
A organização Repórteres sem Fronteiras (RSF) lançou nesta terça-feira (3.mai.2022) o Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa, publicação anual que compara as condições de trabalho de profissionais de imprensa em 180 países e territórios. A violência estrutural contra jornalistas, um cenário midiático marcado pela alta concentração privada e o aumento da desinformação foram destacados pela RSF como impeditivos para o avanço da liberdade de imprensa no Brasil, que ocupa neste ano a 110ª posição.
Segundo o relatório, esta é a primeira vez desde 2018 que o Brasil não apresentou queda no ranking. No ano passado, o país encontrava-se na 111ª posição, considerada a “zona vermelha”, em que a situação da imprensa foi avaliada como difícil.
A metodologia da classificação se baseia em uma pontuação atribuída a cada território, que pode variar de 0 a 100. Para isso, são levados em consideração parâmetros como contexto político, arcabouço jurídico, contexto econômico, contexto sociocultural e segurança. No caso do Brasil, a nota geral foi de 55,36.
A pesquisa ressalta que as relações entre o governo e a imprensa brasileira têm se deteriorado significativamente desde que Jair Bolsonaro (PL) assumiu o poder, em 2019. “O presidente ataca regularmente a imprensa, mobilizando exércitos de apoiadores nas redes sociais. Trata-se de uma estratégia bem coordenada de ataques com o objetivo de desacreditar a mídia, apresentada como inimiga do Estado”, aponta o documento.
“Nunca, em tempo algum, considerando o cenário democrático, nós vivemos um acirramento e uma tentativa de deslegitimação tão grande do trabalho da imprensa quanto nós estamos vivendo agora. Há uma escalada crescente de ataques físicos e verbais a jornalistas”, afirma a vice-presidente da Abraji, Katia Brembatti.
O relatório de monitoramento de ataques a jornalistas no Brasil da Abraji registrou 453 ataques contra comunicadores e meios de comunicação, somente em 2021. Em 69% dos casos, a agressão foi provocada por agentes estatais. O presidente Jair Bolsonaro (PL), sozinho, atacou a imprensa 89 vezes no último ano - representando 19,64% do total de ataques.
Dados globais
A 20ª edição do Ranking Mundial de Liberdade de Imprensa revelou em 2022 uma polarização dos meios de comunicação que levou a fraturas dentro dos países e uma outra polarização entre Estados na esfera internacional. O relatório destaca que esses são efeitos fomentados pelo caos informacional, espaço digital globalizado e desregulamentado, que promove informações falsas e propaganda estatal.
Outro destaque da pesquisa é o número recorde de países em uma “situação muito grave”. No total, doze países estão na lista vermelha do ranking, incluindo Belarus (153º) e Rússia (155º). Os três países mais repressivos para a imprensa são Irã (178º), Eritreia (179º) e Coreia do Norte (180º).
Já na América Latina, o relatório evidencia o aumento da desconfiança em relação à imprensa, “alimentada pela retórica antimídia e pela banalização do discurso estigmatizante da classe política”. Destacam-se, especialmente, o Brasil (110º), Cuba (173º), Venezuela (159º), Nicarágua (160º) e El Salvador (112º), que ganharam mais terreno para ataques públicos, processos abusivos, campanhas de difamação e intimidação – principalmente contra mulheres – e assédio online contra jornalistas.
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