Geral São Paulo
Após fim da Cracolândia, região vai do maior ao menor número de roubos em 14 anos
Foram 881 roubos registrados de janeiro a março de 2026, queda de 70% em relação ao mesmo período de 2023
14/05/2026 07h45
Por: Redação Fonte: Secom SP

A região conhecida como Cracolândia, no centro da capital, completa um ano esvaziada neste mês de maio em ação inédita liderada pelo Governo de São Paulo que contou com integração entre segurança, saúde e assistência social.

As Cenas Abertas de Uso chegam ao fim após 30 anos de tentativas, com reflexos expressivos nos índices de criminalidade na região. Os registros de roubos, que em 2023 alcançaram a maior marca da história para o primeiro trimestre, caíram em 2026 para o menor patamar em 14 anos e o segundo menor resultado da história

De acordo com dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP), o 3º DP (Campos Elíseos) e o 77º DP (Santa Cecília), delegacias que cobrem a área, registraram entre janeiro e março 881 roubos – 70% a menos do que as 2.905 ocorrências registradas no mesmo período em 2023.

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Dos 11 meses seguintes ao fim da cracolândia, nove tiveram os menores índices equivalentes da série histórica: maio, junho, julho, agosto, setembro, novembro e dezembro de 2025; e janeiro e março de 2026.

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“O que aconteceu no Centro foi uma estratégia de asfixia financeira contra o crime organizado. Atacamos a logística e o dinheiro ao mesmo tempo: fechamos os hotéis, pensões e ferros-velhos que sustentavam o tráfico, obtivemos o bloqueio judicial dos bens adquiridos com dinheiro de droga e prendemos os operadores do esquema”, afirma o secretário de Segurança Pública, Nico Gonçalves.

A estratégia de segurança na região adotada pelo Governo de São Paulo contou com trabalho de inteligência para identificar quem eram os usuários e quem traficava na Cracolândia. Para isso, a chegada do programa Muralha Paulista foi um marco importante, com o sistema de câmeras inteligentes identificando procurados pela Justiça.

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As investigações levaram às operações Downtown e Salut Et Dignitas , conduzidas pela Polícia Civil, que miraram a logística do tráfico em hotéis, ferros-velhos e pensões da região, onde foram identificadas movimentações financeiras milionárias incompatíveis com o perfil dos frequentadores.

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Queda ano a ano

No ano todo de 2022, quando a região ainda concentrava dependentes químicos, foram 9.204 ocorrências de roubo, o maior número desde o início da série histórica, em 2001. Em 2025, início do desmonte do fluxo, o total fechou em 3.366, o menor já registrado .

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A virada teve início em 2023, primeiro ano da atual gestão estadual. As ocorrências passaram de 9.204 (2022) para 8.019, redução de 13% em um ano.

Em 2024, a queda acelerou. O número caiu para 4.492, recuo de 44% em relação ao ano anterior. O período marcou também o ápice da ofensiva policial na região: foram 3.182 pessoas presas e apreendidas, maior desde 2022, e 51 armas de fogo retiradas de circulação pelos dois distritos policiais.

Nos 11 meses posteriores ao fim das cenas de droga, o número de prisões no centro caiu 69,2%. Foram 139 prisões entre maio de 2025 e março de 2026, ante 452 no mesmo período do ano anterior, de acordo com dados da SSP.

A redução de crimes e prisões é reflexo direto de ações que permitiram o fim da cena aberta. Uma das mais importantes é o reforço substancial no policiamento ostensivo. Desde 2023, a região central da capital recebeu mais de 400 policiais militares nas atividades permanentes de patrulhamento.

Com o aumento, o efetivo atualmente na área passa de 2 mil agentes. O patrulhamento também tem acréscimo de 1,3 mil vagas oferecidas a PMs por meio da Atividade Delegada, programa em que agentes da reserva ou de folga atuam em parceria com a prefeitura.

Assistência aos usuários

Criado em 2023 pelo Governo de São Paulo, o Hub de Cuidados teve papel decisivo para solucionar o fluxo de usuários de drogas. Desde sua criação, em 2023, o polo de triagem para dependentes químicos atendeu 39,3 mil usuários.

O Hub de Cuidados funciona como porta principal de ajuda e assistência especializada para todos aqueles que precisam de apoio médico, psicológico e social para a superação da dependência.

O Governo de São Paulo reforçou também a rede de assistência social voltada à atender usuários de drogas. Desde 2023, a administração estadual entregou 13 complexos com 52 Casas Terapêuticas e dez unidades do Espaço Prevenir na Grande São Paulo e no interior.

Os equipamentos recebem pacientes com transtornos causados pelo uso de substâncias psicoativas e vivência em situação de rua, os encaminhando para oportunidades socioeducativas de emprego e cuidados.