Cidades Belém
Prefeitura combate leishmaniose visceral canina em Cotijuba
Ação de busca ativa reforça a vigilância das zoonoses no município, ampliando o acompanhamento dos casos e fortalecendo as estratégias de prevenção...
14/06/2026 17h45
Por: Redação Fonte: Agência Belém

A Prefeitura de Belém, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Sesma), da Diretoria de Vigilância em Saúde (DVS) e da Unidade de Vigilância de Zoonoses (UVZ), realizou nos dias 13 e 14 de junho umaação de busca ativa para identificação e monitoramento de cães em área de risco para leishmaniose visceral canina na Ilha de Cotijuba, em Belém.

Durante a ação, as equipes percorreram residências da ilha realizando a coleta de amostras de sangue decães com idade acima de quatro meses, independentemente da presença de sinais clínicos.A medida é adotada porque a leishmaniose visceral pode se apresentar de forma silenciosa, e animais assintomáticos também podem estar infectados.

Todo o material coletado é submetido a teste rápido na UVZ e,quando há resultado positivo, é encaminhado ao Laboratório Central do Estado do Pará (LACEN-PA) para confirmação por exames laboratoriais, como o Ensaio Imunoenzimático.

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Segundo o médico veterinário da UVZ, Éder Santiago do Carmo , a busca ativa é fundamental para o controle da doença no território.

Foto: Reprodução/Agência Belém
Crédito: Ascom Sesma

Ele também reforça que a atuação inclui orientação aos responsáveis e medidas de controle definidas conforme protocolos de saúde pública.

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“Após a confirmação do resultado positivo, o responsável é orientado sobre as medidas preconizadas pelos protocolos de controle da doença.Entre elas, estão o acompanhamento veterinário e o uso de estratégias de proteção, como o encoleiramento com coleiras impregnadas com inseticida, que contribuem para reduzir a transmissão ao impedir o contato do vetor com o animal infectado. Também são repassadas orientações sobre manejo responsável e acompanhamento contínuo do animal”, explicou.

Sobre a Leishmaniose

A leishmaniose visceral canina é umadoença grave causada pelo protozoário Leishmania infantum, transmitido pela picada do mosquito-palha infectado.Trata-se de uma zoonose, ou seja, pode ser transmitida aos seres humanos.Os cães são considerados os principais reservatórios da doença no ambiente urbano.

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Principais sintomas nos cães

Nem todos os cães infectados apresentam sinais clínicos. Quando a doença se manifesta, os sintomas mais comuns são:

– Emagrecimento progressivo
– Apatia
– Febre
– Aumento dos linfonodos

  • Alterações na pele
    – Feridas que não cicatrizam
    – Descamação da pele
    -Queda de pelos
    – Crescimento excessivo das unhas
  • Comprometimento de órgãos
    – Aumento do fígado e do baço
    – Anemia
    – Problemas renais
  • Alterações oculares
    – Conjuntivite
    – Lesões na córnea.

Como é feito o diagnóstico?


O diagnóstico não pode ser confirmado apenas por avaliação clínica. O médico-veterinário poderá solicitar exames como: sorologia (Ensaio Imunoenzimático e RIFI), para detecção de anticorpos; exames parasitológicos, realizados por meio de amostras de linfonodos, medula óssea ou pele; teste molecular (PCR), que identifica o DNA do parasita.

Tratamento

O tratamento tem como objetivo controlar os sinais clínicos da doença e reduzir o risco de transmissão. Deve ser realizado sob acompanhamento médico-veterinário, seguindo os protocolos autorizados pelos órgãos competentes.

Como prevenir?

Utilizar coleiras repelentes recomendadas por médico-veterinário;
Manter a vacinação do animal em dia, conforme orientação profissional;
Instalar telas de proteção em portas e janelas;
Manter quintais e terrenos limpos, com remoção de folhas, fezes e matéria orgânica acumulada;
Evitar que os animais permaneçam em áreas externas durante os períodos de maior atividade do mosquito-palha, especialmente ao entardecer e à noite.

Prevenção e segurança à população

Morador da Ilha de Cotijuba, Edson Pinheiro Alexandrino, autônomo, destacou que a presença das equipes trouxe mais segurança, informação e conscientização para a comunidade.

Crédito: Ascom Sesma
Foto: Reprodução/Agência Belém

Já a moradora da ilha, Rosinilda Paiva, dona de casa, ressaltou a importância do acompanhamento contínuo realizado pelas equipes de saúde.

Crédito: Ascom Sesma


“Esse trabalho da Sesma dá mais segurança para quem cria animais aqui na ilha.A equipe foi muito atenciosa, explicou tudo com calma, fez a coleta de sangue e orientou sobre prevenção. Isso ajuda muito no cuidado do dia a dia com os cães”,disse.

A iniciativa integra asações contínuas da Sesma em Cotijuba, com visitas periódicas para monitoramento da população canina e controle da leishmaniose visceral.

Com a ação, a Prefeitura de Belém reforça o compromisso com a vigilância das zoonoses e com a proteção da saúde animal e humana.

Serviços

As ações de vigilância e controle ocorrem de forma rotineira em diferentes áreas do município de Belém, conforme planejamento epidemiológico, demanda da população ou identificação de áreas com circulação do vetor e casos suspeitos.

Entre as estratégias desenvolvidas estão asações casa a casa, com coleta de sangue de cães para investigação da leishmaniose visceral.Os testes rápidos são realizados na UVZ e, quando positivos, as amostras são encaminhadas ao LACEN-PA para confirmação diagnóstica.

Além disso, a equipe atua em parceria com a Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará e o Instituto Evandro Chagas no desenvolvimento de estratégias complementares de controle, como o Plano de Encoleiramento de cães.A ação prevê o uso de coleiras impregnadas com deltametrina, fornecidas pelo Ministério da Saúde, como medida de proteção individual e redução da transmissão da doença.

As medidas de controle são adotadas conforme os resultados das investigações epidemiológicas, com foco na interrupção do ciclo de transmissão e na redução do risco para animais e seres humanos. O manejo adequado dos casos positivos integra as estratégias de vigilância e controle da leishmaniose visceral no município, contribuindo para a proteção da saúde pública.

Em caso de denúncias, orientações ou solicitações relacionadas às ações de vigilância epidemiológica,a população pode entrar em contato pelos telefones (91) 98587-7953 (WhatsApp), (91) 98588-3608 (WhatsApp), (91) 98588-3487 ou (91) 98104-2047 (WhatsApp). Para denúncias de maus-tratos a animais, o contato pode ser feito pelo número 181.

Texto: Patricia Madrini