Fernando Alcoforado*
Este é o resumo do artigo de 7 páginas que tem por objetivo alertar a população mundial dos riscos de utilização de armas nucleares tanto na guerra desencadeada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã no Oriente Médio quanto na guerra da Rússia contra a Ucrânia e a OTAN na Europa que poderão desencadear a 3ª Guerra Mundial. Os Estados Unidos poderão utilizar armas nucleares contra o Irã para obter sua rendição incondicional e Israel poderá fazê-lo para eliminar sua “ameaça existencial” que é o regime iraniano. A Rússia poderá utilizar armas nucleares contra a Ucrânia para obter sua rendição incondicional e contra os países europeus da OTAN para eliminar sua “ameaça existencial” e impedir que continuem dando sustentação militar e econômica à Ucrânia. O risco de utilização de armas nucleares pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã e da utilização pela Rússia contra a Ucrânia e países europeus da OTAN comprovam o fracasso da ONU como mediadora dos conflitos internacionais e a necessidade de construção de uma nova ordem mundial que tenha capacidade de impedir a anarquia no sistema internacional, evitar os conflitos internacionais e, sobretudo, impedir a eclosão da 3ª Guerra Mundial.
1. A guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã
Nesta guerra, é considerado possível o emprego de armas nucleares pelos Estados Unidos contra o Irã ou por Israel contra o território iraniano. Este risco é claramente maior porque a guerra contra o Irã se prolonga em prejuízo da economia mundial, está evidenciado o fracasso das operações militares dos Estados Unidos e Israel contra o Irã porque não conseguiram derrubar o regime iraniano, não conseguiram obter a rendição incondicional do Irã e não impediram que o Irã bombardeasse Israel e as bases militares e instalações de empresas norte-americanas nos países seus aliados do Oriente médio e promovesse o fechamento do Estreito de Ormuz que compromete a economia global e norte-americana. O governo dos Estados Unidos fracassou nas tentativas de celebração de acordo com o Irã e os governos dos Estados Unidos e de Israel continuam tratando a capacidade nuclear iraniana como uma linha vermelha. Os Estados Unidos e Israel poderão usar armas nucleares para obter a “rendição incondicional” do Irã já que não será possível obtê-la com o uso de armas convencionais.
Até que a decisão de usar armas nucleares contra o Irã aconteça, Trump adotou nos últimos dias a estratégia de pressão econômica e sanções sobre países que comerciem ou apoiem o governo do Irã. Enquanto o governo dos Estados Unidos poderá usar armas nucleares contra o Irã para obter sua rendição incondicional, Israel poderá usar armas nucleares contra o Irã para eliminar sua “ameaça existencial” que perduraria com a possibilidade do governo iraniano desenvolver armas nucleares. O SIPRI estima que Israel possua aproximadamente 90 ogivas nucleares no início de 2026 que poderiam ser utilizadas contra o Irã para eliminar sua ameaça existencial. O caso de Israel é mais delicado porque seu governo utiliza explicitamente a linguagem de ameaça existencial para seu país se o Irã adquirir a capacidade de produzir armas nucleares que seriam utilizadas contra Israel. O governo Netanyahu de Israel afirmou repetidamente que não permitirá que o Irã adquira armas nucleares, “com acordo ou sem acordo”. A lógica nuclear israelense de uso de armas nucleares contra o Irã é concebível em um cenário extremo como, por exemplo, se o governo de Israel concluísse que o próprio Estado de Israel enfrentaria destruição iminente pelo Irã e que as forças convencionais israelenses não conseguiriam impedir esse resultado.
