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Deputadas cobram justiça para assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes
Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados Para deputadas, assassinato de Marielle é violência política de gênero Em sessão solene na Câmara dos Deputados...
15/03/2022 13h20
Por: Fábio Costa Pinto Fonte: Agência Câmara de Notícias

Em sessão solene na Câmara dos Deputados, nesta terça-feira (15), deputadas cobraram justiça para o assassinato da vereadora Marielle Franco e seu motorista, Anderson Gomes, no Rio de Janeiro. O crime completou quatro anos nesta segunda-feira (14). Dois homens acusados de serem os executores do crime aguardam julgamento, mas as investigações ainda não concluíram quem mandou matar a parlamentar e por que o crime aconteceu.

Líder do Psol na Câmara, que era o partido de Marielle, a deputada Sâmia Bomfim (Psol-SP) foi uma das que exigiu justiça e ressaltou que milícias e milicianos têm relação com o crime. “Aqueles que retiraram a vida de Marielle naquela noite tinham o objetivo, sem dúvida, de tentar calar sua voz, as suas ideias, os seus objetivos, a sua atuação política”, disse. Para Sâmia, porém, Marielle vive na reprodução de suas ideias. Ela saudou ainda o fato de muitas mulheres negras e LGBT, como Marielle, terem se inspirado a fazer política a partir do exemplo da vereadora.

A deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), por sua vez, salientou que o crime é de violência política de gênero e que o mundo inteiro aguarda a resposta para ele. “Quanta dor acumulada porque não há resposta. Para além da ausência, não há resposta. Aparece quem atirou, que dirigiu o carro, mas não se diz quem mandou, o por quê. Muitas são as teses, as especulações, as interpretações. Nós podemos até ter as nossas certezas, mas é preciso que se esclareça. Não há resposta maior do que o esclarecimento e a punição para a violência política de gênero”, disse.

Simbologia
A deputada Talíria Petrone (Psol-RJ) chamou a atenção para a simbologia em torno do assassinato. “Marielle, mulher negra, num País do feminicídio, que é o quinto país com maior índice de feminicídios no mundo e em que o feminicídio é negro. Marielle, mulher favelada, em que a favela é alvo do braço armado do Estado, mas lá não chega o SUS, não chega creche”, citou. Ela acrescentou que Marielle era defensora dos direitos humanos e que o País é um dos que mais assassina ativistas dos direitos humanos no mundo. Para ela, a execução política de Marielle por pessoas ligadas à milícia significa retrocesso democrático.

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Para a deputada Erika Kokay (PT-DF), as idas e vindas na investigação e o sigilo que se tenta impor a ela ocorrem porque “o crime mexe nos cernes de um poder que se associa com milícias e com jagunços”. Ela também destacou a simbologia do crime: “O extermínio de Marielle Franco representa o ataque frontal, a bala no corpo da democracia, balas no corpo de cada mulher negra deste País, balas no corpo de todas que ousam descer os morros e assumir os palanques e as tribunas que eles negam ao povo brasileiro.”

Sâmia Bomfim: mulheres se inspiraram a fazer política a partir do exemplo de Marielle - (Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados)

Golpe contra a democracia
Em discurso lido no Plenário, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), enfatizou que o assassinato foi um golpe contra a democracia brasileira. Segundo ele, o crime foi uma tentativa de calar a vereadora, de interromper os projetos políticos por ela defendidos, além de uma tentativa de sufocar as vozes dos cidadãos e cidadãs que defendem as mesmas causas que a vereadora. “A afronta à representatividade política no Brasil é também uma afronta à esta Casa e ao povo desta nação”, completou.

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Presidente do Psol, Juliano Medeiros observou que muitas parlamentares ainda hoje se sentem inseguras para exercer seu mandato, e necessitam de proteção policial, como no caso da deputada Talíria Petrone. Para ele, por esse e outros tantos motivos, a democracia brasileira está incompleta. Ele demonstrou indignação com “manobras para que caso não seja concluído” e com a não condenação de nenhum dos assassinos.

Antônio Francisco, pai de Marielle, também ressaltou que o crime não pode ficar impune em prol da democracia. “Se não conseguimos dar essa resposta, não vamos ter uma democracia sadia no Brasil”, avaliou.

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Para Agatha Arnaus, viúva do motorista Anderson Gomes, ele representa cada brasileiro que é assassinato e o crime não tem resposta, cada trabalhador que sai de casa e está à mercê da violência, principalmente no Rio de Janeiro.

Extermínio de corpos negros
De acordo com Danielle Sanchez, do Coletivo de Mulheres Negras Yaa Asentewa, a política construída no País - heteressexual, branca, cisgênero e masculina - não está acostumada a ver mulheres pretas e periféricas, como Marielle, ocupando esses espaços. “A política genocida segue limando corpos negros”, frisou. “Lutar por justiça por Marielle é lutar para que outras violências políticas de gênero não aconteçam”, acrescentou.

A cantora Nana Matos também participou da sessão e prestou homenagem à Marielle.  Ela também condenou os mecanismos "excludentes, patriarcais e embraquecidos" da política brasileira.