Internacional GUERRA
O GRANDE VITORIOSO E OS GRANDES PERDEDORES DA GUERRA DESENCADEADA PELOS ESTADOS UNIDOS E ISRAEL CONTRA O IRÃ.
A ação militar dos Estados Unidos e de Israel não contribuiu para a consecução de nenhum dos três objetivos.
04/07/2026 23h49
Por: Colunista Fonte: Fernando Alcoforado*
Imagem Ilustrativa com recurso de IA

Este é o resumo do artigo de 6 páginas que tem por objetivo identificar quais foram os grandes perdedores e o grande vitorioso da guerra desencadeada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã. Os objetivos estratégicos dos Estados Unidos e Israel na guerra contra o Irã consistiam em: 1) promover a mudança do regime iraniano com o assassinato de suas principais lideranças e o incentivo à revolta de segmentos do povo iraniano contra o regime; 2) destruir a infraestrutura econômica e militar do Irã com bombardeios contínuos sobre alvos militares e econômicos; e, 3) obter a rendição incondicional do governo do Irã após os assassinatos de suas principais lideranças e a destruição da infraestrutura econômica e militar do Irã. A  ação militar dos Estados Unidos e de Israel não contribuiu para a consecução de nenhum destes três objetivos porque não houve mudança no regime iraniano nem houve rendição incondicional do governo do Irã que demonstrou ter se preparado estrategicamente há bastante tempo para enfrentar uma guerra contra os Estados Unidos e Israel.

Os objetivos dos Estados Unidos e Israel não foram alcançados porque, mesmo com os bombardeios contínuos sobre alvos militares e econômicos iranianos, o governo do Irã realizou, em resposta, ataques generalizados contra Israel e bases militares e empresas dos Estados Unidos situadas nos países árabes do Golfo Pérsico aliados dos Estados Unidos, fato este que contribuiu para que os governos desses países pressionassem o governo norte-americano para parar sua agressão contra o Irã e, sobretudo, porque fechou o Estreito de Ormuz à passagem  de 20% do petróleo mundial, do gás natural liquefeito e outros produtos para os países inimigos do Irã, liberando-o apenas para as embarcações de países amigos do Irã, a fim de provocar um impacto econômico global negativo, em especial nos Estados Unidos. Na tentativa de neutralizar a estratégia iraniana de permitir a passagem pelo Estreito de Ormuz apenas de embarcações de países amigos, o governo Trump promoveu um bloqueio naval no golfo de Oman que se localiza após o Estreito de Ormuz. Com este bloqueio naval dos Estados Unidos, nada passava pelo Estreito de Ormuz em prejuízo da economia mundial. 

Considerando a relação entre objetivos dos contendores e os resultados obtidos, pode-se afirmar que os maiores perdedores neste conflito são: 1) Israel, devido aos elevados custos militares, econômicos e diplomáticos; 2) Estados Unidos, pelos custos da intervenção militar e pela dificuldade em obter uma vitória estratégica decisiva; 3) as  populações do Irã, Líbano e Israel que suportaram gigantesco custo humano com grande número de  mortos e feridos; 4) a economia mundial afetada pela instabilidade energética e comercial resultante do fechamento do Estreito de Ormuz; 5) os países árabes do Golfo Pérsico porque as bases militares e outras instalações norte-americanas  foram alvo de ataques do governo iraniano em resposta à agressão militar dos Estados Unidos e de Israel; e, 6) o direito internacional porque a guerra foi desencadeada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã sem autorização do Conselho de Segurança da ONU que resultou no assassinato de lideranças do Estado iraniano e no bombardeio contra o território, instalações militares, infraestruturas iranianas e população civil.

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O Presidente Trump dos Estados Unidos se vangloria de ter derrotado o Irã na guerra de agressão desencadeada em conjunto com Israel quando, na prática, o grande vitorioso foi o Irã. Sob a ótica militar, o Irã sofreu danos militares e econômicos significativos com os bombardeios de 11 dias de ataques aéreos contínuos e intensos e sofreu, também, perdas importantes em instalações, infraestrutura e população civil. Apesar disto, o Irã preservou sua estrutura estatal e sua capacidade de dissuasão militar suficiente para impedir uma vitória decisiva de seus inimigos. Ter impedido a consecução dos objetivos pretendidos pelos Estados Unidos e Israel representa uma grande vitória do Irã contra seus inimigos. Esta vitória do Irã foi possível com a adoção de duas estratégias:1) o fechamento do Estreito de Ormuz ; e, 2) o bombardeio iraniano de Israel e bases militares e instalações norte-americanas existentes no Oriente Médio (Catar, Kuwait, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Jordânia e Iraque)  com o uso de mísseis e drones.