O fato é que um ataque nuclear poderia destruir alvos de enorme importância, do Irã, mas dificilmente garantiria, por si só, a rendição incondicional do governo iraniano. O Irã possui território de cerca de 1,65 milhão de km², população numerosa com 92,3 milhões de habitantes, instalações militares dispersas e estruturas subterrâneas. Um ataque limitado poderia inclusive produzir o efeito político inverso, isto é, consolidar a resistência iraniana. É importante destacar que ataques nucleares norte-americanos e israelenses contra instalações subterrâneas iranianas, dispersas e próximas de áreas habitadas, poderiam gerar consequências radiológicas enormes em toda a região do Oriente Médio sem garantir a rendição incondicional do governo iraniano e a eliminação completa de todo o programa nuclear iraniano. Além disso, haveria riscos de escalada regional extremamente grave como ataques iranianos contra Israel e bases americanas, o fechamento ainda mais severo do Estreito de Ormuz, a ruptura de alianças dos países do Oriente Médio com os Estados Unidos, a enorme pressão internacional contra os governos norte-americanos e israelenses pelo uso de armas nucleares contra o Irã, a proliferação nuclear acelerada no Oriente Médio e a entrada direta de outras grandes potências militares no conflito como a Rússia e a China em apoio ao Irã com o risco de desencadear a 3ª Guerra Mundial. Há ainda, como consequência, o fato de o emprego de bombas nucleares pelos Estados Unidos e Israel contra um Estado que não possui armas nucleares, o Irã, poderia incentivar outros países a concluir que a única proteção definitiva contra uma potência nuclear é possuir sua própria bomba. O resultado poderia ser mais proliferação de armas nucleares no mundo.
2. A guerra da Rússia contra a Ucrânia e a OTAN
No momento atual, haverá grande possibilidade de a Rússia empregar armas nucleares contra a Ucrânia e países da OTAN como a Polônia, a Alemanha, o Reino Unido, a França ou outros países quando o governo russo chegar à conclusão de que existe uma “ameaça crítica” à soberania ou integridade territorial do país. Esta situação tornou-se mais perigosa no momento do que há alguns anos atrás. A guerra da Rússia contra a Ucrânia e a OTAN continua intensa. Nas últimas horas a Rússia realizou um grande ataque com mísseis e drones contra Kyiv, capital da Ucrânia, enquanto a Ucrânia mantém ataques de longo alcance contra alvos militares, logísticos e energéticos dentro da Rússia com a utilização de armamentos fornecidos pelos países da OTAN. O governo russo acusa os Estados Unidos e outros países da OTAN de envolvimento crescente através do fornecimento à Ucrânia de armamentos e inteligência. É importante observar que a doutrina nuclear russa permite, em determinadas circunstâncias, o uso de armas nucleares quando existir “ameaça existencial” contra o país. Esse é um ponto fundamental. Em novembro de 2024, Vladimir Putin aprovou uma doutrina nuclear ampliada que flexibiliza os critérios para o uso de armas atômicas pela Rússia. Esta doutrina estabelece que uma agressão convencional contra o território russo por um país sem armas nucleares, mas apoiado por uma potência nuclear, passa a ser considerada um ataque conjunto. Esta doutrina estabelece que a Rússia pode considerar o emprego de armas nucleares diante de uma agressão convencional contra a Rússia ou Belarus que represente uma “ameaça crítica” à soberania ou integridade territorial desses países.
A OTAN reafirmou em junho de 2026 que suas forças nucleares constituem a garantia máxima da segurança dos aliados e que continua modernizando e reforçando sua capacidade de dissuasão nuclear. Consequentemente, o governo da Rússia teria de calcular que um ataque nuclear russo, por exemplo, contra uma instalação militar na Polônia ou Alemanha poderia produzir a sequência seguinte: resposta militar da OTAN → contra-ataque russo → entrada das forças nucleares britânicas, francesas ou norte-americanas → risco de 3ª Guerra Mundial. O conceito de “ameaça existencial” da Rússia é exatamente o ponto que justificaria o uso de armas nucleares pelo governo russo contra seus inimigos da OTAN. Esta situação passaria a existir se o governo da Rússia concluísse que haveria a possibilidade de colapso do Estado russo, destruição de suas forças estratégicas ou ameaça direta à sobrevivência do regime. O fato de a OTAN fornecer armas à Ucrânia e o governo russo acreditar que forças da OTAN estão tentando destruir a capacidade estratégica ou derrubar o Estado russo é que aumentaria dramaticamente a “ameaça existencial” da Rússia. O governo russo continua utilizando ameaças nucleares como instrumento de coerção para limitar o apoio ocidental ao governo da Ucrânia. Avaliações independentes continuam considerando improvável o emprego nuclear russo de imediato.
3. Conclusões
No caso da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, o elemento decisivo é que o fracasso das armas convencionais em produzir a capitulação iraniana torna automaticamente possível o emprego de armas nucleares pelos Estados Unidos e Israel. Atualmente, o insucesso norte-americano da combinação de pressão econômica, bloqueio naval, ataques convencionais, operações clandestinas e negociações intermitentes pode levar à repetição de Hiroshima ou Nagasaki no Irã com o uso de armas nucleares pelos Estados Unidos e Israel para obter a rendição incondicional do governo iraniano. O perigo nuclear aumentaria radicalmente caso surgisse uma combinação dos três fatores seguintes: 1) insucesso no uso de opções militares convencionais pelos Estados Unidos e Israel; 2) percepção de ameaça imediata à sobrevivência de Israel ou de forças vitais norte-americanas; e, 3) fracasso completo das negociações diplomáticas pelos Estados Unidos.
