
Iniciativa garante inclusão, dignidade e renda para mais de 3,5 mil catadores em 14 municípios baianos
Durante os festejos juninos na Bahia, a coleta seletiva ganha destaque por meio do projeto Ecofolia Solidária, uma ação do Governo do Estado coordenada pela Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre). A iniciativa estrutura pontos de apoio à coleta de resíduos recicláveis em 14 municípios, beneficiando 3.566 catadores e catadoras com melhores condições de trabalho e geração de renda.
As Centrais de Apoio ao Catador são organizadas pelas redes e cooperativas e funcionam como espaços de comercialização direta dos materiais coletados, sem a presença de atravessadores. Com isso, os trabalhadores recebem preços justos, ganham equipamentos de proteção individual (EPIs), como fardamento completo, luvas, calçados, protetor auricular, capa de chuva e mochilas.
De acordo com Júlio Santana, coordenador de Inovação e Fomento para Economia Solidária da Setre, o projeto envolve um investimento de R$ 2 milhões em apoio a associações e cooperativas. “A Ecofolia Solidária apoia 14 cooperativas em Salvador, com quatro centrais instaladas no Pelourinho, Parque de Exposições e em Paripe. Cerca de 650 catadores e catadoras, entre cooperados e autônomos, são beneficiados só na capital. Eles têm acesso a EPIs, fardamento e comercializam o material com preços justos, garantindo renda para si e suas famílias”, explicou.
Para os catadores, o impacto vai além da renda. Genivaldo Ribeiro, da Coperguari, ressalta a dignidade e visibilidade proporcionadas pelo projeto: “O Governo do Estado tem sido um diferencial desde 2022. Em Paripe, os catadores podem trabalhar no próprio bairro, e isso é economia circular: o dinheiro que eles ganham aqui é gasto aqui. A gente presta um serviço público de qualidade, mas só conseguimos isso com apoio. Esse projeto tem um viés ambiental, social e econômico”, afirmou.
Antônia da Silva Lima, 61 anos, catadora autônoma e vendedora ambulante, reforça como o uso dos EPIs trouxe mais segurança à sua rotina: “Agora com o uniforme, o calçado e as luvas, a gente não se machuca. Isso foi muito importante. As pessoas passam e olham com mais respeito. Foi um projeto que pensou na gente e eu gostei muito”.
Além de promover a valorização do trabalho dos catadores, o projeto contribui com a preservação ambiental e reforça o compromisso com a inclusão social e produtiva dessa categoria historicamente invisibilizada. Os catadores cadastrados também são acolhidos com suporte para documentação civil e atendimento às suas famílias, quando necessário.
Repórter: Letícia Rastelly
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