Saúde Amazonas
Voluntárias destacam a importância do trabalho voluntário na luta contra o câncer
A Rede Feminina de Combate ao Câncer oferece um serviço de acolhimento para pacientes em tratamento na FCecon
29/10/2023 18h55
Por: Fábio Costa Pinto Fonte: Agência Amazonas

Acolhimento, melhoria da autoestima, realização de trabalhos voluntários, sentir-se amada e retribuir o amor recebido às outras mulheres que fazem tratamento na Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon). Esses são alguns dos sentimentos e ações promovidas por Elane Ribeiro e Marlene Alfaia, pacientes em tratamento de câncer de mama na Fundação e voluntárias da Rede Feminina de Combate ao Câncer do Amazonas (RFCC-AM).

A organização não governamental (ONG) é uma das parceiras da FCecon que atua na causa câncer, desenvolvendo projetos e ações sociais voltados ao apoio do paciente em tratamento contra a doença. No Amazonas, a RFCC-AM atua desde 1978 quando foi fundada.

O trabalho voluntário que ajuda hoje a salvar vidas e promover a autoestima de outras mulheres foi movido pela vontade de retribuir o amor e cuidado recebidos, como conta Ribeiro. Em 2020, ela foi diagnosticada com câncer de mama, tendo passado por uma mastectomia radical – retirada total – da mama esquerda. 

“Quando me vi sem a mama, tive a ideia de confeccionar os próprios sutiãs, pois desejava continuar me achando bonita e usando as roupas que sempre usei. Passei a confeccioná-los todos à mão. Então, fui convidada por outra voluntária para costurar os corações utilizados embaixo do braço pelas mulheres mastectomizadas”, pontua Ribeiro. 

Continua após a publicidade
google.com, pub-9319522921342289, DIRECT, f08c47fec0942fa0

Trabalho voluntário

Segundo Ribeiro, como não tinha experiência em máquina de costura, decidiu fazer um curso de corte e costura para poder trabalhar como voluntária na Rede Feminina. Ela conta que o trabalho feito pela ONG é importante, porque promove o acolhimento das pacientes com câncer, fazendo-as se sentirem amadas.

Continua após a publicidade
google.com, pub-9319522921342289, DIRECT, f08c47fec0942fa0

Entre lágrimas, Ribeiro conta que guarda o primeiro sutiã que ganhou para colocar a prótese, o que a fez sentir-se uma pessoa normal, que não tinha perdido a mama. “Tenho gratidão pelo o que a Rede Feminina fez por mim. Quando passamos pelo câncer, nunca saímos ilesas. O aprendizado é de alma e espírito, por isso as lágrimas. Depois, a gente só quer ajudar, amar as pessoas e retribuir o que recebemos. Quando estou confeccionando os corações, mentalizo a cura para as outras mulheres”, confessa.

Psicológico fortalecido

Continua após a publicidade
google.com, pub-9319522921342289, DIRECT, f08c47fec0942fa0

Para Marlene Alfaia, o desafio do tratamento do câncer foi manter o psicológico fortalecido após o diagnóstico positivo. Ela disse que a partir do momento que promoveu essa mudança de pensamento, as portas se abriram, pois não teve dificuldades para dar andamento ao tratamento. “Nunca encarei o câncer como uma doença perigosa, sou mais forte, e Deus à frente. Foi assim que consegui vencer a doença”, afirma.  

Descontração

Além da mudança de pensamento, Alfaia disse que passou a brincar com as situações pelas quais passava, como a queda de cabelo, quando ficou careca, e falava que era o ‘tio Chico’, personagem do filme Família Addams. Ela disse que outro desafio foi a perda do seio, uma vez que precisa levar a situação de forma descontraída. Mas confessa que o filho de cinco anos foi o motivo para continuar, pois precisava passar força para ele.

“Quando fui convidada para ser a modelo da campanha Outubro Rosa, de 2022, percebi que estava viva. Não podia ficar em casa, deitada assistindo filme por causa das limitações da cirurgia de mastectomia. Recebi o convite para ser voluntária na Rede Feminina e aceitei. Fiquei encantada com o trabalho, então, pensei que poderia fazer algo para ajudar outras mulheres”, disse Alfaia.

Marlene Alfaia confessa que se encontrou como voluntária, pois pôde colocar em prática os conhecimentos de corte e costura, artesanato, sentindo-se útil. Ela diz que hoje está feliz por poder ajudar outras mulheres.