Geral SEGURANÇA
Polícia Científica do Pará desenvolve pesquisa inédita para aprimorar perícias com explosivos
Projeto de pós-doutorado realizado em parceria com a Polícia Militar utiliza tecnologia de escaneamento 3D, drones e simulação computacional para r...
27/06/2026 10h27
Por: Redação Fonte: Secom Pará

A Polícia Científica do Pará (PCEPA) realizou, na última sexta-feira (26), uma série de experimentos voltados ao estudo do comportamento de ondas de choque provocadas por detonações. A atividade integra um projeto de pós-doutorado inédito no Brasil, desenvolvido pelo perito criminal Alberto Sá, da PCEPA, na Universidade Federal do Paraná (UFPR), em parceria com o Batalhão de Choque da Polícia Militar do Pará (PMPA), com o objetivo de aperfeiçoar as perícias em locais que envolvem explosivos.

Os testes fazem parte de um conjunto de seis experimentos que busca compreender como as ondas de choque geradas por detonações produzem diferentes padrões de fragmentação em materiais como concreto e madeira. A partir da análise desses vestígios, o pesquisador pretende desenvolver modelos matemáticos capazes de estimar a carga explosiva utilizada em ocorrências reais, fortalecendo a produção da prova pericial.

Tecnologia aplicada à perícia

Continua após a publicidade
google.com, pub-9319522921342289, DIRECT, f08c47fec0942fa0

Durante os experimentos, foram empregadas tecnologias como escaneamento a laser em três dimensões e fotogrametria com o uso de drones. As imagens registradas antes e depois das explosões permitem a criação de um modelo digital da cena, possibilitando a reconstrução detalhada do local.

Segundo o perito criminal Alberto Sá, autor da pesquisa, a iniciativa amplia as ferramentas disponíveis para a reconstrução de cenas de crime.

Continua após a publicidade
google.com, pub-9319522921342289, DIRECT, f08c47fec0942fa0

"Além do scanner a laser, estamos utilizando a fotogrametria, em que o drone registra imagens da cena antes e depois da explosão. A partir da sobreposição dessas imagens, conseguimos gerar uma nuvem de pontos e criar um gêmeo digital da área, que será utilizado na reconstrução computacional da cena", explicou.

Com essa tecnologia, será possível recriar virtualmente o cenário da explosão e testar diferentes hipóteses até identificar qual carga explosiva seria capaz de produzir os vestígios encontrados.

Continua após a publicidade
google.com, pub-9319522921342289, DIRECT, f08c47fec0942fa0

"O estudo busca identificar os padrões de fragmentação gerados pelas ondas de choque das detonações. Depois, fazemos a engenharia reversa em um software de simulação computacional forense para descobrir qual carga equivalente em TNT foi capaz de produzir aquele padrão de danos", afirmou.

Fortalecimento das investigações

De acordo com Alberto Sá, o sistema permitirá que os peritos atuem com maior precisão em investigações envolvendo explosivos, oferecendo suporte técnico mais robusto para a elucidação de crimes.

"Quando chegamos a uma cena de crime, vemos apenas o resultado final. Com a simulação computacional, conseguimos reconstruir a situação inicial, estimar a carga utilizada, seu posicionamento e verificar se aquela hipótese realmente explica os vestígios encontrados. Isso fortalece a produção da prova pericial", destacou.

Parceria entre as forças de segurança

Os experimentos também atendem a uma demanda operacional do Batalhão de Choque da Polícia Militar do Pará, que pretende utilizar os resultados para ampliar o conhecimento sobre o comportamento das ondas de choque em diferentes cenários.

O sargento Renan Barbosa ressaltou a importância da cooperação entre as instituições.

"Estamos contribuindo para a criação de uma ferramenta que será muito importante, não apenas para o Pará, mas para todo o Brasil, auxiliando os esquadrões antibombas e fortalecendo as investigações de crimes que envolvam explosivos", afirmou.

O pesquisador destacou que o projeto terá continuidade com a realização de novos testes.

"Esse é um projeto de longo prazo, composto por seis experimentos. O objetivo é calibrar o sistema para que, no futuro, possamos oferecer modelos cada vez mais precisos, contribuindo tanto para a perícia criminal quanto para a segurança das operações envolvendo explosivos", concluiu.