
O Conselho de Secretarias Municipais de Saúde de Mato Grosso do Sul (Cosems) fez um alerta aos municípios sobre a ausência de medicamentos de primeira utilidade como antibióticos e analgésicos tanto na rede pública quanto na privada de saúde.
Amoxicilina, azitromicina, ibuprofeno, nimesulida, amoxicilina com clavulanato, losartana, dexametasona injetável, loratadina ou dipirona injetável são alguns dos remédios que estão com estoque quase zerados nas unidades de saúde e também nas farmácias.
Na cidade de São Gabriel do Oeste, por exemplo, o estoque está bem reduzido de amoxicilina com clavulanato e azitromicina. “Procuramos outros fornecedores, mas também não possuem. Recebemos um comunicado do Conselho de Farmácia sobre o desabastecimento. Estamos fazendo o que está ao nosso alcance, mas os fornecedores não possuem”, comentou a secretária de Saúde, Francine Basso.
Em Bataguassu, a situação não é diferente. Medicamentos com Azitromicina, Ibuprofeno, Metoprolol também estão em falta.
Entre os motivos apontados para o desabastecimento estão licitações desertas, interrupção do fornecimento pela empresa licitada, que alegam falta de matéria-prima e também a guerra na Ucrânia – esta última causa dificulta as importações e aumenta o valor dos insumos usados na fabricação das medicações.
Nacionalmente, a situação também é crítica e o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) encaminhou ofício ao Ministério da Saúde relatando o caso e nele apontou a falta de três medicamentos específicos: dipirona injetável, ocitocina e neostigmina, isso em 23 estados do Brasil.
Segundo o presidente do Cosems, Rogério Leite, que é secretário de saúde de Corumbá, a situação é complexa. “Além de ser um reflexo da pandemia de covid-19, que exigiu altas demandas na indústria farmacêutica, muitos medicamentos estão com baixa produção, pois há componentes que são importados e a importação do medicamento supera o valor máximo de venda, ou seja, o custo da produção supera o da arrecadação”, analisa.
Sobre a dipirona monoidratada injetável, usada em ambiente hospitalar, Leite comentou que já está em falta em vários hospitais, inclusive, particulares. “Há um risco iminente de desabastecimento nacional. Realizamos um levantamento e cerca de 94% dos municípios de MS já estão com falta de determinadas medicações.”
Em Campo Grande, a Secretaria Municipal de Saúde informou que existem algumas faltas pontuais em decorrência da indisponibilidade no mercado, atraso de entrega, entre outros problemas licitatórios, mas salientou que o estoque de medicamentos do município está 90% abastecido. Especificamente sobre os antibióticos, “há uma indisponibilidade generalizada por conta da alta procura e indisponibilidade de matéria-prima”.
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