A Jornada do Patrimônio propõe uma imersão nas múltiplas camadas históricas, sociais e culturais que coexistem em um mesmo território da cidade de São Paulo. A USP participa do evento, com visitas mediadas e palestras em que os participantes vão poder conhecer mais sobre o entorno do Museu do Ipiranga, adentrar a Casa de Dona Yayá e participar de um itinerário pelo centro da cidade, ou saber mais sobre o prédio histórico da Faculdade de Direito da USP, no Largo de São Francisco.
No Museu do Ipiranga, a visita mediada Território em Transformação será realizada neste domingo (16), às 11h, e convida o público a observar como a construção do Museu do Ipiranga e as mudanças da cidade transformaram a paisagem do bairro ao longo de mais de um século. No início do percurso, o grupo conhece a história do edifício que hoje abriga o Museu. Construído entre 1885 e 1890, ele foi projetado como um monumento à Independência do Brasil e nunca serviu como residência. Naquele período, o Ipiranga era uma região pouco ocupada, formada por chácaras e áreas rurais próximas ao antigo caminho que ligava São Paulo a Santos. A caminhada pela Esplanada, pelo jardim e pelo riacho do Ipiranga mostra como essa paisagem foi modificada.
O percurso segue até a Casa do Grito e as ruas Bom Pastor e Xavier de Almeida. A Casa do Grito ajuda a conhecer formas de construção e ocupação anteriores à urbanização do bairro. Já os palacetes, as antigas fábricas e outros edifícios mostram como industriais, trabalhadores e famílias de diferentes grupos sociais passaram a ocupar a região. Mapas, fotografias, plantas, maquetes e pinturas relacionados às exposições Para Entender o Museu, Passados Imaginados e Uma História do Brasil ajudam a comparar diferentes momentos dessa paisagem. Essas fontes permitem observar o crescimento das construções, a expansão das indústrias, a verticalização do bairro e as políticas de preservação criadas para proteger o conjunto histórico. A atividade é gratuita, com retirada de senha às 10h45, no Acolhimento do Museu (Rua dos Patriotas, 100). No total são 25 vagas.
A visita guiada ao Edifício Histórico da Faculdade de Direito da USP está integrada aos trajetos da programação e acontecerá neste sábado (15), a partir das 10h. Está prevista ainda uma apresentação também no dia 15 de agosto, às 11h30, do Teatro da Academia de Letras da FDUSP, com o tema O espírito Franciscano, na Sala de Consulta da Biblioteca da FDUSP (no total são 70 vagas). As atividades são gratuitas e não há necessidade de inscrição prévia. A Faculdade de Direito fica no Largo de São Francisco, 95, Centro, São Paulo.
A Faculdade de Direito instalou-se no Largo de São Francisco em 1827, no velho convento que datava do século XVII. Na década de 1930, construiu-se um novo edifício, amplo e monumental. O projeto, de autoria de Ricardo Severo, sucessor de Ramos de Azevedo, representou a própria criação do estilo neocolonial, que agregava à moderna arquitetura elementos do barroco luso-brasileiro. O edifício, hoje tombado como patrimônio histórico do Estado de São Paulo, abriga importante acervo cultural, do qual se destacam os vitrais da escadaria, produzidos pela Casa Conrado Sorgenicht, e o mobiliário do Salão Nobre e da Sala da Congregação, confeccionado no Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo. Pinturas e esculturas de artistas renomados distribuem-se pela Faculdade. A biblioteca, que já em 1825 contava com acervo reunido de longa data pelos frades franciscanos, tornou-se a primeira biblioteca pública de São Paulo, antes mesmo da inauguração da Faculdade.
Na Casa de Dona Yayá, nos dias 15 e 16 de agosto, o público poderá participar de visitas mediadas, das 11h às 12h e das 14h às 15h, pela residência histórica de Dona Yayá (Rua Major Diogo, 353, Bela Vista), relacionada às transformações de cidade de São Paulo e da sociedade na virada do século 19 e 20 referente a questões de gênero e saúde mental. Não é preciso inscrição e no total são 25 vagas. Também nos dias 15 e 16 de agosto, das 10h às 17h, o público poderá conhecer as exposições Imagens em Patrimônio: Bixiga e Quilombo do Saracura Vai-Vai: legado, vivência e reXistência. São duas mostras complementares sobre o Bixiga e a presença negra no bairro, evidenciando o sítio arqueológico encontrado nas obras da Linha 6-Laranja por meio de painéis, fotos, instalações e depoimentos de griots.
Além disso, também no dia 15 de agosto, das 11h às 13h, haverá o itinerário urbano Os Bexigas: construção de um bairro multiétnico, com mediação de Leonardo Marziero, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP. O percurso parte da Casa de Dona Yayá, na Rua Major Diogo (número 353, Bela Vista), e vai até a Igreja Nossa Senhora da Achiropita, na Rua Treze de Maio. A relação da Casa de Dona Yayá com o Bixiga, as discussões, contradições e embates vividos na construção histórica de um bairro que reuniu e continua reunindo grupos de diferentes origens étnicas serão apontadas e discutidas no itinerário urbano. As inscrições podem ser feitas via formulário (25 vagas). Mais informações no site .
A Jornada do Patrimônio foi instituída pela Lei Municipal n. 16.546/2016 e tem como objetivo a valorização do patrimônio cultural do Município de São Paulo. O evento é realizado pela Secretaria Municipal de Cultura através do seu Departamento do Patrimônio Histórico e da Coordenadoria de Programação Cultural (SMC-DPH). Com o tema São Paulo, cada olhar uma história, acontecerá nos dias 15 e 16 de agosto, sábado e domingo, em toda a cidade, juntamente com a Semana de Valorização do Patrimônio que comemora o Dia do Patrimônio Cultural, em 17 de agosto.
A programação da Jornada do Patrimônio inclui principalmente visitas a Imóveis históricos, roteiros de memória e oficinas. Em 2025, o evento ofereceu mais de 300 atividades gratuitas e sensoriais focadas em roteiros históricos, apresentações e visitas guiadas e intervenções artísticas, com expectativa de público entre 10 mil e 15 mil visitantes, contra 6 mil registrados em 2024 (não foram encontrados dados precisos do público em 2025).
Abrange diferentes regiões e envolve espaços públicos e privados por meio de diversas ações que contribuem para a sensibilização e apropriação do tema pela população. É uma oportunidade para moradores e visitantes se aproximarem do patrimônio cultural do município, se apropriando da história e cultura de São Paulo por meio de suas práticas tradicionais, monumentos, museus, praças, igrejas e outros lugares de interesse histórico e cultural.
Criada em 2015, a Jornada do Patrimônio foi, por sua vez, inspirada na experiência francesa das Journées du Patrimoine. A primeira edição, segundo o DPH, tratou-se de um projeto piloto, para o qual adotou-se um tema geral – (Re)Conheça seus bens culturais -, além da estratégia da ação de abertura de imóveis preservados para a visitação pública, aos moldes da jornada francesa. Com base na experiência da Virada Cultural, foram realizadas também apresentações artísticas por toda a cidade, o que contribuiu para a expansão do público do evento.
Nos anos seguintes, a construção do chamamento para a realização de ações oferecidas pela sociedade civil foi se consolidando, tornando-se um dos principais pilares da jornada. Os editais de chamamento e, com amparo na Lei 14.133/21, os editais de credenciamento são uma oportunidade para a construção de uma programação dinâmica em conjunto com a sociedade, com inscrição para o oferecimento de roteiros, cursos e visitas guiadas à imóveis protegidos.