Educação Ceará
Educação para as relações étnico-raciais será marca do ano letivo de 2023
O Governo do Ceará, por meio da Secretaria da Educação (Seduc), reconhece a importância do debate em torno das relações étnico-raciais nos ambiente...
19/01/2023 16h11
Por: Fábio Costa Pinto Fonte: Secom Ceará
Foto: Reprodução/Secom Ceará

O Governo do Ceará, por meio da Secretaria da Educação (Seduc), reconhece a importância do debate em torno das relações étnico-raciais nos ambientes de ensino e aprendizagem, para a promoção da justiça social e da cultura antirracista. Com esta premissa, a temática será abordada ao longo de todo o ano letivo de 2023 nas escolas da rede pública estadual, perpassando tanto o currículo, como as interações pessoais em suas diversas formas.

Para fortalecer a pauta, a Secretaria Executiva de Ensino Médio e Profissional (Sexec-EMP) orientou todas as 20 Coordenadorias Regionais de Desenvolvimento da Educação (Crede) e Superintendência das Escolas Estaduais de Fortaleza (Sefor) a promoverem o assunto nos encontros pedagógicos que ocorrem a cada início de ano, envolvendo gestores escolares e professores.

A secretária executiva Jucineide Fernandes explica que a questão da equidade racial será tratada de forma interdisciplinar e transversal junto aos estudantes.

“Precisamos reconhecer a existência do racismo e desenvolver ações no sentido de promover o letramento racial. Gestores e professores precisam entender esse conceito, para que sejam impulsionadores dessas temáticas no cotidiano das escolas. A Lei 10.639, que incluiu no currículo oficial das redes de ensino o estudo sobre História e Cultura Afro-Brasileira, está completando 20 anos em 2023. Queremos reforçar a presença desse tema não apenas em momentos pontuais, mas no currículo e no dia a dia das escolas. Na perspectiva curricular, entendemos que é necessário superar a visão eurocêntrica no ensino da história, da arte e da literatura”, ressalta Jucineide.

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Foto: Reprodução/Secom Ceará

Estruturação

A gestora lembra que a Seduc já tem avanços consolidados nesta área, possuindo inclusive uma equipe dedicada à causa das relações étnico-raciais. Além disso, o órgão já publicou e-books e promoveu curso direcionado a educadores, entre outras ações.

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“Neste ano abordaremos o tema no Seminário Escola Espaço de Reflexão, um dos principais eventos anuais da Seduc, realizado com o propósito de mobilizar as unidades de ensino da rede estadual em torno do debate sobre a formação crítica e reflexiva dos estudantes”, anuncia a secretária executiva.

Ação permanente

O secretário executivo Helder Nogueira entende ser necessário um trabalho continuado em prol da equidade racial, que esteja incluído nas várias iniciativas pedagógicas promovidas nas escolas. Além disso, é preciso observar aspectos relativos à linguagem e aos costumes vivenciados no dia a dia da escola, com toda a comunidade, buscando evitar o uso de expressões enraizadas no cotidiano e que tenham cunho racista.

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“Precisamos compreender as múltiplas desigualdades que existem na sociedade brasileira. Equidade significa tratar os desiguais considerando as suas desigualdades, para entender que eles têm pontos de partida e trajetórias distintas ao longo da vida. No aspecto étnico-racial, partindo do pressuposto que existe um racismo estrutural no Brasil, trabalhar a equidade é fundamental. E não quer dizer que estejamos dando evidência a uma minoria, mas a uma maioria, que infelizmente ainda encontra dificuldade de conseguir êxito na construção de seus projetos de vida”, aponta Helder.

Foto: Reprodução/Secom Ceará

Projeção cultural

Para tanto, conforme explica o secretário executivo, uma das estratégias é apresentar, durante as aulas, personagens negros que sejam referência em suas áreas de atuação, como ciência, cultura, política e educação, de modo que os estudantes possam construir suas identidades observando exemplos existentes.

“Na Física, a partir de uma questão que traga no enunciado uma corrida de Fórmula 1, é possível citar o piloto inglês Lewis Hamilton, que é negro e um dos principais referenciais do esporte”, demonstra Helder.

Outra projeção dos secretários executivos para o ano de 2023 é a realização de um grande encontro, durante a Semana da Consciência Negra, no mês de novembro, para avaliar e reconhecer o que a rede pública estadual cearense conseguiu avançar na pauta ao longo do período. Nesta oportunidade, serão destacadas as boas práticas desenvolvidas pelas escolas relacionadas ao debate étnico-racial, nas várias dimensões possíveis.