Saúde Ceará
Tireoide: atenção aos sinais e diagnóstico precoce ajudam a evitar complicações
Alterações na tireoide estão entre os problemas endocrinológicos mais comuns e podem afetar diretamente o funcionamento de todo o organismo. Locali...
22/05/2026 12h41
Por: Redação Fonte: Secom Ceará

Alterações na tireoide estão entre os problemas endocrinológicos mais comuns e podem afetar diretamente o funcionamento de todo o organismo. Localizada na região do pescoço, a glândula tem formato semelhante ao de uma borboleta e é responsável pela produção de hormônios que regulam funções importantes do corpo, como metabolismo, batimentos cardíacos, sono, memória, temperatura corporal e níveis de energia.

No Hospital Geral Dr. Waldemar Alcântara (HGWA), unidade da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), pacientes contam com acompanhamento cirúrgico para casos que necessitam de intervenção. Segundo o cirurgião de cabeça e pescoço do HGWA, Francisco Bomfim, muitas pessoas convivem com doenças da tireoide sem perceber os sinais iniciais.

“A principal função da tireoide é produzir hormônios que regulam o metabolismo. Isso quer dizer que ela regula o bom funcionamento de órgãos como coração, músculos, cérebro e rins. Sem esses hormônios, o corpo sofre uma falta de energia que pode colocar a vida em risco”, explica.

Assista ao depoimento do médico:

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Foto: Reprodução/Secom Ceará

A cozinheira Antonia Maria da Silva, de 61 anos, realizou nesta semana uma tireoidectomia no HGWA após conviver com desconfortos causados pela doença. “O médico falou que eu tinha que fazer a cirurgia. Eu não estava me sentindo bem, principalmente quando comia, tinha uma sensação de engasgo. Fiz os exames e descobriram que era um nódulo na tireoide e que precisava operar”, conta.

Foto: Reprodução/Secom Ceará

Paciente Antonia Maria da Silva realizou cirurgia de tireoide no HGWA após diagnóstico de nódulo benigno

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Ela relata que também sofria com rouquidão, perda de sono e sensação constante de “nó na garganta”. Após realizar a punção, recebeu a notícia de que o nódulo era benigno. “Fui muito bem atendida no ambulatório e, graças a Deus, deu tudo certo”, comemora.

Entre os problemas mais frequentes estão os nódulos tireoidianos, o hipotireoidismo (quando a glândula funciona lentamente), e o hipertireoidismo (caracterizado pela produção excessiva de hormônios). Em muitos casos, as alterações podem ser silenciosas no início, mas alguns sintomas devem servir de alerta.

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“Nódulos no pescoço, rouquidão, agitação, taquicardia, nervosismo, insônia, mal-estar e ganho de peso sem explicação podem indicar problemas na tireoide”, destaca o especialista.

Foto: Reprodução/Secom Ceará

Cirurgia da tireoide é indicada em casos de grandes nódulos, alterações hormonais graves ou suspeita de câncer

Além das mudanças físicas e hormonais, doenças da tireoide também podem impactar o humor, provocar cansaço excessivo, dificuldade de concentração e alterações no sono. Em casos de nódulos maiores, o paciente pode apresentar sensação de pressão no pescoço, dificuldade para engolir e até alterações na voz.

As mulheres entre 45 e 60 anos estão entre os grupos de maior risco para desenvolver doenças da tireoide, mas os problemas podem surgir em qualquer idade. Histórico familiar, obesidade, tabagismo e alimentação inadequada também estão associados a alterações na glândula. Por isso, o acompanhamento médico periódico é fundamental. “Mulheres devem investigar a saúde da tireoide pelo menos uma vez a cada dois anos”, orienta Francisco Bomfim.

Prevenção: hábitos saudáveis ajudam

Embora não exista uma forma específica de prevenção, hábitos saudáveis ajudam no funcionamento adequado do organismo. “Exercícios físicos e boa alimentação parecem influenciar positivamente. Dietas muito ricas em carboidratos, gorduras e ultraprocessados podem estar relacionadas ao câncer de tireoide. Evitar cigarro e álcool também é fundamental”, afirma.

Quando há crescimento excessivo da glândula, sintomas compressivos ou suspeita de câncer, a cirurgia pode ser indicada. A tireoidectomia, procedimento realizado para retirada parcial ou total da tireoide, atualmente é considerada segura quando feita por equipes especializadas.

“A maior diferença entre a tireoidectomia total e a parcial está nos riscos de complicações, que são maiores na total, além da necessidade de reposição hormonal após a cirurgia”, explica o cirurgião. No HGWA, os procedimentos cirúrgicos são realizados via regulação. Em caso de suspeitas, a indicação é procurar as unidades básicas de saúde (UBS) para uma avaliação.

O médico reforça que o diagnóstico precoce faz diferença no tratamento e na recuperação dos pacientes. “O maior impacto acontece quando o câncer ou os grandes nódulos são descobertos tardiamente, porque podem exigir cirurgias maiores e mais arriscadas. Quando identificamos cedo, as chances de tratamento bem-sucedido são muito maiores”, ressalta.