ao trabalho e à provisão financeira e não ao cuidado, ainda é muito forte, a falta de políticas públicas como licença-paternidade estendida, debates sobre a dificuldades da paternidade e o despreparo emocional ainda são entraves importantes”, ressalta. 

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O cuidado com a saúde mental do pai também é fundamental para promover um ambiente familiar equilibrado e saudável. Pois, ​​conforme​​ a especialista, pais que se cuidam emocionalmente, tendem a ser mais empáticos, pacientes e afetuosos. Qualidades essenciais para o desenvolvimento pleno dos filhos e o bem-estar de toda a família.

Mas, é importante ressaltar que vínculos afetivos de qualidade com avós, tios, professores ou mães solos também podem suprir carências emocionais na falta da figura paterna. “A qualidade do vínculo é mais importante do que o papel social ou o gênero de quem cuida”, enfatiza Vieira.

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Para quem deseja iniciar uma jornada mais ativa no relacionamento com os filhos, a dica é assumir pequenas responsabilidades no dia a dia​​ e​​ criar momentos únicos com a criança​​.​​ “O vínculo se constrói na consistência, na intenção e no afeto. Não é preciso ser perfeito, basta ser comprometido. Mesmo em casos de separação, pode ser mantido com presença de qualidade, contato regular e participação nas decisões importantes da vida da criança. Entendendo que o vínculo é construído na cumplicidade, no respeito e no amor, e não na quantidade de horas juntos”, finaliza.

Sobre o CEJAM.     

O CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim” é uma entidade filantrópica e sem fins lucrativos. Fundada em 1991, a Instituição atua em parceria com o poder público no gerenciamento de serviços e programas de saúde em São Paulo, Rio de Janeiro, Mogi das Cruzes, Campinas, Carapicuíba, Barueri, Franco da Rocha, Guarulhos, Santos, São Roque, Ribeirão Preto, Lins, Assis, Ferraz de Vasconcelos, Pariquera-Açu, Itapevi, Peruíbe e São José dos Campos.

A organização faz parte do Instituto Brasileiro das Organizações Sociais de Saúde (IBROSS), e tem a missão de ser instrumento transformador da vida das pessoas por meio de ações de promoção, prevenção e assistência à saúde.

O CEJAM é considerado uma Instituição de excelência no apoio ao Sistema Único de Saúde (SUS), tendo conquistado, em 2025, a certificação Great Place to Work. O seu nome é uma homenagem ao Dr. João Amorim, médico obstetra e um dos fundadores da Instituição. 

No ano de 2025, a organização lança a campanha "365 novos dias de saúde, inovação e solidariedade", reforçando seu compromisso com os princípios de ESG (Ambiental, Social e Governança). 
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