Geral AGRICULTURA E PESCA
Com Emater, mulheres ribeirinhas vão abastecer merenda escolar de Melgaço
No Marajó, a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Pará (Emater) assiste jovens agricultoras no cultivo e entrega dos alimentos à rede...
19/05/2026 23h27
Por: Redação Fonte: Secom Pará

Com o incentivo do escritório local da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Pará (Emater) em Melgaço, no Marajó, e da prefeitura, dez jovens mulheres ribeirinhas, entre 20 e 30 anos, estão se preparando para, ainda este semestre, começar a fornecer alimentos para a merenda das escolas municipais. A maioria é mãe de crianças e adolescentes que estudam na rede pública beneficiária.

Camarão regional cozido e descascado, bolo de macaxeira, biscoito de castanha-do-pará e polpa de cupuaçu diretamente das comunidades Ilha da Terra, São Benedito e Santa Rosa são alguns dos itens negociados. Cada agricultora deve receber até R$ 40 mil pelo abastecimento do ano letivo. De acordo com a equipe da Emater, considerando o custo médio de produção, o lucro estimado pode alcançar 50%.

Esta semana, depois de mobilização em parceria com a Secretaria Municipal de Educação (Semed) para informar sobre a oportunidade da política pública, as famílias receberam da Emater os cadastros nacionais da agricultura familiar (cafs), documento obrigatório de acesso ao Programa Nacional da Alimentação Escolar (Pnae).

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Membro do coletivo Filhas da Floresta, constituído em 2024 na comunidade São Benedito, às margens do rio Anapu, Raiane Machado, de 29 anos, diz que a garantia de comercialização impacta positivamente à socioeconomia como um todo e fortalece a causa feminista campesina.

“Nós somos mulheres que já possuimos renda própria, com a ideia de economia popular solidária. Quando vendemos para merenda escolar, o preço é justo, evitamos desperdício e perda de mercadoria, e partilhamos de um alimento saudável, de qualidade, do nosso costume, pros nossos filhos”, pontua.

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No Sítio São Raimundo, Raiane e o marido Odemir Cordovil, de 39 anos, criam galinha-caipira, cultivam hortaliças orgânicas e fabricam farinha d’água e tapioca. O casal tem três filhos: Rauan, de três anos; Raiana, de 11 anos, e Benedito, de 13 anos.

Para o chefe do escritório local da Emater em Melgaço, o engenheiro agrônomo José Nilton Silva, especialista em Agronegócio e em Biocombustíveis, a questão de gênero é de suma importância na atuação da Emater: “As mulheres desta região se organizaram em grupos, o que é um diferencial e uma excelente estratégia para as políticas públicas. No mais, quando reconhecemos as mulheres rurais como titulares de direitos, sem dependência de seus maridos, companheiros, e quando documentamos e capacitamos essas mulheres, protagonistas nos arranjos familiares e na sociedade, é um resultado de cidadania, dignidade e representação inclusive para as futuras gerações”, reflete.

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Texto de Aline Miranda