Saúde Goiás
HGG supera média mensal de transplantes de rins
Referência na realização de transplantes renais e hepáticos no estado, hospital do Governo de Goiás mais que dobrou, na primeira quinzena de outubro, a média mensal de procedimentos
19/10/2022 15h00
Por: Fábio Costa Pinto Fonte: Secom Goiás
Foto: Reprodução/Secom Goiás

O Hospital Estadual Dr. Alberto Rassi (HGG) comemora a realização de 15 transplantes renais na primeira quinzena de outubro. Segundo o nefrologista do HGG, Afonso Nascimento, o número supera a média mensal de 2022, que é de seis procedimentos na unidade de saúde do Governo de Goiás. 

“Esse é um resultado muito positivo e que se deve às constantes campanhas de conscientização sobre doação de órgãos e o trabalho realizado nas unidades de saúde, conversando com as famílias e garantindo a seriedade de todo o processo de doação”, afirma o médico da unidade de saúde do Governo de Goiás.

Afonso explica que o número de transplantes no Brasil poderia ser maior e, entre os principais desafios enfrentados hoje, estão o número insuficiente de doadores efetivos, o baixo índice de notificações de morte encefálica, além do elevado índice de recusa familiar, que chega a 43 %, segundo dados do Registro Brasileiro de Transplantes (RBT). 

“Com base em informações da Central Estadual de Transplantes de Goiás, o principal motivo que leva a família a recusar a doação de órgãos é a preocupação com a integridade corporal do doador, que é preservado ao máximo, e que deve ser visto pelo olhar da grandiosidade do gesto: salvar vidas.”

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Já Fábia Mara Prates, diretora técnica do HGG, reforça que o trabalho também é resultado do compromisso do Governo de Goiás com a área da saúde. “No último dia 2 de setembro, inauguramos uma nova ala de transplantes no HGG, com investimento de R$ 2,8 milhões, dotada de estrutura moderna em uma área de 644 m², 32 novos leitos, sendo que 26 são destinados para transplantes de rins, fígado, pâncreas e rim-pâncreas, e outros seis para transplante de medula óssea.” 

A médica pontua ainda que o serviço de transplante renal foi primeiro implantado no HGG, no ano de 2017, e hoje conta com três equipes transplantadoras. A partir de 2018, o hospital também passou a realizar transplantes hepáticos.

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Irmãs de rim
Joana Darc Arruda, 31 anos, e Jaqueline dos Santos, 28, dividiram o mesmo quarto em uma enfermaria do HGG. Mas, além do ambiente físico, elas também dividem a gratidão à família de um único doador, que permitiu que cada uma delas recebesse um novo rim. A história das duas têm mais semelhanças. Ambas saíram de estados que não oferecem o serviço de transplante renal, para realizarem o procedimento no HGG. Joana veio do Mato Grosso (MT), e Jaqueline, de Rondônia (RO).

Depois de seis anos presa ao tratamento de hemodiálise, que era feito três vezes na semana, Joana conta que não vê a hora de poder viajar e retomar a vida ao lado do esposo, que por várias vezes tentou doar um de seus rins para esposa, mas sempre recebeu uma negativa. 

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“O médico que me atendia lá no MT me incentiva sempre a fazer o transplante, mas eu tinha muito medo da cirurgia. Daí, uma colega fez aqui e me falou muito bem do atendimento aqui no HGG. Foi quando eu juntei coragem, entrei na fila e, agora, estou aqui, pronta para um novo ciclo, muito bem assistida, igual a esses hospitais particulares que a gente vê nas novelas”, diz.

Já a colega de quarto de Joana Darc, Jaqueline, teve sua função renal totalmente comprometida, após enfrentar uma síndrome nefrótica, mas, após um ano enfrentando longas seções de hemodiálise, o seu “sim” também chegou. “Foi uma alegria muito grande. Quando me ligaram, eu estava na minha cidade, e foi a melhor notícia do mundo. Agora, com um rim novo, já estou fazendo planos para o próximo ano. Quero viajar, voltar a estudar, trabalhar, ter uma vida normal.”

Como ser um doador
Você já falou com sua família sobre doação de órgãos? Muitas vezes, evitamos alguns assuntos, mas este é um que não pode ficar mais para depois. Pela legislação brasileira, a única forma de se tornar um doador de órgãos é avisando a família dessa vontade, para que, em um caso de óbito, os familiares façam a autorização da doação. Por isso, a informação e o diálogo são absolutamente fundamentais e necessários nesse momento.

O nefrologista do HGG Afonso Nascimento explica que, para que doação de órgãos seja realizada, as equipes das unidades de saúde do Estado são treinadas para seguir o seguinte processo: “Primeiro, a Central de Transplantes da SES é comunicada da abertura de protocolo de morte encefálica, que é de notificação compulsória. Após a confirmação da morte cerebral, o paciente passa a ser um potencial doador, e a família é notificada do óbito. Se estiver de acordo com a doação, ele passa a ser considerado um doador de órgãos”. 

Em seguida, continua o médico do HGG: “São feitos vários exames para confirmar a boa função dos órgãos e se a doação é possível. Com resultados positivos, é marcada a retirada de órgãos pelas equipes transplantadoras, e o receptor que estava na fila de transplantes é informado do surgimento do órgão e preparado para o pré-operatório. Toda a medicação para evitar rejeição é fornecida pelo SUS (Sistema Único de Saúde) e aplicada no receptor, para que, então, seja iniciado o transplante do órgão que foi doado”, esclarece.

Fonte:Secretaria de Estado da Saúde - Idtech