É importante observar que o sistema de educação no Brasil e na Bahia é composto por estruturas e políticas educacionais voltadas para a educação infantil, pré-escola, ensino fundamental, ensino médio, ensino médio técnico e ensino superior e que a educação sempre foi vista como um dos principais fatores de desenvolvimento econômico e social de um país ou de uma região. Cabe ressaltar que a educação operou como um dos principais fatores impulsionadores do desenvolvimento do Japão na década de 1970, da Coreia do Sul na década de 1980 e da China a partir da década de 1990, da mesma forma que contribuiu para os avanços econômicos e sociais dos países escandinavos (Suécia, Dinamarca, Noruega, Finlândia e Islândia) após a Segunda Guerra Mundial e para o desenvolvimento científico e tecnológico dos Estados Unidos e dos demais países industrializados.
Cabe observar que a educação sempre foi considerada, também, como a garantia da obtenção de um emprego bem remunerado, de ascensão social para as camadas mais baixas da população e de redução das desigualdades sociais. A educação sempre foi vista, também, como o meio através do qual os seres humanos podem adquirir os conhecimentos necessários para poder pensar e construir um mundo melhor. A educação é um dos meios através dos quais os indivíduos e a comunidade em geral se informam sobre o que acontece nos campos da economia, da ciência e tecnologia, do meio ambiente e das relações internacionais, entre outras e, em consequência, passam a ter condições de interpretar corretamente a realidade em que vive e, poder transformar a sociedade em que vivemos.
A análise do sistema de educação brasileira, em geral, e da Bahia, em particular, permite constatar que atravessam uma crise sem precedentes. Esta crise resulta, de um lado, da falta de investimentos no sistema de educação do Brasil e da Bahia que faz com que ele se torne ineficiente e ineficaz e, de outro, da falta de políticas governamentais que contribuam para a superação dos problemas atuais da educação e para sua adequação às mudanças científicas e tecnológicas em curso que impactam sobre o mundo do trabalho e a sociedade em geral. O fato de o sistema de educação da Bahia ser ineficiente e ineficaz impede que ele opere como fator de desenvolvimento econômico e social e contribua para a ascensão social das camadas mais baixas de sua população. A inexistência de uma política de educação ajustada às mudanças científicas e tecnológicas em curso impede, também, que o Brasil e a Bahia aumentem a produtividade de seus trabalhadores e comprometa seu desenvolvimento econômico e social.
Para propor estratégias de desenvolvimento do sistema de educação da Bahia, cumprimos as etapas seguintes: 1) Diagnóstico do sistema de educação da Bahia; 2) Análise da política educacional do governo federal e suas consequências sobre o Brasil e a Bahia; 3) Análise dos fatores de sucesso dos melhores sistema de educação do mundo; 4) Requisitos da educação do futuro na Bahia para lidar com as mudanças na sociedade brasileira; e, 5) Proposta de estratégias para superar as fragilidades do sistema de educação da Bahia, lidar com as políticas educacionais do governo federal, alcançar o mesmo sucesso dos melhores sistemas de educação do mundo e adequar o sistema de educação da Bahia às mudanças na sociedade brasileira impactada pelas mudanças tecnológicas em curso.
Na parte relativa ao “Diagnóstico do sistema de educação da Bahia”, algumas de suas principais conclusões são a de que a educação básica (ensino fundamental e ensino médio) da Bahia vem apresentando péssimo desempenho e é bastante elevada a evasão escolar dos estudantes da Bahia e de que o ensino superior da Bahia apresenta desempenho insatisfatório quando suas universidades são comparadas com outras no mundo, na América Latina e no Brasil. No mundo, as universidades na Bahia estão muito distantes das melhores universidades.
Na parte relativa à “Análise da política educacional do governo federal e suas consequências sobre o Brasil e a Bahia”, algumas de suas principais conclusões são a de que apenas cinco das 20 metas do Plano Nacional de Educação elaborado em 2014 foram parcialmente cumpridas, que o investimento na educação do Brasil, que tem sido declinante de 2015 até o momento atual, tem sido insuficiente para solucionar todos os seus problemas e que a política educacional do governo federal impacta negativamente sobre o desenvolvimento da educação da Bahia.
Na parte relativa à “Análise dos fatores de sucesso dos melhores sistemas de educação do mundo” como os da Finlândia, da Coreia do Sul, da China, do Japão, de Cuba, dos Estados Unidos e da França, algumas das principais conclusões são a de que o sistema de educação da Bahia está muito distante da prática exitosa destes países, que há insuficiência do investimento em educação por aluno no Brasil e na Bahia quando comparado com o que ocorre nos países desenvolvidos e que, se o Brasil em geral e a Bahia, em particular, quisesse se igualar aos países desenvolvidos em termos de investimentos por aluno, deveria mais do que triplicar seus investimentos com o setor educacional.
