Saúde Ceará
Psiquiatra do HRVJ explica que a dependência do álcool é uma doença crônica, influenciada por fatores biológicos, psicológicos e sociais
O consumo frequente e sem controle de álcool pode evoluir para dependência e causar prejuízos à saúde, às relações familiares e à vida social. Por ...
03/07/2026 21h22
Por: Redação Fonte: Secom Ceará

O consumo frequente e sem controle de álcool pode evoluir para dependência e causar prejuízos à saúde, às relações familiares e à vida social. Por isso, é importante observar sinais como aumento da frequência, dificuldade de reduzir o uso e manutenção do consumo mesmo diante de consequências negativas. Foi o que aconteceu com Cláudio Paiva [nome fictício], 29, solteiro e natural de Morada Nova. Ele ingeriu bebida alcoólica pela primeira vez aos 10 anos, por sugestão de um primo. Conta que, no início, recusou, mas a curiosidade falou mais alto. “Eu bebi, gostei, fiquei bêbado e fui dormir”, relata.

O uso abusivo de álcool pode desestruturar famílias e provocar danos individuais e coletivos. Internado no Hospital Regional Vale do Jaguaribe (HRVJ), unidade da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), Cláudio conta que vendeu vários bens para manter o consumo, além de usar parte da renda para pagar dívidas em bares da cidade. Além de pacientes com uso abusivo de álcool, a unidade também recebe pessoas em tratamento pelo uso de outras substâncias.

“Eu tinha uma moto que comprei por R$ 7 mil e vendi por R$ 500, além de uma TV que comprei por R$ 3 mil e vendi por R$ 200 para comprar bebida”. O relato mostra uma realidade comum na vida de pessoas com dependência do álcool: a venda de bens pessoais por valores muito abaixo do mercado para sustentar o consumo.

Foto: Reprodução/Secom Ceará

Além da bebida, ele também trata o uso de nicotina. Cláudio relata que a internação partiu de um pedido feito por ele próprio ao pai, que o levou àUnidade de Pronto Atendimento (UPA)depois de passar vários dias seguidos bebendo. Da UPA, o paciente foi transferido, no último dia 16, para o HRVJ, onde passou a receber acompanhamento especializado com médicos psiquiatras.

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“O conselho que eu deixo para quem bebe é que pare. Que Deus possa libertar, pois não tem futuro. Isso não é vida para ninguém, só provoca desmantelo e gasto de dinheiro, além de não conseguir nada na vida”, pondera o paciente. Em uso de medicamentos, Paiva conta que, desde então, não sente mais vontade de consumir álcool ou nicotina.

Quando procurar ajuda?

A médica psiquiatra e coordenadora do setor, Madalena Tavares, ressalta que alguns sinais de alerta incluem a necessidade de beber cada vez mais para obter o mesmo efeito, dificuldade de controlar a quantidade ingerida, tentativas frustradas de reduzir ou interromper o consumo, vontade intensa de beber, que chama-se de fissura, além da persistência do uso mesmo diante de consequências negativas, como conflitos familiares, problemas financeiros, acidentes, dificuldades profissionais ou doenças relacionadas ao álcool.

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“A ajuda médica deve ser procurada sempre que o consumo de álcool estiver causando sofrimento ou prejuízos para a pessoa ou para aqueles que convivem com ela. Não é necessário esperar que o problema se torne grave para buscar tratamento. Quanto mais precoce for a intervenção, maiores são as chances de recuperação e menores os riscos de complicações”, explica Madalena.