Educação Mato Grosso do Sul
Para preservar cultura, Governo do Estado desenvolve material didático em línguas indígenas
O Governo do Estado, por meio da SED (Secretaria de Estado de Educação), vai produzir materiais didáticos para alfabetização e letramento de crianç...
18/05/2023 18h20
Por: Fábio Costa Pinto Fonte: Secom Mato Grosso do Sul
Bruno Rezende

O Governo do Estado, por meio da SED (Secretaria de Estado de Educação), vai produzir materiais didáticos para alfabetização e letramento de crianças indígenas nas línguas Guarani, Kaiowá, Kadiwéu e Terena. Com 80 mil indígenas, o Mato Grosso do Sul tem a segunda maior comunidade do Brasil.

A adequação linguística de material didático para as quatro línguas indígenas foi tratada no Seminário Integração “Alfabetiza MS Indígena”, uma ramificação do programa MS Alfabetiza, criado em 2021 e em prática na rede pública de ensino desde o início do ano passado.

O evento realizado esta tarde, no auditório da UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul), em Campo Grande, reuniu lideranças indígenas do Pantanal e Cone Sul, além do secretário de Estado de Educação, em exercício, Edio Antonio de Castro, a secretária-adjunta da Setescc (Secretaria de Estado de Turismo, Esporte, Cultura e Cidadania) Viviane Luiza e a diretora-presidente da FADEB-MS (Fundação de Apoio e Desenvolvimento à Educação Básica de Mato Grosso do Sul) Maria Cecília Amêndola da Motta.

A previsão é de que partir do ano letivo de 2024, o material para alfabetização estará disponível nas respectivas línguas maternas – mencionadas – para as crianças do 1° e 2° ano do ensino fundamental, que estudam em unidades escolares indígenas (inclusive em aldeias urbanas).

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“Nós vamos transformar todo material pedagógico na linguagem de cada etnia. No Estado temos principalmente Guarani, Kaiowá, Kadiwéu e Terena. Vão ter material específico e a partir deste momento vamos começar a escrever na língua deles. Além disso, o MS Alfabetiza também está sendo implantando para a matemática, a partir do ano que vem”, afirmou Castro.

O trabalho é um reconhecimento a língua e a cultura indígena, e vai auxiliar na preservação dos costumes dos povos originários. “No ano que vem a gente quer entregar para as crianças das aldeias um livro de língua portuguesa e um livro na língua que aquela criança vai ser alfabetizada”, afirmou Maria Cecília.

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Morador da Aldeia Tereré, em Sidrolândia, o indígena terena, Otacir Pereira Figueiredo, que é pedagogo e presidente da Câmara Municipal, confirmou a importância de ações para valorização e preservação da língua e da cultura dos povos originários. “Este tema é de sua importância para as comunidades indígenas. É uma coisa que nos chama atenção, nosso trabalho nas aldeias é focado na questão da cultura, oralidade, língua materna e preservação identidade. Este é um momento importante de valorização, é um marco”.

O cacique da Aldeia Bananal, em Aquidauana, Célio Francelino Fialho, reconheceu a importância da ação. “É importante pois cada comunidade é diferente, tem sua peculiaridade. Na minha temos muitos falantes da língua na família, na escola e no trabalho. Mas tem aldeias próximas que não tem mais a língua Terena. É importante discutir estratégias para valorizar a nossa cultura”.

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Importância internacional

Em dezembro de 2022, a ONU (Organização das Nações Unidas) lançou a “Década Internacional das Línguas Indígenas (2022-2032)”, evento realizado na sede da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura), em Paris (França).

Dados do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU (DESA) apontam que os indígenas representam menos de 6% da população global, mas falam mais de quatro mil das, aproximadamente, de 6,7 mil línguas do mundo. Além disso, estima-se que mais da metade de todas as línguas serão extintas até o final deste século e este número pode ser ainda mais alto. 

“Fortalecer a língua materna através da educação primária é realmente um grande favorecimento e importância nas comunidades indígenas, da valorização da língua. A língua é a oralidade dentro das comunidades indígenas, que é realmente a transmissão da cultura. Através dessa transversalidade entre educação, cidadania e cultura, nós percebemos então o fortalecimento das políticas públicas para todos, sem distinção de gênero, de raça, de etnia”, disse Viviane Luiza.

Natalia Yahn, Comunicação Governo de MS

Fotos: Bruno Rezende