Na parte relativa aos “Requisitos da educação do futuro na Bahia para lidar com as mudanças na sociedade brasileira” algumas das principais conclusões são a de que a educação no Brasil do futuro deveria estar apoiada na concepção de três grandes pensadores, os brasileiros Anísio Teixeira e Paulo Freire e o francês Edgar Morin, que deveria haver a universalização do ensino com o sistema de educação a distância e que deveria realizar uma ampla revolução no ensino em todos os níveis contemplando a qualificação dos professores e a estruturação das unidades de ensino para prepararem seus alunos para um mundo do trabalho em que as pessoas terão que lidar com máquinas inteligentes.
Foram propostas 9 estratégias para superar as fragilidades atuais do sistema de educação da Bahia, 11 estratégias para lidar com as políticas educacionais do governo federal, 18 estratégias para alcançar o mesmo sucesso dos melhores sistemas de educação do mundo e 13 estratégias para adequar o sistema de educação da Bahia às mudanças na sociedade brasileira impactada pelas mudanças tecnológicas em curso. As principais estratégias adotadas são as seguintes:
Principais estratégias para superar as fragilidades atuais do sistema de educação da Bahia
· Promover investimentos para melhorar o desempenho do sistema de educação da Bahia visando oferecer educação de qualidade e elevar o IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica).
· Adotar medidas de assistência social aos alunos para combater a evasão escolar dos estudantes da Bahia e para melhorar a defasagem idade-série para todas as etapas da escolaridade.
· Elevar a capacitação dos docentes para desenvolver suas atividades.
Principais estratégias para lidar com as políticas educacionais do governo federal
· Propor ao futuro governo federal o fim da Emenda Constitucional 95 do Teto de Gastos, aprovada em 2016 que compromete o desenvolvimento da educação no Brasil.
· Propor ao futuro governo federal a elaboração de um novo Plano Nacional de Educação voltado para o futuro objetivando aumentar o número de unidades educacionais de qualidade, com bons gestores, docentes e infraestrutura com capacidade de motivar os alunos e promover uma aprendizagem significativa, complexa e abrangente.
· Propor ao futuro governo federal a elaboração de um novo Plano Nacional de Educação que estabeleça novo plano de carreira, formação e valorização de gestores educacionais e professores, com políticas consistentes de formação de docentes para preparar os melhores professores, remunerá-los bem e qualificá-los melhor e políticas inovadoras de gestão que levem os modelos de sucesso de gestão para a educação básica e superior.
Principais estratégias para alcançar o mesmo sucesso dos melhores sistemas de educação do mundo
· Elevar o patamar de qualidade da educação da Bahia realizando maciço investimento principalmente na formação dos professores, em material de apoio e na melhoria da estrutura e funcionamento das instituições de ensino.
· Priorizar a educação básica e, só quando esta se tornar universal, deve destinar recursos para o ensino superior.
· Promover a seleção e formação de professores de ponta, com reconhecimento profissional e boas condições de trabalho.
· Promover a mais adequada articulação entre o sistema de educação da Bahia, professores e famílias que é decisiva para o sucesso do processo educacional.
Principais estratégias para adequar o sistema de educação da Bahia às mudanças na sociedade brasileira impactada pelas mudanças tecnológicas em curso
· Adotar como diretriz para a educação da Bahia no futuro a concepção de três grandes pensadores: os brasileiros Anísio Teixeira e Paulo Freire e o francês Edgar Morin.
· Considerar como novas responsabilidades da escola educar em vez de instruir, formar homens livres em vez de homens dóceis e capacitá-los para fazer frente às incertezas do futuro.
· Promover a educação para o desenvolvimento econômico e para a construção da democracia.
· Adotar a política de que o educando deve “aprender a aprender”, saber resolver problemas, desenvolver hábitos de solidariedade, de participação, de investigação e, ainda, criar disposições mentais críticas e oportunidades de participação no próprio comando da escola, tendo o autogoverno como uma das principais preocupações.
· Desenvolver a educação mostrando uma visão totalizante estabelecendo as relações entre as partes e o todo ao contrário do que ocorre na atualidade que impõe o conhecimento fragmentado de acordo com as disciplinas.
· Universalizar o ensino com a utilização do sistema de educação a distância (EAD).
· Identificar o papel dos seres humanos no mundo do trabalho em um futuro com mudanças profundas em toda a sociedade para realizar uma ampla revolução no ensino em todos os níveis contemplando a qualificação dos professores e a estruturação das unidades de ensino para prepararem seus alunos para um mundo do trabalho em que as pessoas terão que lidar com máquinas inteligentes. Os currículos das unidades de ensino em todos os níveis devem ser profundamente reestruturados para atingirem esses objetivos.
Para assistir o vídeo abordando este tema, acessar o website <https://www.youtube.com/
* Fernando Alcoforado, 82, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.