O tempo da lama, do bicho no pé e do abandono, vivido por milhares de famílias em barracos improvisados à beira da Lagoa Mundaú, ficou para trás. Hoje, é só o passado de quem viu a vida mudar com a construção do habitacional Parque da Lagoa, um investimento da Prefeitura de Maceió que transformou vidas e garantiu dignidade aos antigos moradores das comunidades Sururu, Muvuca e Peixe, no Vergel do Lago.
Quem passa pelo bairro vê a transformação. Mas são os moradores que melhor conseguem contar o impacto que a chegada do poder público municipal teve na região. É o caso da marisqueira Débora Valeska da Silva, que não esconde a felicidade de ser dona de um dos 1.776 apartamentos do residencial, inaugurado pela Prefeitura em 2025. “Vivi vinte anos num barraco sem banheiro”, recorda-se.
Contemplada por meio de sorteio público, após integrar o cadastro habitacional de 2019, Valeska hoje é mãe de uma filha de dois anos. “A gente dorme em paz, tem banheiro com vaso e chuveiro. E minha filha não disputa espaço com os ratos”, diz.
Aparelho de tevê
São cinco cômodos no imóvel de 45 m². Além do banheiro, há sala, área de serviço e dois quartos. O apartamento também conta com água potável encanada e energia elétrica. Tão logo se mudou, comprou uma televisão, por meio da qual a família se informa e se distrai, à noite.
Marisqueira, profissão que aprendeu com a mãe dela, também nascida e criada à beira da Lagoa Mundaú, Valeska é casada com um mecânico. O casal tem renda mensal de pouco mais de R$ 2 mil. Parte desse valor provém de benefícios sociais do Governo Federal.
“Meu esposo recebe um salário, eu tenho Bolsa Família. Completo o apurado com a venda de sururu. Hoje, o quilo sai por R$ 22. Vendo cinco quilos por mês”, contou, enquanto limpava o marisco, antes do cozimento para venda ao consumidor final.
Valeska avalia, com felicidade, que sua vida foi transformada para melhor após a conquista do imóvel próprio. “Não tem comparação com a vida no barraco. Temos muito mais qualidade de vida, mas também mais despesas com água e energia”, afirma.
Tanquinho e geladeira
Depois de se mudar, a marisqueira comprou um tanquinho, financiado, onde lava as roupas da família. “Imagine não ter que lavar roupa à beira da lagoa”, comentou. Valeska dispõe de geladeira e fogão usados, doados por uma senhora que iria descartá-los.
Além dela, mais de 7 mil moradores da região vivem nos 1.776 apartamentos após assinatura dos contratos junto à Caixa Econômica. Todas as famílias viviam nas favelas Muvuca, Sururu e Peixe, às margens da Lagoa Mundaú.
“Isso aqui foi organizado e civilizado. A gente consegue até receber uma visita porque tem pista para carro passar. Temos também estrutura para as crianças se divertirem. A gente entra e sai de casa sem ter que meter os pés na lama”, finaliza Valeska.
Com cerca de 30 mil moradores, o Vergel do Lago é o bairro mais populoso da região lagunar. Passa pelo maior programa urbanístico de sua história, com ações de moradia, calçamento, iluminação, geração de emprego e renda, além da construção e reforma de espaços públicos.