A confirmação da formação do fenômeno El Niño, anunciada ontem (11) pela Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês), coincidiu com a realização, em Salvador, de um seminário técnico promovido pela Embasa sobre monitoramento da qualidade da água e gestão de mananciais diante do cenário atual de mudanças climáticas.A projeção da agência americana aponta 63% de probabilidade de que o fenômeno alcance intensidade muito forte, com potencial para figurar entre os maiores eventos registrados desde 1950. Decorrente do aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico, o fenômeno foi tema de debate entre especialistas durante seminário realizado pela Embasa, ontem (11), no auditório da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), no Stiep.
Segundo o coordenador de Estudos de Clima e Projetos Especiais do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), Aldírio de Almeida, entre os efeitos esperados para a Bahia estão temperaturas mais elevadas, ondas de calor frequentes e atraso no início do período chuvoso. “Aquelas chuvas que normalmente iniciariam aqui na Bahia entre os meses de setembro e outubro devem ocorrer mais para o final do ano, o que acaba gerando uma forte pressão sobre os recursos hídricos no estado”, alerta o meteorologista que foi um dos palestrantes do evento.
Ele também chama atenção para a possibilidade de ocorrência das chamadas “secas-relâmpago”, caso a alta intensidade do fenômeno se confirme no segundo semestre. “São secas que se formam em um curto período de tempo, decorrentes de temperaturas muito mais elevadas, que aumentam a evapotranspiração, intensificam o estresse da vegetação e provocam déficit acentuado de precipitações”, descreve.
Atenta ao alerta, a Embasa vem reforçando sua estratégia de segurança hídrica para enfrentar os impactos de um fenômeno climático dessa magnitude. Os investimentos somam R$ 23 milhões em ações de monitoramento e gestão de recursos hídricos.
Estratégia preventiva | Entre as iniciativas em desenvolvimento, o gerente de Sustentabilidade da companhia, Fabrício Tourinho, destaca os estudos de modelagem hidrodinâmica em reservatórios estratégicos. Em Pedra do Cavalo e Joanes II, que abastecem parte da Região Metropolitana de Salvador, um projeto realizado em parceria com o IICA e a ABC/MRE utiliza simulações computacionais para prever impactos de eventos climáticos e ambientais sobre a qualidade da água, subsidiando decisões operacionais.
Iniciativas semelhantes também estão em andamento nos reservatórios de Pedras Altas, Aracatu e Floresta Azul, onde são avaliadas as condições da água e dos sedimentos para identificar riscos de eutrofização e orientar medidas preventivas. Juntos, esses três reservatórios atendem cerca de 350 mil pessoas.
“A modelagem hidrodinâmica oferece ferramentas que nos permitem compreender melhor o comportamento dos mananciais, qualificando a tomada de decisões operacionais tanto em situações de excesso de chuvas quanto, principalmente, nos períodos em que a recarga dos reservatórios fica comprometida pela falta de precipitações, cenário esperado para o segundo semestre”, explica Fabrício.
O seminário integrou a programação da Semana do Meio Ambiente da Embasa e, além dos efeitos dos eventos climáticos extremos, abordou outros temas da agenda ESG (Ambiental, Social e Governança), como inovação sustentável em água, esgotamento sanitário e automação, gerenciamento de resíduos e inventário de emissões de gases de efeito estufa (GEE).
Unidade de Comunicação Empresarial da Embasa.