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Pesquisa transforma células-tronco de doadores com diabetes tipo 1 em produtoras de insulina

O estudo, ainda em fase inicial, mostrou resultados promissores: em um grupo de 14 pacientes, dez conseguiram ficar sem insulina por um ano.

28/07/2025 às 09h24
Por: Redação Fonte: Secom SP
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Para que o tratamento funcione, os pacientes precisam usar imunossupressores para evitar que o sistema imunológico destrua as novas células. Foto: Divulgação/Governo de SP
Para que o tratamento funcione, os pacientes precisam usar imunossupressores para evitar que o sistema imunológico destrua as novas células. Foto: Divulgação/Governo de SP

Pesquisadores do Hospital Geral de Toronto, em parceria com a Universidade da Pensilvânia, desenvolveram uma terapia experimental que utiliza células-tronco pluripotentes para tratar diabetes tipo 1. O estudo, ainda em fase inicial , mostrou resultados promissores: em um grupo de 14 pacientes, dez conseguiram ficar sem insulina por um ano após o tratamento. A professora Maria Elizabeth Rossi, endocrinologista e chefe do Laboratório de Investigação Médica (LIM) da Faculdade de Medicina (FM) da USP, explica que o “diabetes tipo 1 é uma alteração que acontece principalmente na infância e na adolescência, em que o nosso sistema imunológico ataca as células do pâncreas que produzem insulina”.

A nova abordagem utiliza células-tronco de doadores, transformadas em laboratório em células produtoras de insulina, que são injetadas no fígado do paciente através da veia porta. Para que o tratamento funcione, os pacientes precisam usar imunossupressores para evitar que o sistema imunológico destrua as novas células. Apesar dos resultados animadores, a especialista ressalta que ainda é cedo para comemorar: o estudo teve duração de apenas um ano e o tratamento é caro, inviabilizando sua aplicação em larga escala no momento.

Diferenças entre diabetes tipo 1 e tipo 2

Enquanto o diabetes tipo 2 está associado a fatores como obesidade e envelhecimento, o tipo 1 é uma doença autoimune que geralmente se manifesta na infância ou adolescência. Atualmente os pacientes dependem de múltiplas aplicações diárias de insulina, embora tecnologias como bombas de infusão e sensores contínuos de glicose tenham melhorado significativamente sua qualidade de vida.

A professora Maria também destacou diversas outras abordagens em estudo para o diabetes tipo 1, como um medicamento imunossupressor que pode retardar o aparecimento da doença em pessoas com predisposição. Outra linha promissora é a edição genética de células produtoras de insulina para torná-las “invisíveis” ao sistema imunológico, técnica apresentada recentemente em congresso internacional. Além disso, pesquisas continuam sendo desenvolvidas com transplante de ilhotas pancreáticas, método já testado anteriormente.

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Maria Elizabeth finaliza comentando que “talvez o importante seja a gente conseguir tratar o paciente antes de desenvolver o diabetes, numa condição que ele ainda tem células produtoras de insulina”, e acrescenta “que a imunologia tem avançado muito e é nesse foco, mais na prevenção do diabetes tipo 1, do que em termos de tratamento para quem já tem o diabetes. Para esses, a gente tem a condição das bombas, que facilitam muito a vida desses pacientes. Então mudou o cenário, o horizonte dos nossos pacientes com diabetes tipo 1. A gente tem que atuar agora na prevenção. E, com certeza, futuramente, a gente vai ter excelentes resultados”.

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