Segurança ABRAJI
Um mês depois de agressão a repórter e fotógrafo, suspeitos ainda não foram ouvidos pela polícia.
Queiroz foi obrigado a apagar fotos e Cafardo foi empurrada para cair em uma área alagada, além de serem xingados e expulsos do lugar.
21/03/2023 20h23
Por: Fábio Costa Pinto Fonte: abraji.org.br
Foto: Reprodução internet

A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo confirmou à Abraji que, passado um mês da agressão sofrida pela equipe de reportagem do Estadão no litoral paulista, os suspeitos ainda não foram ouvidos. Renata Cafardo e Tiago Queiroz foram agredidos em 21.fev.2023 ao fazer a cobertura da tragédia ambiental de São Sebastião. Eles conversavam com moradores do condomínio de luxo Vila de Anoman, em Maresias, na cidade de São Sebastião, quando um grupo de moradores agrediu os dois profissionais. O fotógrafo Tiago Queiroz foi obrigado a apagar fotos e Renata Cafardo foi empurrada para cair em uma área alagada. Eles foram xingados e expulsos do lugar.

Dada a gravidade do episódio, o ministro da Justiça, Flávio Dino, cobrou a apuração do caso, assim como organizações de liberdade de imprensa, incluindo a Abraji. O caso, no entanto, segue não esclarecido. Em nota à Abraji, a Secretaria de Segurança Pública afirmou: “a jornalista e o fotógrafo foram ouvidos e deram suas versões. A equipe de investigação foi até o local e identificou quatro suspeitos e, como não residem no local dos fatos, expediu-se cartas precatórias para as respectivas oitivas. Até o momento não obtivemos imagens das câmeras de segurança, pois o sistema estava inoperante. Expediu-se uma ordem de serviço para localizar outras testemunhas presenciais. Quanto às cartas precatórias, devem ser cumpridas ainda neste mês.”

O empresário do setor de autopeças Marcelo Elmôr, 55, o empresário de tecnologia Carlos Eugênio Moraes, 52, conhecido por Geo, e a dona de joalheria Anita Adams Klein, 43, e o advogado Marcelo Kyoshi Harada estão entre os suspeitos arrolados no inquérito. Ao saber da denúncia, Harada fez um boletim de ocorrência contra a vítima, afirmando que apenas apartou a situação. A Abraji tentou falar com os suspeitos, mas não obteve resposta.

Apesar de a polícia não ter obtido registros de câmeras de segurança, os repórteres apresentaram diversas imagens que identificam os suspeitos e suas ações. As imagens foram amplamente utilizadas pela imprensa e, por elas, os suspeitos foram identificados. A Abraji tentou contato com o delegado responsável pelo caso em São Sebastião, mas ele não retornou os pedidos de entrevista.

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No ano passado, a violência contra jornalistas aumentou 69,22%, de acordo com monitoramento da Abraji. A impunidade é uma das engrenagens que mantêm esse índice de violência em crescimento. Mais uma vez a Abraji condena esses atos violentos e exorta as autoridades paulistas a esclarecer o crime e responsabilizar seus autores. 

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