
O Centro Histórico de São Luís está fervendo com a diversidade cultural deste Pré-Carnaval organizado pelo Governo do Maranhão. Neste sábado (15), entre os casarões seculares, becos e ladeiras enfeitados, circularam centenas de foliões e muitos deles visitam o estado pela primeira vez. Vindos de outros países, estados e cidades, os visitantes experimentam a riqueza de ritmos que só se encontra por aqui, especialmente no circuito Vem Pro Centro.
A secretária de Estado do Turismo, Socorro Araújo, avalia que as festas carnavalescas transformam essa época do ano numa das mais movimentadas para o setor turístico. “Graças ao governador Carlos Brandão, percebemos que as prévias e o Carnaval maranhense estão aumentando o volume de turistas que chegam ao nosso estado. Esse fluxo impacta positivamente a rede hoteleira, os negócios e os serviços locais, além do comércio informal. Ele gera renda e, ao mesmo tempo, valoriza e dá espaço para que a nossa cultura seja protagonista, suba ao palco e dê esse espetáculo”, destacou a gestora.
Uma prova de que a variedade musical atrai gente de diversas partes do Brasil e do mundo é Alicia Gea, da Espanha. A turista estrangeira ficou encantada com a energia da festa e até se aventurou a dançar reggae do jeito agarradinho. “É a minha primeira vez em São Luís. Estou gostando muito da música e das pessoas, que são muito simpáticas”, comentou.
Com um legado fortemente enraizado na cultura maranhense, o reggae se tornou um dos ritmos marcantes de São Luís. A Praça do Reggae, rebatizada como Polo Cultural Nega Glícia, foi um dos espaços que reuniu foliões apaixonados pelo gênero musical. Por coincidência, neste sábado, a homenageada comemoraria aniversário. “Ela fez história como mulher preta, mãe e irmã. Viver essa homenagem tem uma representatividade muito grande, por todo o legado que ela deixou para a cultura reggae. Então, eu fico muito feliz”, relatou Gláucia Landim, irmã de Nega Glícia.
O ritmo das tribos de índios, os tambores dos blocos afros e a cadência contagiante dos blocos tradicionais podiam ser ouvidos à distância. Pelo palco Joãozinho Trinta, passaram seis dessas atrações, entre elas, o Bloco Guerreiros do Ritmo, cativando o público.
O paulista Diego Ferreira estava de passagem, mas acabou parando para admirar a apresentação na Praça da Fé. “É muito legal e interessante a cultura que tem no Maranhão. Achei o bloco tradicional muito divertido e as pessoas empenhadas em fazer e mostrar essa cultura, tanto para a população quanto para quem vem de fora, como eu”, disse o engenheiro.
"A gente tem um trabalho sociocultural com jovens e adolescentes o ano inteiro. Cuidamos da escolaridade e fomentamos a cultura tradicional no bairro da Liberdade, que é o maior quilombo urbano da América Latina. A tradição do bloco tradicional, que é nossa e só existe em São Luís do Maranhão, tem que ser divulgada para que não se acabe”, explicou Railson Durans, presidente, compositor e coreógrafo dos Guerreiros do Ritmo.
No Polo Cultural Faustina, montado na Rua da Estrela, a fogueira e os tambores ao redor serviam de pistas: era uma típica roda de Tambor de Crioula, manifestação reconhecida como Patrimônio Cultural do Brasil, com espaço garantido nas prévias carnavalescas.
A turista de Brasília (DF), Luíza Padoa, que está conhecendo a capital maranhense, ficou impressionada ao se deparar com o Tambor de Crioula em pleno Pré-Carnaval. “Acabei de chegar, estou descobrindo tudo. É muito bonito!”, comentou.
Para quem vem de fora, a surpresa também está no colorido dos fofões, personagens folclóricos bem maranhenses. Niara Cruz, de Belo Horizonte, disse que ainda não conhecia a tradição, mas queria ver de perto. “Me falaram muito sobre o fofão. Estou ansiosa para conhecer!”
A mineira estava acompanhada da amiga Hieran Bezerra, paraibana que mora em São Luís, e tinha a missão de apresentar à ela a programação do circuito. “Nos deparamos com o reggae, o bloquinho e o tambor de crioula. Eu acho que isso é fundamental para a cultura. Viemos ver de perto”, disse.
E o fofão, vez ou outra, ‘dava as caras’ pelo Vem Pro Centro. Carlos Maranhão é um desses apaixonados pelo personagem que desperta tanta curiosidade. “Quando criança, eu tinha medo, até ver meu irmão mais velho vestido de fofão. Hoje, faço minhas próprias máscaras e fico feliz de ver esse resgate cultural acontecendo”, relatou, todo fantasiado.
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