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Emater reforça compromisso com cultura afrodescendente nos 144 municípios do Pará

Quilombolas e agricultores de povos tradicionais e matrizes africanas participaram de reuniões, palestras e foram beneficiados com documentação

30/07/2025 às 19h05
Por: Redação Fonte: Secom Pará
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Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Promovida pelo Governo do Pará, por meio da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater), a 1ª Semana Estadual da Agricultura Familiar destacou, este mês, a efetividade de políticas públicas para as tradições agrícolas, alimentares, socioeconômicas e culturais das populações afrodescendentes nos 144 municípios paraenses.

Dentro da programação intensiva, pontuada pela Política interna de Interesses Difusos e Coletivos (PIDC) da Emater, equipes extensionistas entregaram, por exemplo, 17 cadastros nacionais da agricultura familiar (cafs) à comunidade quilombola Santa Maria do Itacoã-Miri, em Acará, na região do Tocantins, para que as cerca de 200 famílias tenham acesso a direitos como aposentadoria rural e possam fornecer produtos para a merenda escolar.

União de técnica e tradição -Para um dos moradores mais antigos da Comunidade Itacoã-Miri, José Monteiro, de 71 anos, produtor de açaí e frutas como cupuaçu e uxi, com o CAF, a ideia é aumentar a produção e aliar com a produção de cacau.

“Eu quero iniciar a produção de cacau, porque ele é uma opção no inverno. Daí eu pretendo enriquecer a produção nas terras firme e na várzea, produzindo açaí no verão e o cacau no inverno. Com a Emater, vamos pode agregar os nossos conhecimentos tradicionais dos quilombolas com as ferramentas e conhecimento técnico da Emater, para produzir mais”, disse.

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A maioria dos produtores rurais do quilombo é composto por mulheres. Rejane Lima é um exemplo, ela é produtora de açaí e, diariamente, vai até a Feira do Porto da Palha. A agricultora, assim como os outros beneficiados, também comemorou o recebimento do CAF.

“Eu acredito que vai melhorar bastante a nossa produção, porque vamos aprender a manejar a terra e melhorar a qualidade do nosso açaí. Com o CAF, vamos poder ter acesso a programas e políticas públicas que, por meio da Emater”, afirmou Rejane.

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Em Marituba, na Região Metropolitana de Belém (RMB), lideranças de quatro terreiros de tambor de mina (Ilê Casa de Mina Jejé Nagô Oxum Apara e Xangô Ayra, Ilê Casa de Mina Machado de Ouro, Ilê Casa de Oxossi Rei da Manhã e Ilê Obá Oyó Àkaráizô Oya) reuniram-se com representantes da Emater, na sede daquele escritório local, no Centro, a fim de estabelecer metas de atendimento às unidades tradicionais territoriais (utts), como capacitações sobre empreendedorismo e sobre cooperativismo.

Em Ananindeua, uma feira de exposição de hortifrutis e artesanato na Rua da Providência, no bairro do Coqueiro, ofereceu aos consumidores da zona urbana a oportunidade de compra direta de açaí batido, biojoias e galinha-caipira do Quilombo do Abacatal, situado às margens do Igarapé Uriboquinha, um braço do rio Guamá.

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Em Curuçá, na região Guamá, uma palestra sobre Justiça Climática e impactos sociais das mudanças climáticas movimentou a comunidade quilombola de Algodão.

Diversidade e valorização -Para o presidente da Emater, Joniel Abreu, o trabalho da Emater com os Povos Tradicionais de Matrizes Africanas e Terreiros (Potmas) é uma diretriz consolidada.

“Hoje, de forma pioneira e inovadora, a assistência técnica e extensão rural [ater] oficiais do Governo do Pará reconhecem os marcadores sociais da população preta e conseguem adaptar o serviço público e as políticas públicas às reais necessidades étnicas, culturais e territoriais desses grupos, acompanhando-os em escuta, autonomia, empoderamento e reparação histórica”, ressaltou.

Técnico em Agroindústria e advogado mestre e doutor em Direito, o Gestor consagra a Semana Estadual como oportunidade de conscientização. “Não só de pautas específicas, mas de tudo relacionado à Amazônia rural paraense - indígenas, ribeirinhos, assentados da reforma agrária, pescadores, pecuaristas: cultura, bioeconomia, meio ambiente, dignidade humana, cidadania, segurança nutricional e alimentar. Mobilizamos a sociedade civil e trazemos para o conhecimento e para o diálogo questões cruciais, que importam à coletividade”, concluiu.

Parceria - Em 2024, de acordo com relatórios institucionais, a Emater atendeu mais de dois mil quilombolas em 125 territórios. A atuação é catalisada pela parceria com a Secretaria de Estado de Igualdade Racial e Direitos Humanos (Seirdh).

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