A estratégia de fechamento do Estreito de Ormuz  para navios de países inimigos do Irã impactou negativamente a economia mundial, inclusive a dos Estados Unidos, com a cessação do suprimento de 20% a 30% do petróleo mundial, cerca de 20% do GNL (Gás Natural Liquefeito) e 40% das exportações mundiais de ureia, 30% da amônia, 24% dos fosfatos e 50% do enxofre utilizados na fabricação de fertilizantes; e a estratégia de bombardeio iraniano de Israel e bases militares e instalações norte-americanas existentes no Oriente Médio com o uso de mísseis e drones que fizeram com que os países árabes do Golfo Pérsico constatassem que as 19 bases e instalações militares norte-americanas lá instaladas não os protegiam contra o Irã. A estratégia iraniana de fechamento do Estreito de Ormuz foi decisiva para obrigar o governo Trump a ceder às imposições do governo do Irã e a estratégia de bombardeio iraniano das bases militares e instalações norte-americanas existentes no Oriente Médio obrigou os governantes dos países árabes do Golfo Pérsico a pressionarem o governo Trump a ceder às imposições iranianas.

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Diante da impossibilidade de uma solução militar para a guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, haja vista que ela agravaria ainda mais os danos crescentes sobre a economia mundial, a economia dos Estados Unidos e sobre a popularidade do Presidente Trump entre os norte-americanos provocados pelo fechamento do Estreito de Ormuz,  o governo Trump dos Estados Unidos insistia em assinar com o Irã um acordo para levar ao fim do conflito que ocorreu com a mediação do governo do Paquistão. Após a análise de várias propostas dos Estados Unidos e do Irã, chegou-se a um texto de memorando aceito pelas duas partes que consta de 14 pontos para a busca de celebração de um acordo de paz. A análise dos 14 pontos deste memorando permite constatar que houve a capitulação governo Trump diante do governo iraniano devido aos fatos seguintes:

1) O governo dos Estados Unidos cedeu à exigência do governo do Irã para garantir a integridade territorial e a soberania do Líbano mesmo contra a vontade do governo de Israel.

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2) O governo dos Estados Unidos se comprometeu a respeitar a soberania e integridade territorial e a não interferir nos assuntos internos do Irã.

3) O governo do Irã conduzirá diálogos com o Sultanato de Omã para definir a futura administração e os serviços marítimos no Estreito de Ormuz, em consulta com os demais Estados costeiros do Golfo Pérsico, em conformidade com o direito internacional aplicável e com os direitos soberanos dos países litorâneos do Estreito de Ormuz.

4) O governo dos Estados Unidos se compromete a desenvolver, em conjunto com parceiros regionais, a desenvolver um plano definitivo e mutuamente acordado, no valor de pelo menos 300 bilhões de dólares, para a reconstrução e o desenvolvimento econômico da República Islâmica do Irã.

5) O governo dos Estados Unidos se compromete a encerrar todos os tipos de sanções contra a República Islâmica do Irã, incluindo as resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas, as resoluções do Conselho de Governadores da AIEA e todas as sanções unilaterais dos EUA, primárias e secundárias, de acordo com um cronograma acordado como parte do acordo final.

6) Departamento do Tesouro dos Estados Unidos emitirá isenções para a exportação de petróleo bruto iraniano, produtos petrolíferos e derivados, bem como para todos os serviços associados, incluindo transações bancárias, seguros, transporte e outros.

7) O governo dos Estados Unidos se compromete a disponibilizar integralmente, para uso, os fundos e ativos congelados ou restritos da República Islâmica do Irã após a implementação deste Memorando de Entendimento.

8) A República Islâmica do Irã manterá o status atual de seu programa nuclear, e os Estados Unidos da América não imporão novas sanções nem deslocarão forças adicionais para a região.

As únicas concessões do governo do Irã são as seguintes:

1) A República Islâmica do Irã restabelecerá o tráfego de embarcações pelo Estreito de Ormuz após o governo dos Estados Unidos promover a retirada de seu bloqueio naval do Irã.

2) A República Islâmica do Irã reafirma que não buscará adquirir ou desenvolver armas nucleares. As duas partes também concordaram em discutir a questão do enriquecimento de urânio e outros assuntos mutuamente acordados relacionados às necessidades nucleares do Irã, com base em uma estrutura satisfatória a ser definida no acordo final.

