A preservação da memória histórica depende, sobretudo, daqueles que se dedicam a pesquisar, registrar e divulgar os acontecimentos que moldaram a identidade de um povo. Entre esses nomes, destaca-se a historiadora Consuelo Pondé de Sena, professora, pesquisadora e ex-presidente do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB), cuja atuação foi decisiva para manter viva a história baiana.
Em artigo publicado no Jornal A Tarde, em 20 de fevereiro de 1999, no Caderno 1, página 8, na coluna Opinião, sob o título "Sobre um autor antigo", Consuelo Pondé prestou uma homenagem a um personagem que, até hoje, permanece pouco conhecido do grande público: José Álvares do Amaral, filho da antiga Santo Amaro de Ipitanga, atual Lauro de Freitas.
Em tom de profundo respeito pela história, escreveu:
“Nos momentos de trégua, quando se me aliviaram as tensões, retorno a velhos livros, desses que os novos nem sabem da existência. Hoje, quero lembrar o Resumo Chronologico e Noticioso da Província da Bahia — desde seu descobrimento em 1500, da autoria de J.A.A. (José Álvares do Amaral)."
Mais do que recordar uma obra, Consuelo Pondé chamava a atenção para a importância de um intelectual que ajudou a registrar a formação histórica da Bahia e cuja contribuição merece ocupar lugar de destaque na memória estadual.
Esse reconhecimento também fortalece a compreensão da importância de Lauro de Freitas e do Recôncavo Norte no processo da Independência da Bahia. Ao valorizar José Álvares do Amaral, a historiadora também lançava luz sobre um território que, por muito tempo, permaneceu à margem da narrativa oficial.
Hoje, quando o Recôncavo Norte integra oficialmente o percurso do Fogo Simbólico do 2 de Julho, é justo reconhecer que pesquisadores como Consuelo Pondé de Sena contribuíram para criar as bases desse processo de valorização histórica.
A memória coletiva não se constrói apenas nos campos de batalha. Ela também nasce nas bibliotecas, nos arquivos, nas pesquisas e nas páginas dos jornais. Foi exatamente esse legado que Consuelo Pondé de Sena ajudou a deixar para as futuras gerações.
A passagem do Fogo Simbólico por Lauro de Freitas e outros estudos foram fruto de pesquisas financiadas pelo Projeto Cultural da Barraca da Gávea. E a compra da casa da Lapinha foi iniciativa do ilustre José Alves do Amaral.