
Profissionais de copa hospitalar auxiliam nutricionistas nas entregas de dietas; rotina é marcada por cuidado e amor
Maria Vera Bizerra, mais conhecida como Verinha, tem uma vida dedicada ao ofício de copeira, exercendo a função há 23 anos. Destes, uma década foi alicerçada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Praia do Futuro, em Fortaleza. Ela é responsável por produzir e distribuir refeições a colaboradores e pacientes do equipamento da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), de acordo com as necessidades de cada um.
A inspiração para a profissão, segundo Verinha, veio da mãe, quem define como “muito dedicada”. “Sempre tive vontade de trabalhar com pacientes, pois minha mãe trabalhava com médicos em uma clínica, fazendo um pouco de tudo, desde a limpeza até servir o cafezinho. Fazia tudo com muito amor e carinho”, conta.
Os sentimentos pela rotina e, principalmente, por quem recebe assistência em saúde foram herdados da matriarca. “Meu maior presente é vê-los recuperados”, acrescenta. Por isso, mesmo com mais de 20 anos de profissão, Verinha classifica a pandemia de covid-19 como o maior desafio que enfrentou até o momento. “Essa doença levou muitos pacientes e muitas pessoas queridas. Isso me marcou bastante”.
No Hospital Geral Dr. Waldemar Alcântara (HGWA), também da Rede Sesa, a história da colaboradora Maria Doranice, a Dora, se confunde com a história da unidade, que completa 20 anos de fundação em dezembro de 2022, mesmo tempo de casa da profissional. Ela lembra que tudo começou com a seleção em que foi aprovada para copeira, na primeira turma de trabalhadores chamada para atuar no recém-inaugurado HGWA. À época, concorreu com 380 candidatos e ficou em primeiro lugar.

“Trabalhar aqui foi um dos sonhos que realizei: ver o hospital nascer e, com certeza, crescer, como acompanhei durante todos esses anos. Fui chamada um mês antes da inauguração, para preparar todo o hospital para o início das atividades”.
Dora é daquelas profissionais que se orgulham do que fazem. Para ela, falar do seu dia a dia é motivo de entusiasmo. Atualmente, ela se divide entre as dietas feitas no lactário e a entrega dos alimentos aos pacientes, seja enteral ou oral, conforme o calendário estabelecido previamente pelo setor.
“Com 18 anos, participei da minha primeira seleção para copeira. Sempre achei bonito aquele fardamento, aquele jeito da profissional. Tenho curso de técnico em Enfermagem, mas não me identifiquei. Decidi ir em busca de trabalhar com o que gostava. Aqui, formei minha família. São vinte anos, uma vida”, avalia.
Para Dora, hoje aos 59 anos, se pudesse escolher o que mais gosta de fazer dentre tantas atividades na profissão, dedicaria-se ao contato com pacientes. “É onde mora o orgulho. Pra mim, é a parte fundamental. Não é só chegar, pegar a quentinha e entregar. Tem uma grande responsabilidade, é preciso seguir o mapa e entregar a dieta correta para cada paciente, seguindo suas necessidades. Por isso, tem que ser feito com amor. Tem que ter a vocação para ser copeira, talvez por isso estou aqui durante tanto tempo”.
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