Depreende-se pelo exposto que fica demonstrado que o Irã foi o grande vencedor do conflito porque o governo Trump capitulou diante das imposições do governo iraniano e o conflito envolvendo os Estados Unidos, Israel e o Irã reconfigurou profundamente o cenário internacional e do Oriente Médio. Embora o discurso inicial dos governos dos Estados Unidos e de Israel estivesse focado em uma "guerra curta" para neutralizar as capacidades nucleares e balísticas do Irã e conter a influência regional deste país, os desdobramentos práticos geraram consequências negativas para os Estados Unidos e Israel no plano militar porque subestimaram a capacidade do Irã de reagir à agressão militar sofrida e geraram, sobretudo, severos impactos econômicos sobre a economia mundial.

Além da vitória alcançada pelo Irã no conflito contra os Estados Unidos e Israel, que foram os grandes perdedores da guerra que eles desencadearam, a Rússia e a China emergiram como os grandes beneficiários estratégicos deste conflito. O conflito contra o Irã drenou os recursos e o foco dos Estados Unidos do Leste Europeu e da região do Indo-Pacífico que foram e estão sendo alocados na guerra contra o Irã, além de consolidar a dependência econômica e militar do Irã em relação a Pequim e Moscou. Outros grandes beneficiários deste conflito foram as indústrias de armamentos, as petroleiras globais e empresas de seguros marítimos que acumularam lucros bilionários com a volatilidade dos mercados.

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Para assistir o vídeo, acessar o website https://www.youtube.com/watch?v=5lmQBkpRSNo

Para ler o artigo completo de 6 páginas em Português, Inglês e Francês, acessar os websites do Academia.edu  <https://www.academia.edu/169627638/O_GRANDE_VITORIOSO_E_OS_GRANDES_PERDEDORES_DA_GUERRA_DESENCADEADA_PELOS_ESTADOS_UNIDOS_E_ISRAEL_CONTRA_O_IR%C3%83>, <https://www.academia.edu/169627692/THE_GREAT_VICTOR_AND_THE_MAJOR_LOSERS_OF_THE_WAR_LAUNCHED_BY_THE_UNITED_STATES_AND_ISRAEL_AGAINST_IRAN> e <https://www.academia.edu/169627718/LE_GRAND_VAINQUEUR_ET_LES_GRANDS_PERDANTS_DE_LA_GUERRE_D%C3%89CLENCH%C3%89E_PAR_LES_%C3%89TATS_UNIS_ET_ISRA%C3%8BL_CONTRE_LIRAN>,  do SlideShare <https://pt.slideshare.net/slideshow/o-grande-vitorioso-e-os-grandes-perdedores-da-guerra-desencadeada-pelos-estados-unidos-e-israel-contra-o-ira-pdf/288376663>, <https://pt.slideshare.net/slideshow/the-great-victor-and-the-major-losers-of-the-war-launched-by-the-united-states-and-israel-against-iran-pdf/288376690> e <https://pt.slideshare.net/slideshow/le-grand-vainqueur-et-les-grands-perdants-de-la-guerre-declenchee-par-les-etats-unis-et-israel-contre-l-iran-pdf/288376766> e do Linkedin <https://www.linkedin.com/pulse/o-grande-vitorioso-e-os-grandes-perdedores-da-guerra-pelos-5tlrf/>, <https://www.linkedin.com/pulse/great-victor-major-losers-war-launched-united-states-iran-alcoforado-j9crf/> e <https://www.linkedin.com/pulse/le-grand-vainqueur-et-les-grands-perdants-de-la-par-liran-alcoforado-ob75f/>.

  • Fernando Alcoforado, 86, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da SBPC- Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e do IPB- Instituto Politécnico da Bahia, engenheiro pela Escola Politécnica da UFBA e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário (Engenharia, Economia e Administração) e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, foi Assessor do Vice-Presidente de Engenharia e Tecnologia da LIGHT S.A. Electric power distribution company do Rio de Janeiro, Coordenador de Planejamento Estratégico do CEPED- Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Bahia, Subsecretário de Energia do Estado da Bahia, Secretário do Planejamento de Salvador, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019), A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021), A escalada da ciência e da tecnologia ao longo da história e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2022), de capítulo do livro Flood Handbook (CRC Press, Boca Raton, Florida, United States, 2022), How to protect human beings from threats to their existence and avoid the extinction of humanity (Generis Publishing, Europe, Republic of Moldova, Chișinău, 2023), A revolução da educação necessária ao Brasil na era contemporânea (Editora CRV, Curitiba, 2023), Como construir um mundo de paz, progresso e felicidade para toda a humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2024) e How to build a world of peace, progress and happiness for all humanity (Editora CRV, Curitiba, 2024).
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