Saúde Paraná
Conferência da Saúde Mental fecha 12 propostas para pautar discussão nacional
Após dois dias de debates, os participantes dos grupos de trabalho da V Conferência Estadual de Saúde Mental do Paraná , que iniciou na terça-feira...
28/10/2022 17h05
Por: Fábio Costa Pinto Fonte: Secom Paraná
Foto: Danilo Avanci/SESA

Após dois dias de debates, os participantes dos grupos de trabalho da V Conferência Estadual de Saúde Mental do Paraná , que iniciou na terça-feira (25), elegeram 12 propostas de ação para ampliação dos serviços no Estado. Na ocasião, foram eleitos também 64 delegados para representar o Paraná na etapa nacional, que acontecerá em 2023, em Brasília.

Temas como a fonte de recursos públicos, educação continuada e permanente, controle social, acompanhamento, planejamento e monitoramento da política pública, fortalecimento da vigilância em saúde e os desafios para o cuidado psicossocial foram alguns dos pontos tratados.

Os conferencistas e participantes tiveram um dia e meio para apreciar as propostas, que foram debatidas nos encontros regionais. Nesta quarta-feira (26), antes do encerramento do evento, os pontos principais foram escolhidos pelos delegados.

Segundo o secretário de Estado da Saúde, Beto Preto, a conferência é o momento crucial para estabelecer as metas e diretrizes que o sistema precisa implementar. “A partir desse encontro vamos ampliar o nosso conhecimento sobre a realidade dos serviços e atendimentos de saúde mental. Essa conferência resultou em 12 propostas, que agora serão debatidas em âmbito nacional e futuramente poderão colaborar para a melhoria da qualidade da assistência prestada na Rede de Atenção Psicossocial”, disse.

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No Paraná, somente este ano já aconteceram 22 conferências regionais (uma por Região de Saúde), além de cinco municipais (Curitiba, Maringá, Londrina, Ponta Grossa e Cascavel), para ampliar e fortalecer os programas e ações de saúde mental no Estado.

“Poder ouvir, discutir e entender as necessidades de quem utiliza o serviço nos traz clareza sobre como aprimorar a política estadual de saúde nesta área para que possamos ajustar, investir e reverter a lógica do financiamento da Atenção Hospitalar para a Atenção Primária em Saúde, além de investir na capacitação das nossas equipes para que cada vez mais estejam engajadas e comprometidas com o atendimento humanizado, acolhedor e cuidadoso dessas pessoas”, afirmou a diretora de Atenção e Vigilância da Sesa, Maria Goretti David Lopes.

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O presidente do Conselho Estadual de Saúde do Paraná, Rangel da Silva, enfatizou que as 12 propostas elencadas foram amplamente discutidas e alinhadas de acordo com a necessidade de cada região e cidade paranaense. “Isso é muito positivo, pois dessa forma temos a clareza do que é preciso melhorar na política pública da saúde mental, especificamente aqui no nosso Estado”, finalizou.

Confira um resumo das 12 propostas: 

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- Garantir a política de redução de leitos do Sistema Único de Saúde (SUS) nos hospitais psiquiátricos, seguindo a orientação da Lei Federal nº 10.216/2001, a partir da ampliação dos leitos de saúde mental em hospital geral.

- Garantir a implantação e financiamento do programa para supervisão clínico-institucional dos CAPS.

- Revogar a Resolução Conad nº 01/2018 que reforça o estigma sobre as pessoas que fazem uso de substâncias psicoativas.

- Elaborar e implantar políticas públicas que criem e habilitem equipes multidisciplinares de saúde mental (médico, psicólogo, psicopedagogo, assistente social, entre outros) nas escolas.

- Manter e aprimorar o modelo assistencial da RAPS, conforme preconizado pela Reforma Psiquiátrica, fortalecendo o CAPS com ações intra e intersetoriais.

- Revogar a Portaria GM/MS nº 2.979/2019 que incentiva o desmonte do Núcleo Ampliado de Saúde da Família (NASF), garantindo o financiamento federal e estadual de forma equânime.

- Instituir incentivos financeiros específicos tripartite para a área de saúde mental, tanto para ampliação como para manutenção dos pontos de atenção da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) nos municípios.

- Garantir a execução de diferentes processos de educação permanente dos profissionais da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), investindo na especialização do cuidado comunitário.

- Criar e potencializar políticas intersetoriais, protocolos e estratégias territoriais que garantam a participação de usuários, principalmente aqueles que apresentam condições de vulnerabilidade e riscos em saúde mental.

- Qualificar os processos de trabalho das equipes de Atenção Primária à Saúde (APS) para implementação da atenção integral.

- Garantir a jornada de trabalho de 30 horas semanais para os profissionais, sem redução salarial, para melhor qualidade de vida do trabalhador de saúde.

- Criar e implementar um plano de atendimento voltado para a saúde do trabalhador do Sistema Único de Saúde (SUS).