Brasil TRAIÇÃO NACIONAL
O CRIME DE TRAIÇÃO NACIONAL DE FLÁVIO BOLSONARO AO INDUZIR O GOVERNO DOS ESTADOS UNIDOS A INTERVIR ECONÔMICA E MILITARMENTE NO BRASIL.
O governo brasileiro considera inadequado equiparar facções criminosas comuns como o PCC e o Comando Vermelho com organizações terroristas, embora reconheçam o enorme poder violento dessas facções.
01/06/2026 19h20
Por: Colunista Fonte: Fernando Alcoforado*
Foto: reprodução

Fernando Alcoforado*

Induzido por Flávio Bolsonaro, pré-candidato presidencial da extrema-direita bolsonarista, o governo dos Estados Unidos decidiu classificar o PCC e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.  É importante destacar que existe grande divergência conceitual sobre terrorismo entre os governos brasileiro e norte-americano. O governo do Brasil não considera como terrorismo o crime organizado praticado pelo PCC e pelo Comando Vermelho, diferentemente do governo Trump dos Estados Unidos. A legislação brasileira não enquadra o PCC e o CV como terroristas porque não há motivações políticas, ideológicas, religiosas ou raciais, haja vista que eles são vistos oficialmente como organizações criminosas voltadas ao narcotráfico e ao lucro econômico.   

O governo brasileiro considera inadequado equiparar facções criminosas comuns como o PCC e o Comando Vermelho com organizações terroristas, embora reconheçam o enorme poder violento dessas facções. O governo do Brasil trata o PCC e o CV como organizações criminosas transnacionais ligadas ao narcotráfico, contrabando de armas e lavagem de dinheiro e não como grupos terroristas no sentido clássico associado a motivação político-ideológica. A mudança de classificação do PCC e do CV como organizações terroristas pode alterar negativamente a imagem internacional do Brasil, aumentar pressões sobre as fronteiras do País e sobre o sistema financeiro nacional e estimular demandas por alinhamento automático à política de segurança dos Estados Unidos que reduziria a autonomia brasileira na formulação de sua política criminal.

A decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas representa uma ameaça potencial à soberania do Brasil. Entre as principais ameaças à soberania do Brasil destacam-se as seguintes:

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1.     Ampliação da jurisdição norte-americana sobre o território brasileiro.

Ao enquadrar o PCC e o Comando Vermelho como “Organizações Terroristas Estrangeiras”, o governo dos Estados Unidos pode agir contra essas organizações, inclusive no território brasileiro à revelia do governo brasileiro, de acordo com a legislação norte-americana. Isso pode incluir sanções contra instituições financeiras brasileiras que eventualmente sejam utilizadas pelo PCC e pelo Comando Vermelho, o monitoramento do Brasil pelos Estados Unidos e a intervenção policial e militar dos Estados Unidos na estrutura de segurança interna do Brasil no combate ao crime organizado.

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2.     Ingerência dos Estados Unidos nos assuntos internos do Brasil.

O enquadramento do PCC e do Comando Vermelho como “Organizações Terroristas Estrangeiras” abre a possibilidade de intervenções do governo dos Estados Unidos sobre os assuntos internos do Brasil sob o argumento de “combate ao terrorismo”, como, por exemplo, interferir nas próximas eleições para favorecer a extrema-direita bolsonarista. A ingerência dos Estados Unidos nos assuntos internos do Brasil pode contribuir para que o governo norte-americano utilize medidas extraterritoriais sem autorização do Estado brasileiro.  Ao classificar um grupo estrangeiro como terrorista, o governo norte-americano passa a dispor de instrumentos mais amplos para aplicar sanções financeiras internacionais, bloquear ativos, pressionar bancos e empresas, ampliar operações de inteligência e justificar cooperação policial e militar mais intensa. Em casos extremos, parte da doutrina norte-americana defende operações extraterritoriais contra organizações consideradas como ameaças à segurança dos Estados Unidos. Isso pode abrir precedente para pressões externas sobre políticas de segurança interna do Brasil.

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3.     Pressão dos Estados Unidos sobre o sistema financeiro brasileiro.

Com o enquadramento do PCC e do Comando Vermelho como “Organizações Terroristas Estrangeiras”, bancos e empresas brasileiras poderão sofrer sanções caso sejam acusados, mesmo indiretamente, de manter relações financeiras com integrantes das facções criminosas, fazendo com que isso aumente a ingerência do sistema jurídico e financeiro norte-americano sobre o território nacional, comprometendo a soberania brasileira. O enquadramento do PCC e do Comando Vermelho como “Organizações Terroristas Estrangeiras” poderá afetar negativamente os investimentos no Brasil e a percepção de risco, aumentar os controles financeiros internacionais, ampliar o monitoramento sobre comércio e circulação de capitais e gerar tensões diplomáticas com o governo dos Estados Unidos caso o governo brasileiro rejeite a nomenclatura “terrorista” para o PCC e o Comando Vermelho.

4.     Aumento das tensões políticas entre o Brasil e os Estados Unidos.

O enquadramento do PCC e do Comando Vermelho como “Organizações Terroristas Estrangeiras” pode tensionar as relações bilaterais entre Brasil e Estados Unidos, sobretudo se houver a tentativa norte-americana de influenciar o debate político interno brasileiro sobre segurança pública e interferir nas próximas eleições para beneficiar o candidato presidencial da extrema-direita, Flávio Bolsonaro.

Conclusão. 

Não há dúvidas que a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pelos Estados Unidos traz graves implicações para a soberania do Brasil, a segurança pública do País e as relações diplomáticas do Brasil com os Estados Unidos. Do ponto de vista do direito internacional, a intervenção do governo norte-americano em território brasileiro sob o pretexto de combater organizações terroristas (PCC e Comando Vermelho) sem autorização do governo brasileiro viola o princípio da soberania nacional consagrado na Carta da ONU. Pelo exposto, fica evidenciado que Flávio Bolsonaro agiu como um traidor da pátria ao induzir o governo dos Estados Unidos a adotar medidas que podem levar à intervenção econômica e militar norte-americana no Brasil atentando contra a soberania nacional brasileira.

  • Fernando Alcoforado, 86, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da SBPC- Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e do IPB- Instituto Politécnico da Bahia, engenheiro pela Escola Politécnica da UFBA e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário (Engenharia, Economia e Administração) e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, foi Assessor do Vice-Presidente de Engenharia e Tecnologia da LIGHT S.A. Electric power distribution company do Rio de Janeiro, Coordenador de Planejamento Estratégico do CEPED- Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Bahia, Subsecretário de Energia do Estado da Bahia, Secretário do Planejamento de Salvador, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019), A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021), A escalada da ciência e da tecnologia ao longo da história e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2022), de capítulo do livro Flood Handbook (CRC Press, Boca Raton, Florida, United States, 2022), How to protect human beings from threats to their existence and avoid the extinction of humanity (Generis Publishing, Europe, Republic of Moldova, Chișinău, 2023), A revolução da educação necessária ao Brasil na era contemporânea (Editora CRV, Curitiba, 2023), Como construir um mundo de paz, progresso e felicidade para toda a humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2024) e How to build a world of peace, progress and happiness for all humanity (Editora CRV, Curitiba, 2024).
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