Educação Minas Gerais
Ações da Secretaria de Educação promovem uma educação mais humana e inclusiva 
Estudantes com síndrome de Down da rede estadual recebem uma didática pedagógica específica, além de participarem ativamente do cotidiano escolar 
21/03/2023 18h26
Por: Fábio Costa Pinto Fonte: Secom Minas Gerais
E.E. José Ermírio de Morais / Divulgação

Com o intuito de promover uma educação cada vez mais inclusiva, agregar e aproximar toda a comunidade escolar, a Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais (SEE/MG) oferece estratégias pedagógicas adaptadas e direcionadas ao atendimento de estudantes com síndrome de Down. Além da oferta dos Atendimentos Educacionais Especializados (AEEs), os estudantes têm acesso a atividades adaptadas de acordo com os conteúdos, que estimulam a parte cognitiva, atenção, percepção, memória, coordenação motora e aspectos comportamentais. 

De acordo com a coordenadora de Educação Especial e Inclusiva da SEE/MG, Suéllen Cristina Coelho, a interação e a socialização dos estudantes com seus colegas, professores e demais pessoas do ambiente escolar é também essencial.

“O processo de aprendizagem acontece, também, por meio das relações que existem entre os sujeitos e o ambiente que os cercam. Dessa forma, a escola se constitui em um local social por excelência. Possibilitar um ambiente escolar no qual haja relações sociais entre os estudantes da educação especial e os outros atores — professores, colegas e demais profissionais da escola — favorece o desenvolvimento cognitivo, emocional e social de todos”, explica a coordenadora. 

As atividades cognitivas e sociais já são rotina na Escola Estadual José Ermírio de Morais, em Três Marias, onde a estudante Bruna Micaela Leite de Jesus cursa o 2° ano do Ensino Médio em Tempo Integral (EMTI). Ela gosta de atividades sociais como a dança, em que tem a oportunidade de interagir e criar laços com os demais colegas. Segundo o diretor da instituição, José Augusto de Mesquita, os alunos com deficiência e/ou síndromes são incluídos nas atividades em grupo, apresentações, danças, esportes, jogos e nas diversas atividades que acontecem durante as aulas. 

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Lucas Vechi Lana, estudante do 7º ano do ensino fundamental da Escola Estadual Carlos Trivellato, em Ponte Nova, além de participar de exercícios voltados para o desenvolvimento cognitivo, também se envolve em atividades sociais, como atividades esportivas e festas comemorativas, como a junina. A  professora da sala de recursos da instituição, Maria Marta Albergaria, aponta que a didática pedagógica é toda adaptada para atender, individualmente, cada estudante. “Para trabalhar com os alunos com síndrome de Down, fazemos uma adaptação de conteúdo de acordo com a necessidade e pré-requisitos que eles possuem”, conta a professora. 

“A convivência com os demais alunos proporciona o apreço às diferenças e o reconhecimento do quão positiva é a convivência com a diversidade, fazendo com que os alunos com síndrome de Down se sintam acolhidos, respeitados e, acima de tudo, vistos em sua totalidade humana: sensibilidade e plenas condições de aprendizagem”, é o que destaca a diretora da Escola Estadual Benedito Valadares, em Raul Soares, Tatiani Evangelina Gomes Sant'Ana. “Vale ressaltar que a inclusão não deve ser responsabilidade somente do professor que está em sala de aula, é importante que toda a equipe escolar esteja envolvida nesse processo.”, completa a diretora.

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A E.E. Benedito Valadares é o cenário em que o estudante Vitor Emanuel Carneiro Pires, do 9º ano do ensino fundamental, aprende se divertindo. A mãe do estudante, Helenice Carneiro Grillo Pires da Silva, afirma que o carinho com que todos os profissionais o tratam faz toda a diferença. “Encontrar pessoas dispostas a acolhê-lo e inseri-lo no meio social, sem preconceito, foi algo que o fez crescer e desenvolver cada vez mais”, analisa. 

Estratégias pedagógicas de inclusão

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Assim que são matriculados na rede estadual de ensino, os estudantes da educação especial passam por uma avaliação pedagógica para identificar qual o Atendimento Educacional Especializado (AEE) melhor atenderá suas especificidades pedagógicas. Todo o início de ano letivo é construído o Plano de Desenvolvimento Individual (PDI), que deve ser atualizado ao longo de cada bimestre escolar. Com esse instrumento é possível realizar o acompanhamento da aprendizagem de forma a considerar as habilidades, potencialidades, especificidades desses estudantes, bem como avaliar os objetivos alcançados.

Esses atendimentos, de acordo com a Resolução nº 4256/2020, são oferecidos para auxiliar no processo de aprendizagem desses estudantes. Além dos AEE, também são disponibilizadas intervenções pedagógicas e a possibilidade de reforço escolar com o objetivo de atender às especificidades de aprendizagem apresentadas pelos estudantes. 

As estratégias de inclusão e adaptação são realizadas considerando as especificidades dos estudantes. “A aprendizagem não acontece da mesma forma para todos os alunos. Nesse sentido, é preciso considerar o estudante em uma perspectiva histórico-cultural, no qual as informações trazidas pelas famílias, as relações sociais e a afetividade contribuem para o conhecimento pedagógico acerca do processo de aprendizagem e favorecem a construção de estratégias pela equipe pedagógica e adaptações que vão ao encontro das necessidades apresentadas pelos estudantes.”, ressalta a coordenadora Suéllen Coelho. 

Com o objetivo de aperfeiçoar o trabalho dos profissionais que atuam junto aos estudantes da educação especial, a SEE/MG conta com 47 Centros de Referência em Educação Especial Inclusiva (CREIs) em todo o estado. Além de oferecerem cursos de formação continuada para os profissionais da rede estadual de ensino, os CREIs também auxiliam as escolas na adaptação de materiais pedagógicos acessíveis, de forma a atender às necessidades dos estudantes com deficiência.