Justiça Nota
Abraji repudia ataques on-line a fotojornalista da Reuters.
Alguns parlamentares estão usando imagens que mostram um repórter fotográfico da Reuters registrando cenas de vandalismo e interagindo com invasores durante os ataques a prédios públicos de Brasília em 8 de janeiro.
26/04/2023 00h56
Por: Fábio Costa Pinto Fonte: abraji.org.br
Foto: Reprodução internet

Alguns parlamentares — para corroborar com a disseminação de teoria conspiratória de que os ataques a prédios públicos de Brasília em 8 de janeiro teriam sido realizados por infiltrados — estão usando imagens que mostram um repórter fotográfico da Reuters registrando cenas de vandalismo e interagindo com invasores. 

Além dessas imagens, os deputados Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e Bia Kicis (PL-DF) chegaram a afirmar que ele é petista por ter coberto, como fotógrafo, a posse do presidente Lula e seu dia a dia em Brasília. O fotógrafo exposto nas redes dos congressistas tinha a mesma função durante o governo anterior. As redes sociais do fotojornalista, onde seu trabalho é apresentado, estão lotadas de fotos dessas duas figuras de interesse público.

As publicações dispararam um movimento de seguidores dos deputados, que passaram a ofender e perseguir o repórter fotográfico.

O jornalista em questão, como outros colegas, registrou um dos momentos mais tensos e desastrosos da República. Não interferiu no ato de vandalismo praticado ali. Não é o seu papel. As imagens mostram o jornalista trabalhando em meio ao caos e interagindo minimamente com os manifestantes, que chegaram a ferir, roubar, agredir, expulsar e ofender dezenas de profissionais naquele 8 de janeiro.

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Estar paramentado e protegido com capacete e máscara é praxe na cobertura de manifestações violentas e não seria diferente no caso de uma invasão aos prédios dos Três Poderes.

Ao insinuar sem evidências que o jornalista estaria envolvido num pretenso autogolpe, os parlamentares promovem perseguição a profissionais que estavam fazendo o seu trabalho e mobilizam seus seguidores, que dificultam o exercício do jornalismo.

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Abraji repudia essa tentativa de intimidação e se solidariza com o fotógrafo e com seus colegas em Brasília que, naquele 8 de janeiro, tentaram trazer luz a esse obscuro momento da história brasileira.

Diretoria da Abraji, 25 de abril de 2023.

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