No caso da guerra da Rússia contra a Ucrânia e a OTAN, o uso de armas nucleares pela Rússia ocorreria se, além de uma derrota militar localizada na Ucrânia, houvesse a possibilidade de colapso do Estado russo, destruição de suas forças estratégicas ou ameaça direta à sobrevivência do regime. Avaliações norte-americanas consideram a Rússia “muito improvável” de usar armas nucleares na guerra, salvo se sua liderança entendesse estar diante de uma ameaça existencial ao regime. A conclusão atual é a de que a Rússia possui capacidade e doutrina que permitem a opção nuclear, mas não parece estar atualmente numa situação militar que torne seu uso inevitável. O risco aumentaria substancialmente caso Moscou considerasse que está sofrendo uma derrota catastrófica, que forças da OTAN entrassem diretamente na guerra, que sua capacidade de retaliação nuclear está sendo destruída ou que a sobrevivência do Estado/regime está ameaçada.
O risco de utilização de armas nucleares pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã e da utilização pela Rússia contra a Ucrânia e países europeus da OTAN comprovam o fracasso da ONU como mediadora dos conflitos internacionais e a necessidade de construção de uma nova ordem mundial que tenha capacidade impedir a anarquia no sistema internacional, evitar os conflitos internacionais e, sobretudo, impedir a eclosão da 3ª Guerra Mundial. No Capítulo 2 (Como tornar realidade a utopia da paz mundial para evitar a eclosão de novas guerras, especialmente da 3ª Guerra Mundial) do livro de nossa autoria “Como construir um mundo de paz, progresso e felicidade para toda a humanidade”, publicado pela Editora CRV de Curitiba em 2024, afirmamos que “é chegada a hora da humanidade se dotar o mais urgentemente possível de instrumentos capazes de promover a construção da paz mundial e de exercer o controle de seu destino. Para alcançar estes objetivos, urge a implantação de um governo democrático do mundo que se constitui no único meio de sobrevivência da espécie humana. Para afastar definitivamente novos riscos de uma nova guerra mundial e que a se concretize a paz perpétua em nosso planeta, seria preciso a reforma do sistema internacional atual que é incapaz de garantir a paz mundial. O novo sistema internacional deveria funcionar com base em um Contrato Social Planetário. O Contrato Social Planetário seria a Constituição dos povos do planeta Terra. Para a elaboração do Contrato Social Planetário deveria haver a convocação de uma Assembleia Mundial Constituinte com a participação de representantes de todos os países do mundo eleitos para este fim. O Contrato Social Planetário deveria estabelecer a existência de um Governo mundial”.
Nossa proposta de reestruturação do sistema internacional consistiria em fazer com que seja extinto o inoperante Conselho de Segurança e a ONU seja reestruturada para se constituir em Governo Mundial com a Assembleia Geral exercendo o papel de Parlamento Mundial onde as decisões seriam tomadas e o Tribunal Penal Internacional reestruturado como Corte Suprema Mundial. No Capítulo 2 do livro de nossa autoria supracitado, afirmamos que, “para viabilizar uma governança mundial, é preciso que, de início, exista um poderoso movimento mundial em defesa da paz mundial através de um Fórum Mundial pela Paz e pelo Progresso da Humanidade a ser constituído por organizações da Sociedade Civil e governos de todos os países do mundo. Neste Fórum deveriam ser debatidos e estabelecidos os objetivos e estratégias de constituição de um Governo Mundial, um Parlamento Mundial e uma Corte Suprema Mundial visando sensibilizar a população mundial e os governos nacionais no sentido de tornar realidade um mundo de paz e de progresso para toda a humanidade. Este seria o caminho que tornaria possível transformar a utopia do governo mundial em realidade. Sem a constituição de um governo mundial democrático, o cenário que se descortina para o futuro da humanidade será o de desordem econômica, política e social, da guerra de todos contra todos, e de extinção da espécie humana com o uso de armas nucleares pelos países contendores pelo poder mundial”.
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