
Referência no Sistema Único de Saúde, o Hospital Ophir Loyola mantém a Clínica de Cuidados Paliativos Oncológicos (CCPO) como modelo de assistência humanizada e integral a pacientes que não respondem mais a tratamentos curativos contra o câncer. Funcionando em prédio próprio e fora do ambiente hospitalar, a clínica proporciona um espaço de acolhimento, escuta ativa e dignidade, com suporte multiprofissional aos usuários e seus familiares.
Com foco na qualidade de vida, mesmo diante dos limites impostos pela doença, a CCPO adota uma abordagem que integra ciência, empatia e atenção contínua. O serviço é ofertado de forma 100% gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS), reafirmando o compromisso do Governo do Pará com uma saúde pública sensível e de excelência.
Atendimento acolhedor desde o primeiro contato
Ao chegar à clínica, o paciente Jheymenson Hede Lourenço de Oliveira relata ter sido surpreendido positivamente pelo acolhimento. “Assim que cheguei ao quarto, entrou uma psicóloga, se apresentou e me perguntou como eu estava. Ela quis saber se eu entendia o que era estado paliativo. E ali mesmo começou meu acolhimento”, contou.
Segundo ele, o atendimento diferenciado mudou sua percepção sobre os cuidados paliativos. “Muita gente pensa que cuidados paliativos são sinônimo de morte. Dá medo. Mas aqui, desde o começo, foram me explicando que não é bem assim.”
A rotina na clínica é marcada pela atuação de uma equipe multiprofissional composta por especialistas em psicologia, nutrição, fisioterapia, terapia ocupacional, assistência social, enfermagem e medicina. A atenção personalizada é um dos diferenciais apontados pelos pacientes.
“O que mais me tocou foi perceber que as pessoas realmente se importam com a gente aqui. Não é só um cuidado técnico, é humano. É como se todo mundo aqui estivesse tentando fazer a nossa vida um pouco mais leve, apesar da doença”, destacou Jheymenson.
Ele também reviveu uma antiga paixão: o desenho. Com apoio da terapeuta ocupacional, pôde fazer uma surpresa de aniversário para a filha, com decoração especial, momento de confraternização e demonstrações de afeto que marcaram sua passagem pela clínica.
Apoio também aos familiares
A mãe da paciente Lilian Leny, dona Francisca Oliveira da Silva, também relatou a importância do acolhimento. “Chegamos numa sexta-feira e logo fomos acolhidos. Não só minha filha, mas toda a família. Meus netinhos puderam entrar, foram tratados com carinho. Isso não é comum em hospitais”, afirmou.
Ela também destacou a melhora no quadro clínico da filha e o acompanhamento constante. “Minha filha estava muito mal, com falta de ar. Fizeram exames, tiraram a água do pulmão, e ela melhorou. Estava no oxigênio 7 e hoje está no 2. A diferença foi enorme.”
Para a médica paliativista Regiane Frota, o cuidado paliativo começa junto com o diagnóstico de doenças graves, não apenas no fim da vida. “A gente acompanha desde o início, oferecendo suporte e dignidade. Muitos pacientes chegam com medo, mas aqui mostramos que é possível viver com mais conforto, mais sentido”, explicou.
A médica também ressaltou que o trabalho na clínica é feito de forma horizontal. “Cada profissional tem sua importância. Juntos, buscamos soluções que respeitem a individualidade de cada paciente.”
Atendimento vai além das paredes da clínica
Além da internação, a CCPO oferece atendimento ambulatorial, por telemedicina e visitas domiciliares na Região Metropolitana de Belém. “Se o paciente não pode vir, nós vamos até ele. Nosso compromisso é com a dignidade do cuidado, dentro e fora do prédio”, reforçou Regiane Frota.
O psicólogo Lucas Ferreira complementa que o trabalho envolve toda a rede de apoio dos pacientes. “A gente trabalha com a 'unidade do cuidado'. Não atendemos só o paciente, mas todos ao seu redor. Isso inclui conversar sobre diretivas antecipadas de vontade, respeitar escolhas e oferecer suporte emocional.”
Entre 2022 e 2024, a Clínica de Cuidados Paliativos Oncológicos do Hospital Ophir Loyola atendeu cerca de 639 pacientes internados e realizou quase 2 mil consultas ambulatoriais. Mais do que os números, o que se destaca é o impacto direto na vida das pessoas. “O que fica é o carinho. Aqui, eles fazem a gente esquecer, por alguns momentos, que está doente”, resume Jheymenson.
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