Economia DAS
Reajuste na guia DAS acende alerta sobre riscos aos MEIs inadimplentes; saiba como regularizar.
Somente na plataforma MaisMei, especializada na abertura e gestão de MEIs, os inadimplentes somam quase 750 mil microempresas.
16/05/2023 21h31
Por: Fábio Costa Pinto Fonte: @compliancecomunicacao
Foto: Reprodução internet

A vigência dos novos valores das guias mensais DAS (Documento de Arrecadação do Simples Nacional), que agora variam de R$ 67,00 a R$ 164,40, dependendo da atividade exercida, trouxe à tona a grandeza de um problema que pode acarretar perda de benefícios para uma parcela considerável dos microempreendedores individuais (MEI): a inadimplência. Segundo levantamento feito pela MaisMei, plataforma especializada na abertura e gestão de MEIs, cerca de 48% dos CNPJs cadastrados na base de usuários ativos no Brasil estão com pagamento atrasados, algo próximo a 744.125 microempresas. A amostragem considerou toda a base cadastral da empresa, que conta com mais de 1,6 milhão de usuários.
 

“O número assusta, já que a modalidade foi pensada justamente para que pequenos empreendedores tenham acesso aos benefícios previdenciários, pagando uma carga tributária menor”, afirma a head de Contabilidade da MaisMei, Kályta Caetano.
 

Entre os benefícios estão: aposentadoria (por idade e por invalidez, no valor do salário-mínimo), auxílio-doença e Salário Maternidade.
 

Além disso, alerta Kályta Caetano, a inadimplência do MEI pode acarretar problemas para a Pessoa Física responsável. “Após dois anos de inadimplência, o CNPJ é cancelado e as dívidas são transferidas para o CPF do empreendedor. Fora a dificuldade para se aposentar, entram outras questões como dívida com a União, incidência de juros, multas, e a pessoa física pode ficar impossibilitada, por exemplo, de buscar financiamentos e empréstimos”, explica a contadora.
 

Continua após a publicidade
google.com, pub-9319522921342289, DIRECT, f08c47fec0942fa0

Outros problemas relacionados à inadimplência do MEI são o impedimento de emissão de notas fiscais e da realização de operações comerciais, e até mesmo ter as contas bancárias em nome da empresa bloqueadas.
 

O que mudou?

Continua após a publicidade
google.com, pub-9319522921342289, DIRECT, f08c47fec0942fa0

Em janeiro deste ano, o Governo Federal confirmou o reajuste no salário mínimo, passando de R$1.212,00 para R$1.302,00. Na ocasião, o aumento impactou nos valores da Guia DAS que ficaram mais caras. O último reajuste, válido desde o dia 1º de maio, elevou o salário mínimo para R$ 1.320,00. Por este motivo, o Documento de Arrecadação do Simples Nacional (DAS), conhecido como Guia DAS terá um novo aumento a partir do próximo mês.
 

Os MEIS que têm como atividade, comércio, indústria e transporte entre estados e municípios, pagam os 5% referente ao INSS (Previdência Social) + o imposto de R$ 1,00 referente ao ICMS — Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços. Já os empreendedores que prestam serviço em geral pagam os 5% referente ao INSS + R$ 5,00 referente ao ISS — Imposto Sobre Serviços. A única categoria com porcentagem diferente é o MEI Caminhoneiro, que deve pagar o equivalente a 12% para o INSS + ICMS R$1,00 + ISS R$5,00.
 

Continua após a publicidade
google.com, pub-9319522921342289, DIRECT, f08c47fec0942fa0

Com isso, a tabela de valores da guia DAS MEI ficou assim a partir de 01/05/2023:
 

Comércio ou indústria: R$ 67,00.

Prestação de serviços: R$ 71,00 = R$ 66,00 + ICMS R$ 5,00.

Comércio e prestação de serviços: R$ 71,10.

MEI Caminhoneiro: R$158,40 +ICMS R$5 + ISS R$ 1 = R$164,40.
 

O que acontece se o responsável por um CPNJ parar de pagar as guias e esquecer de dar baixa na empresa?

Isso afeta a vida pessoal de quem empreende, dificultando o acesso a empréstimos e financiamentos, por exemplo.

E, por conta disso, o seu nome passa a ficar sujo na dívida ativa da União, e provavelmente terá crédito e financiamento negados no mercado.

 

Existe um limite de guias que podem ficar em atraso? Quais problemas isso pode causar? As mudanças recentes trouxeram novas penalidades?
 

O cancelamento do CNPJ do Microempreendedor Individual só acontece ou por vontade do próprio empresário, mediante solicitação, ou no caso de a empresa permanecer dois anos(24 DAS) sem cumprir com o pagamento dos impostos e sem entregar a Declaração Anual Simplificada (DASN).

 

As mudanças recentes continuam com as mesmas penalidades anteriores.

 

Como se regularizar? Realizando o pagamento ou parcelamento das guias DAS.
 

É possível parcelar as dívidas junto a Receita Federal enquanto os débitos não forem enviados para inscrição em Dívida Ativa da União. Após o envio, o parcelamento deve ser solicitado junto a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional(PGFN).

 

Só é possível fazer o parcelamento das suas dívidas declaradas através da declaração anual (DASN). A negociação envolve todas as dívidas, atualizadas com os devidos acréscimos legais até a data do pagamento da entrada.

 

O parcelamento pode ser feito em até 60 (sessenta) vezes, mas a parcela mínima é de R$ 50,00 (cinquenta reais). O microempreendedor não pode escolher o número de parcelas.

 

Outra opção é utilizar uma plataforma como a MaisMei. Nela, o microempreendedor pode realizar todos os procedimentos relacionados ao CNPJ, de forma rápida e com auxílio de especialistas em contabilidade. Basta baixar, se cadastrar e seguir os passos que o software apresenta, intuitivamente. Com dois anos de operação, a MaisMei já ultrapassou a marca de 1,6 milhão de usuários.

Por Caíque Teixeira Rocha.